Daniel Dias acredita em sucesso do Brasil em Paris e fala de aposentadoria: 'Tudo tem um ciclo'

Daniel Dias durante as Paralimpíadas de Tóquio, em 2021, na despedida das piscinas (Adam Pretty/Getty Images)
Daniel Dias durante as Paralimpíadas de Tóquio, em 2021, na despedida das piscinas (Adam Pretty/Getty Images)

Daniel Dias, o mineiro de Camanducaia que conquistou quase 30 medalhas em diversas competições e recordes olímpicos em diferentes categorias, é um verdadeiro fenômeno da natação.

O atleta recentemente se despediu das piscinas, deixando um legado espetacular. Dias toca no assunto em entrevista exclusiva sobre como foi a decisão de dar adeus ao esporte que o colocou no Hall da natação mundial. Futuro, nova geração, superação, Paris, também entraram em pauta.

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Como você começou na natação? Quando você percebeu que tinha um potencial?

Comecei a nadar após assistir às Paralimpíadas de Atenas 2004 e ver o grande atleta paralímpico Clodoaldo Silva conquistando medalhas para o país. Foi dessa maneira que descobri a natação paralímpica. Já nas minhas primeiras aulas de natação percebi que tinha potencial, afinal aprendi a nadar em apenas 8 aulas.

Como a deficiência foi tratada ao longo da sua vida? Em algum momento pensou em desistir?

Somos iguais em nossas diferenças. Eu sempre entendi isso e acreditei que poderia realizar grandes coisas, realizar meus sonhos e objetivos. Quando não colocamos limites de realização e capacitação concretizamos nossos sonhos. E é assim que sempre levei minha vida, com um sorriso no rosto e vamos viver.

Você atingiu números impressionantes e hoje ocupa uma posição de destaque na história do esporte olímpico mundial. Como foi a preparação para as competições mais importantes?

Muito obrigado, fico muito feliz em ter todas essas conquistas. A preparação sempre foi muito intensa, muitos treinos. Minha semana tinha de cinco a oito treinos de piscina e dois a três treinos de academia para aprimorar a parte física.

O que esperar de Paris? Qual atleta você acredita que possa brigar por medalhas? Alguém na natação?

Grandes expectativas para Paris, já o Brasil vem se preparando muito bem em todos os sentidos. Eu não diria apenas um nome, e também não falaria só da natação, eu diria que o Brasil como um time fará história em Paris, acredito que teremos grandes nomes.

Algum ídolo do esporte? Em diversas entrevistas realizadas, vários atletas relataram o quão complicado tem sido para conquistar patrocínios. É um desafio hoje em dia maior que a própria medalha?

Tenho alguns exemplos, o Clodoaldo foi e é uma grande inspiração para mim. Realmente esse é um grande desafio na vida do atleta, eu diria que tanto a medalha como um patrocinador são grandes desafios que o atleta tem que enfrentar para conquistar.

Para as próximas gerações, algum nome especial para o esporte paralímpico? Quais são os principais nomes?

Temos alguns nomes, claro que falarei da natação né? (risos). Eu diria para ficarmos de olho nos próximos anos, o Gabriel Geraldo, Gabriel Bandeira, Samuel Oliveira, Maria Carolina, Mariana Gesteira.

O porquê da aposentadoria? O que mais pesou para essa decisão?

Acredito que na vida tudo tem um ciclo, e entendi que o meu ciclo na natação competitiva estava para se encerrar em Tóquio. Queria conviver mais com meus filhos e isso pesou bastante na decisão.