• Atriz Natalie Portman comanda uma nova equipe de futebol feminino em Los Angeles
    AFP

    Atriz Natalie Portman comanda uma nova equipe de futebol feminino em Los Angeles

    A atriz Natalie Portman lidera um grupo responsável por fundar uma nova franquia que disputará o futebol feminino em 2022, e que também contam com outras figuras de Hollywood como Jessica Chastain e Eva Longoria e atletas como Serena Williams, anunciou nesta terça-feira a Liga Feminina (NWSL).

  • Folhapress

    Em ano de frustrações, jogadoras de basquete lutam contra invisibilidade

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ano começou de maneira promissora para o basquete feminino brasileiro, que parecia ter um caminho razoável para os Jogos Olímpicos de Tóquio e vivia a expectativa de ver sua competição nacional transmitida na TV aberta. Tudo isso ruiu rapidamente, e as jogadoras voltaram a se perceber invisíveis, um problema crônico por elas enfrentado. Apesar dos elogios ao ainda breve trabalho do técnico José Neto na seleção, o percurso rumo a Tóquio foi interrompido em uma derrota para Porto Rico que não estava nos planos, em fevereiro, no torneio pré-olímpico. No mês seguinte, a LBF (Liga de Basquete Feminino), que empolgava as atletas pela exibição na TV Cultura, foi paralisada após apenas três jogos -e posteriormente cancelada- pelo novo coronavírus. O alvissareiro 2020 se tornou basicamente um ano perdido. E aquelas que lamentam a falta de atenção da mídia e dos patrocinadores desde a aposentadoria das craques Hortência e Paula, na virada do século, agora batalham para mostrar sua cara, para demonstrar que ainda existem -como têm feito pelas últimas duas décadas. A experiente pivô Érika, 38, sabe bem o que é essa luta. Mesmo dona de uma carreira bastante vitoriosa, com múltiplos títulos brasileiros, quatro edições da Olimpíada e um troféu da WNBA (a liga feminina dos EUA) no currículo, ela relata dificuldades para obter patrocínio e observa uma diferença enorme de tratamento em relação aos homens do basquete. "O que eu peço é visibilidade, tanto para o feminino quanto para o masculino. A gente tem o mesmo direito de ser olhada com mais carinho. O feminino está aí, batalhando há muito tempo, e ninguém olha para a gente com carinho, com os olhos que tem que olhar", diz a carioca. Ela levantou essa lebre em uma entrevista ao Estado de S. Paulo e ganhou eco entre companheiras e torcedoras. Houve nas últimas semanas um movimento para que a Liga de Basquete Feminino ganhasse mais seguidores no Twitter. Eram menos de 6.000, contra 138 mil do NBB (Novo Basquete Brasil), a liga nacional masculina. O próprio perfil do NBB entrou na campanha, que fez o número de seguidores da LBF chegar a quase 14 mil. Está longe do objetivo, mas o crescimento de mais de 100% foi comemorado. O próximo passo é convencer as empresas de que o basquete feminino vale a pena. A entrada da Gol no campeonato havia sido comemorada, com uma parceria que incluía as passagens aéreas das delegações, porém tudo voltou à estaca zero com o cancelamento da disputa. "Foi correto cancelar a temporada. Claro que a gente queria jogar, mas estamos no pico de uma pandemia. Infelizmente, não aconteceu. Estamos unidas para ajudar o basquete feminino a evoluir, para fazer com que as empresas olhem nossa modalidade. Com talento e apoio, trazemos resultados", afirma a armadora Débora Costa, 28. Ela continuou recebendo seu salário do Sesi Araraquara, que está cumprindo os contratos com término previsto para agosto. Algumas equipes acertaram uma redução salarial com as atletas. Outras, ainda, interromperam os compromissos, já que o dinheiro parou de entrar, e honrar os acordos se tornou tarefa complicada. Érika nem chegou a assinar com o Sampaio Corrêa, campeão da edição de 2019 da LBF. Ela vestiria a camisa do time maranhense em 2020 e acabou ficando sem o dinheiro que receberia pelo campeonato. Algo que não tem nela o efeito que tem em atletas sem o prestígio da multicampeã. "Nesses meus 38 anos, graças a Deus, consegui fazer o meu pezinho de meia. Não estou sofrendo tanto quanto as meninas. Conheço todas e sei que muitas dependiam desse salário", diz a pivô. Não há, neste momento, uma cobrança das jogadoras direcionada à CBB (Confederação Brasileira de Basquete) -sob nova direção desde 2017, com apoio considerável dos atletas e das atletas da modalidade. A grande reivindicação mesmo é por visibilidade, por apoio no mundo empresarial e, francamente, por dinheiro. "Quando há apoio, o resultado vem", diz Karla Costa, 41, que acumula as funções de ala-armadora e gestora do Vera Cruz Campinas. "Quando se tem dinheiro, o céu o limite. A CBB e a Liga precisam continuar batalhando para trazer mais marcas, o basquete tem que estar unido nisso." Não é uma luta inédita. Se o cenário parece extremamente complicado, não é exatamente uma novidade para o basquete feminino brasileiro, habituado a lidar com as situações mais desconfortáveis. "Está difícil, mas a gente sobrevive todo ano. Os clubes dependem de patrocínio para participar ou não de um campeonato. A Covid agravou a situação, mas é uma coisa pela qual a gente vem passando sempre. É uma batalha que se luta todo ano, realmente", observa a ala Isabela Ramona, 26, que teve seu contrato rescindido pelo Sampaio Corrêa. A briga é velha, como bem sabe Karla. Mas a disposição nessa luta, observa ela, é algo que se renova. "Eu sou sempre otimista. Estive com Paula e Hortência, em um momento no qual as marcas valorizavam o basquete feminino. As gerações seguintes continuaram lutando para alcançar os melhores resultados. Às vezes, com mais recursos; às vezes, com menos. Mas sempre com muita entrega e amor."

