Copa do Mundo chega aos escritórios com troca de figurinhas

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL.-30.08.2022 - Colecionadores de figurinhas da Copa. Funcionários da Zukerman, empresa especializada em de leilões de imóveis, durante a troca de figurinhas do álbum da Copa. Na mesa: Nathalie Bizzocchi, Vinicius Oliveira, André Zalcman, Marcela Curpievsky e Victoria Teodoro.  - (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL.-30.08.2022 - Colecionadores de figurinhas da Copa. Funcionários da Zukerman, empresa especializada em de leilões de imóveis, durante a troca de figurinhas do álbum da Copa. Na mesa: Nathalie Bizzocchi, Vinicius Oliveira, André Zalcman, Marcela Curpievsky e Victoria Teodoro. - (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No meio da tarde de um sábado, Victoria Teodoro, 25, recebe um alerta no aplicativo de mensagens do escritório. "Dá até um frio na espinha, porque é final de semana", diz.

O comunicado, porém, logo lhe arranca um sorriso: é um colega da Zukerman Leilões, onde ela é assistente jurídica, perguntando sobre uma figurinha do álbum da Copa.

Eles fazem parte de um grupo em crescimento pelo país. A pouco mais de dois meses da Copa do Mundo do Qatar, trabalhadores têm usado a hora do café ou o finalzinho do almoço para trocar aquela figurinha repetida nos corredores dos seus escritórios.

"O grupo começou pelo burburinho sobre o álbum na hora de tomar café. Agora, tem até chat interno, e quem cumpre meta ganha pacote de figurinha", diz André Zalcman, gerente de operações da casa de leilões.

Zalcman diz que a troca de figurinhas entre os funcionários é uma forma de socializar as equipes após dois anos de home office.

O assistente comercial Vinicius Oliveira, 29, concorda. "Eu entrei na Zukerman durante a pandemia. Fiquei um ano só conversando pelo computador. Estou conhecendo mais as pessoas por causa do álbum", conta Oliveira, que coleciona álbuns desde a Copa de 2002.

Para Cássio Brandão, chefe de negócios governamentais do Google, colecionadores querem se ajudar e trocar experiência, por isso se reconhecem em todos os espaços, inclusive nos profissionais.

"Eu tenho todos os álbuns de Copa desde 1994. Neste ano, comprei para ter a experiência com meu filho, de 3 anos. Outros pais e mães, até pressionados pelos filhos, acabam pedindo e oferecendo as figurinhas nos escritórios também. É comum ver em frente ao computador um envelopinho com a figurinha da troca", diz.

A assistente jurídica da Zukerman Marcela Curpievsky, 35, admite que usa as duas filhas como desculpa para os dois álbuns da Copa que já estão quase completos. Em um deles, o de capa dura, só faltam três figurinhas. "Nem sei quanto já gastei. Na última vez, comprei os 78 pacotes que a banca tinha."

"Ela é a líder do grupo. Todo mundo a procura para trocar", diz Zalcman.

Nathalie Bizzocchi, 32, analista de customer service da empresa, também está montando o álbum com o filho de 5 anos, mas não tem pressa.

"Cada vez que vou à banca, gasto R$ 70 em figurinhas. Quando chego em casa, de noite, sento com ele para colarmos juntos. Algumas repetidas ele leva para a escola para trocar, e eu trago outras para a empresa", afirma Nathalie.

Como o álbum da Copa foi lançado há menos de um mês pela Panini, a maioria dos profissionais diz que a troca está em um para um --exceto as especiais.

"Com as brilhantes é diferente, tem que ser por pelo menos duas normais ou outra brilhante", afirma Thomas Gromik, gerente de conta no Google.

"Por enquanto, com todo o mundo começando e muito álbum para preencher, troca uma figurinha por outra. Mas quando chega nas últimas para completar, você troca até 30 figurinhas por 1 comum", diz Brandão.

Sthéfani Ribeiro, head de gente e cultura na 3778, afirma que os profissionais não estão apenas trocando figurinhas no escritório, mas outros pontos de afinidade.

"Você cria conexão e confiança no time. Dá um ambiente de segurança psicológica e isso, no final do dia, faz a equipe desenvolver projetos de forma mais rápida, porque sabe que pode contar com aquela pessoa", diz.

Nem quem está de home office fica de fora. "Geralmente mando uma relação das repetidas e tendo bastante coisa para trocar a gente dá um jeito, de preferência marcando um encontro", afirma Gromik.

Segundo a especialista em gestão de pessoas, outros dois pontos positivos dessa conexão são as novas ideias e a saúde mental.

"Desde que essas interações não interfiram nos resultados, isso não é um problema na organização."