Conheça o flag football, esporte da bola oval que sonha com Olimpíada em 2028

Flag Football pode virar esporte olímpico. Foto: Kirby Lee-USA TODAY Sports/Reuters
Flag Football pode virar esporte olímpico. Foto: Kirby Lee-USA TODAY Sports/Reuters

Uma extensa trajetória de uma de década de participações em torneios mundiais, superação da escassez de recursos financeiros e a falta de apoio de instituições públicas. É o panorama que vai aos poucos sendo modificado pelo desempenho positivo da seleção feminina de flag football, segundo Cristiane Kajiwara, presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), e à frente da entidade desde o ano passado. O histórico quarto lugar conquistado em Israel em 2021 deu o direito ao país disputar a edição 2022 do World Games. Além de o time do Brasil Onças, como é conhecido, obter a sétima colocação em julho, nesta mesma competição que agregou modalidades não olímpicas em Birmingham (Alabama), nos Estados Unidos. Tudo neste contexto em que tem a NFL (liga profissional de futebol americano nos EUA) ratificou junto à Federação Internacional de Futebol americano (IFAF) apoio ao esporte para integrar programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.

No entanto, passada a experiência e euforia da competição nos EUA na qual as empoderadas atletas enfrentaram times de tradição e maior preparo entre os quais os donos da casa e os mexicanos, agora é hora de focar o Campeonato Sul-Americano. Ele terá seleções competitivas como Chile, Colômbia e Argentina e disputado em dezembro na capital paulista. O torneio faz parte de um extenso planejamento para o grupo que tem outras metas o Intercontinental e o mundial da Finlândia em 2024.

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Diferenças

Flag football é uma modalidade do futebol americano que se joga com a bola oval e (flags/faixas) presas por um cinto à cintura. É uma variação do esporte com menor contato físico entre os competidores. O objetivo é avançar a bola pelo território adversário e alcançar a zona final para marcar pontos, no caso touchdowns [computa seis pontos}. Soldados americanos jogavam o flag como forma de diversão e válvula de escape durante os longos e tenebrosos períodos de sofrimento nos combates da Segunda Guerra mundial. Outro detalhe a esclarecer do esporte é que se abandona o capacete e os equipamentos de corpo da NFL (liga profissional de futebol americano nos EUA). E o impacto físico e a força utilizada pelos atletas de futebol americano para bloquear não existem no flag. No Brasil se joga 5x5 (cinco contra cinco); 8x8 ou 11x11.

Detalhe do cinto do Flag Football. Foto: Kirby Lee-USA TODAY Sports/Reuters
Detalhe do cinto do Flag Football. Foto: Kirby Lee-USA TODAY Sports/Reuters

Arenas

A presidente da CBFA informou que a modalidade vai ampliar seus espaços a partir das construções de locais para disputa além de outras iniciativas. “A Federação paulista firmou convênio com a prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo, para a construção do complexo esportivo com arquibancada e campos oficiais do futebol americano. E também haverá o centro de treinamento das seleções tendo um campo e vestiários com grama sintética em Itapecerica da Serra (região metropolitana de São Paulo)”, detalha Cris Kajiwara, que aborda também o trabalho a ser desenvolvido com a seleção masculina de flag football que esteve pela primeira vez num mundial em Israel. A dirigente formada em Administração de empresas e que teve seu primeiro contato no esporte através de trabalho de gestão no Corinthians Steamrollers [time de futebol americano que faz parte das equipes amadoras do Sport Club Corinthians Paulista] olha também para massificação do esporte. Conforme um ofício elaborado pela dirigente tem dois projetos baseados no flag football que permitirão atender inicialmente 240 crianças em vulnerabilidade social. Eles foram possíveis através de Lei de incentivo Fiscal e oferecerão às crianças por diversos polos de atuação pelo Brasil. E disponibilizarão gratuitamente alimentação, uniformes e materiais para a prática do flag cujo custo não pode ser comparado ao futebol americano com equipamentos mais onerosos.

Para a sul-mato-grossense Taisa Alencar, de 25 anos, atleta da seleção que atua nas posições de ataque (wide receiver / recebedora) e defesa (blitzer), a experiência dos Jogos Mundiais foi engrandecedora, apesar de a colocação atingida pelo Brasil. Ela destaca a organização do evento e o intercâmbio também na competição em que o México superou os Estados Unidos e sagrou-se campeão. Além disso, pôde acrescentar ainda ao currículo a interação com outras modalidades do World Games.

Gerente de instituição financeira, Taísa teve de fazer a “famosa” vaquinha virtual para estar nos Jogos Mundiais. “Foram várias campanhas na minha cidade e lançamos o adote uma atleta no site da seleção feminina”, afirmou explicando que só assim ela e outras da conseguiriam bancar as despesas oriundas das despesas com a viagem ao país do presidente Joe Biden.

Formada e pós-graduando em Administração de Empresas, Taísa faz incrível gestão do tempo para se desdobrar também defendendo o time de Cobrarés de sua cidade no flag football. É este esporte que ganha cada vez mais adeptos em território brasileiro pelos benefícios que oferece: aumenta densidade óssea sendo aliado contra a osteoporose, trabalha a musculação do corpo, estimula a cognição, promove respiração sadia, melhora a função motora e principalmente nos dias atuais agitados: reduz o estresse. A seguir curiosidades do primo do futebol americano pela palavra da jogadora da seleção.

Yahoo Esportes – Você pode explicar um pouco do jogo e os objetivos?

Taisa Alencar - O flag football é uma modalidade derivada do futebol americano, os times são divididos em ataque e defesa cada um com cinco jogadoras em campo. Jogamos com duas fitas (flags) na cintura, quem está com a bola tem de chegar até o fim do campo adversário, com passes ou corridas, para marcar os pontos (touchdown) sem deixar que as adversárias peguem uma das flags (fitas).

Yahoo Esportes – Descreva atuação da posição de quarterback?

Taisa Alencar – É a mais importante. É ele que recebe a bola e faz o lançamento para algum recebedor ou para alguma corrida. Toda bola do ataque passa pela mão dele e ter um bom quarterback leva muitos times a saírem em vantagem nos jogos.

Yahoo Esportes – Por curiosidade, como funciona o extra point?

Taísa Alencar – Quando o time o time marca um ponto (touchdown - vale seis pontos) tem direito ao ponto extra. Para isso tem de atravessar novamente a zona final (end zone) do adversário com somente uma tentativa, porém a bola sai a uma distância menor. Aí o time pode optar pela tentativa para mais um ponto (bola saindo a cinco jardas da end zone) ou dois pontos (bola saindo a dez jardas da end zone)

Yahoo Esportes – Pode lembrar-se de alguma contusão que teve?

Taísa Alencar- Nunca me machuquei jogando flag, isso é consequência de um trabalho de fortalecimento muscular que sempre fiz em academia. [ela explicou ainda ter jogado vôlei dos 12 aos 17 anos, o que lhe deu diferencial enorme para o esporte].