  • Na 'bolha' da WNBA, Damiris diz que não vai parar de se posicionar
    Folhapress

    Na 'bolha' da WNBA, Damiris diz que não vai parar de se posicionar

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Damiris Dantas, 27, está na WNBA (elite do basquete feminino dos Estados Unidos) desde 2014, atualmente no Minnesota Lynx. Diz que chegou tímida, mas rapidamente aprendeu, e muito, tanto dentro quanto fora de quadra. A pivô brasileira tem sido ativa nas redes sociais, sobretudo recentemente, e diz que não pretende parar de se posicionar quando a bola laranja for lançada para o alto. Segundo ela, é um dever do atleta usar sua visibilidade para apoiar causas importantes e servir de exemplo para os fãs. "Tenho me posicionado mais agora e recebido muitas mensagens. Um exemplo básico é meu cabelo. Muitas meninas me olham e falam: 'depois que você parou de alisar seu cabelo, me senti representada e tenho parado de alisar o meu também'. Tenho visto quanto eu me posicionar é importante, pela visibilidade que tenho", contou em entrevista coletiva virtual neste sábado (18). Com atletas, sobretudo nos EUA, assumindo protagonismo no movimento negro e contra a violência policial, ela e as demais jogadoras da WNBA entrarão em quadra estampando no uniforme o nome de Breonna Taylor, jovem negra de 26 anos assassinada após levar oito tiros de policiais dentro de seu apartamento em Louisville. "É minha causa, minha luta, e eu não vou parar [de me posicionar] enquanto não melhorar", diz Damiris. Ela conta que a mãe de Breonna terá uma reunião com as atletas para tratar da homenagem. A morte da jovem aconteceu em março, antes do assassinato de George Floyd incendiar as ruas dos EUA. Também motivou protestos na principal cidade do Kentucky e levou ao banimento da prática das "entradas sem bater", ações nas quais os policiais têm autorização para entrar em uma casa arrombando a porta, sem aviso --como no caso que matou a jovem. Damiris está na "bolha" criada pela liga na IMG Academy, em Bradenton (Flórida), para iniciar o campeonato de 2020 em isolamento no próximo dia 25. Ela conta que tem tentado absorver o máximo dessa experiência inusitada e histórica. Confinada, tem passado mais tempo com as companheiras, jogando videogame, vendo filmes e praticando golfe. "A gente faz o teste da Covid-19 todo dia de manhã, logo depois do café. Aí tem academia, volta para o hotel, almoça, descansa e depois vai treinar. Pedem para a gente não ficar aglomerada com a galera de outros times. [Usamos] máscara o tempo inteiro, e durante o treino o Chuck, fisioterapeuta, vem passando álcool em gel nas nossas mãos", conta sobre a rotina. Jogadoras com comorbidades em tese poderiam pedir para não participar da temporada. No entanto, Elena Delle Donne, a última MVP (jogadora mais valiosa) e estrela do Washington Mystics (atual campeão), não conseguiu sua liberação apesar de ter Lyme, uma doença rara que tem como um de seus efeitos prejudicar o sistema imunológico. "Eu não sou médica, não sei quais os problemas que ela [Delle Donne] tem, mas com certeza se fosse um LeBron [James, do Los Angeles Lakers] teria sido totalmente diferente", afirma Damiris. Por não ter sido liberada pela WNBA, Delle Donne precisará escolher entre sair do isolamento social completo e arriscar sua saúde ou ficar sem salário. Seu time, no entanto, afirmou que seguirá pagando a atleta mesmo que ela não atue, e a brasileira torce para que também a liga chegue a um acordo com a atual MVP do campeonato. Para Damiris, voltar às quadras após meses parada por conta da pandemia do novo coronavírus trouxe uma sensação incrível, como se enfim jogasse para fora todo o estresse guardado dentro dela. Também se mostrou animada com o trabalho do treinador da seleção brasileira, José Neto, e esperançosa por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024 (o Brasil não tem mais chance de ir à Olimpíada de Tóquio, adiada para o ano que vem). Estando ou não em Paris, ela torce também para que o basquete feminino ganhe visibilidade no país. Conta que suas companheiras de equipe nos EUA se surpreendem por ela não ser considerada uma estrela no Brasil, mesmo tendo dez anos de carreira na equipe nacional. "Quando cheguei aqui [na WNBA], vi um movimento de atletas muito grande se posicionando o tempo inteiro, lutando pelas causas, exigindo os seus direitos. Pensei, 'poxa, se elas estão fazendo, eu posso e quero fazer também'. E que seja grande, que eu possa contagiar minhas companheiras, que elas possam se sentir acolhidas", completou.