Dinamarca adota camisa desbotada em protesto por direitos humanos no Qatar

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A seleção dinamarquesa está no Grupo D da Copa do Mundo de 2022 e tem estreia marcada para 22 de novembro. Mas disputar o torneio não significa apoio irrestrito à realização do evento no Qatar, e os dinamarqueses vão utilizar o uniforme como uma forma de protesto.

Os modelos de todas as camisas são monocromáticos, inclusive os logotipos da empresa e da Federação Dinamarquesa.

Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (28), a Hummel Sport, fornecedora de materiais esportivos da seleção europeia, declarou apoio e explicou o posicionamento.

No texto de divulgação de um dos modelos, a fabricante critica as condições trabalhistas no país árabe. "Nós não queremos propagar nossa imagem durante um torneio que custou milhares de vidas. Nós apoiamos a seleção dinamarquesa até o fim, mas isso não é o mesmo que apoiar o Qatar como país-sede", diz o texto.

O terceiro uniforme da Dinamarca na Copa do Mundo será totalmente preto. A escolha simboliza o luto pelas vítimas das construções de estádios para o torneio.

"Preto: A cor do luto. A cor perfeita para a terceira camisa da Dinamarca para a Copa do Mundo deste ano. Apesar de apoiarmos a seleção dinamarquesa o tempo todo, isso não deve ser confundido com o apoio a um torneio que custou a vida de milhares de pessoas. Desejamos fazer uma declaração sobre o histórico de direitos humanos do Catar e seu tratamento aos trabalhadores migrantes que construíram os estádios da Copa do Mundo no país", diz o texto da fornecedora.

De acordo com relatório da Anistia Internacional divulgado no ano passado, "milhares de trabalhadores migrantes morreram repentina e inesperadamente no Qatar".

A Dinamarca não é a única equipe a protestar por questões de Direitos Humanos no Qatar. Oito seleções europeias anunciaram que seus capitães vão usar braçadeiras "arco-íris", em repúdio à criminalização de pessoas LGBTQIA+ no país sede da Copa.