Coordenador do Curso de Técnicos da AFA afirma: "Uefa não confia em treinadores brasileiros"

Jorge Sampaoli hoje trabalha no Olympique de Marselha e teve passagem também pelo Sevilha. Foto: Daniel Vorley/AGIF (Daniel Vorley/AGIF)

Os técnicos brasileiros de futebol têm reclamado bastante da presença de profissionais estrangeiros no futebol nacional. Para muitos profissionais, eles têm a vantagem de serem aceitos por aqui, sem muita exigência de currículos e licenças.

Recentemente, o blog participou de duas conversas com Dorival Jr. e Mazola Jr., críticos ferrenhos da liberdade que existe para os estrangeiros no Brasil, sem que eles consigam ter acesso ao futebol europeu, mesmo com a Licença Pro do Curso de Técnicos da CBF, sem validação na Europa.

Leo Samaja, coordenador do Curso da AFA(Associação de Futebol Argentino), rebate os brasileiros e revela o motivo da Uefa aceitar o curso da AFA, em detrimento ao brasileiro.

"Isso é um mito de que não podem trabalhar por um recebimento ou aceitação da licença. Existe uma Lei na Uefa que limita o acesso a treinadores formados fora da região da Uefa. Se exige uma quantidade de anos de experiência, ao mesmo tempo uma validação e avaliação do curso realizado. Há muitos anos, os cursos da AFA são aceitos pela Uefa por essa nomenclatura, pelo tempo, prestígio, conteúdos. Treinadores formados hoje na região da Conmebol, com cinco anos de experiência na categoria máxima, conseguem sim trabalhar em território europeu. Então, se não há treinadores brasileiros na Uefa, temos que romper com esse mito de que é pela licença da CBF. Não é, não. É porque ainda não confiam nos treinadores brasileiros formados em território brasileiro", afirmou, em entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes, com a presença do blog.

Samaja ainda expõs as principais diferenças do curso da AFA para o da CBF.

"Os cursos da escola argentina não estão baseados em palestras, conversas, trocas de experiências, resenhas, como se conhece no Brasil. É conteúdo, onde os alunos passam por estudos semanais de forma rigorosa, ao longo dos anos que levam as licenças. Não se inicia um curso com palestras e daqui a seis, sete meses, se apresenta um trabalho. Toda semana tem que fazer uma prova, uma exercitação com matérias de diferentes âmbitos, não só voltadas para a nossa disciplina que é o futebol. Isso forma naturalmente um profissional completo, competente e com ferramentas. Agora, o que o profissional fará com esse conhecimento é problema dele. Todos passam pelo mesmo processo de prestar contas de todos os conhecimentos, seja quem for. Os professores dos nossos curso não caíram de para-quedas, são profissionais com anos de experiências no futebol", concluiu.

O Curso da AFA custa R$ 8.400,00 anuais, de acordo com a duração de cada licença. Os técnicos Bruno Pivetti, hoje na Tombense, e Thiago Gomes, do Brasil-RS, fizeram o curso da AFA.

No futebol europeu, a Argentina tem quatro técnicos de ponta, pelo menos: Simeone, Jorge Sampaoli, Marcelo Bielsa e Maurício Pochetino.

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