Com miniaturas de Éder Jofre e outros grandes, Memorabília do Esporte respeita o passado do esporte brasileiro

Miniatura de Éder Jofre da Memorabilia do Esporte (Foto: Divulgação)
Miniatura de Éder Jofre da Memorabilia do Esporte (Foto: Divulgação)

Em outubro, o Brasil perdeu um de seus maiores ídolos esportivos com o falecimento do tricampeão mundial de pugilismo Éder Jofre (1936-2022), o “Galo de Ouro”, considerado o maior peso galo de todos os tempos (também foi campeão entre os pesos pena), e o melhor boxeador dos anos 1960 independente de peso, ambas honrarias concedidas pela bíblia do boxe, a publicação americana Ring Magazine.

Em seus últimos anos, Éder teve profissionais e entidades resgatando sua memória como o filme “10 Segundos Para Vencer” (2018) estrelado por Daniel Oliveira e Osmar Prado, a biografia que leva seu nome de autoria do britânico-americano Christopher J. Smith e a miniatura de luxo lançada em março pela empresa brasileira Memorabília do Esporte (MDE), enquanto o lendário atleta ainda estava vivo.

A Memorabília do Esporte foi fundada com o intuito de resgatar a memória antiga e também recente do esporte brasileiro, já que tanto pela mídia quando pela população comum, infelizmente, tais nomes são esquecidos ou até mesmo desprezados.

Nos Estados Unidos, a indústria de itens colecionáveis movimenta bilhões e nomes do passado como Muhammad Ali e Michael Jordan parecem seguir competindo em seu ápice mesmo décadas após de seus tempos áureos. A Memorabília do Esporte segue modelo similar e foi fundada pelos jornalistas Samy Vaisman e Bruno Neves. Em entrevista exclusiva para o Yahoo Esportes, Vaisman fala do critério de escolha para homenagear Éder Jofre, o processo elaborado em suas peças além do surgimento da Memorabília do Esporte e o valor de manter viva a memória esportiva brasileira.

Yahoo Esportes: Como foi o processo para escolher Éder Jofre?
Samy Vaisman: Éder é um ídolo, uma referência, um dos maiores nomes do boxe mundial de todos os tempos. Isso fez com que a escolha fosse bem fácil.

Homenagear alguém do nível dele, da importância que tem para o nosso país, é a essência da Memorabília do Esporte. Conheci o Eder em 2018, numa visita dele ao Rio, a convite de uma amiga de muitos anos, e foi um momento muito especial. Encontrar um ídolo, ter esse contato pessoal é algo mágico para qualquer fã, para qualquer pessoa e, na MDE, queremos provocar esse ponto de contato, mesmo que não físico, mas emocional. Queremos oferecer aos fãs de esportes a oportunidade de ter algo único, exclusivo, autografado, genuíno, estamos oferecendo ao mercado peças carregadas de emoção e simbolismos, de significados, itens que conectam sentimentos a partir de um item colecionável.

Como se deu o trabalho para realizar a miniatura do Galo de Ouro?
Trabalhamos muito durante meses. Antes de qualquer lançamento, fazemos pesquisas, um estudo sobre aquela coleção, sobre o tipo de item, do conceito à execução, e é preciso tempo para que essas peças ganhem forma. Éder é um herói de verdade, não tem capa, não tem máscara ou escudo, como os heróis dos filmes. Essa estátua foi obra de um craque chamado Eddie Vieira, que esculpiu a peça. Quase um ano inteiro de dedicação de uma equipe, diariamente, de muita pesquisa - porque não há um acervo de imagens tão rico em detalhes -, de um trabalho pautado nos detalhes, para atendermos à exigência de entregar uma peça com padrão internacional, à altura do que o Éder merecia. Escolhemos retratar uma versão dele do fim da carreira, para que fizesse sentido a presença dos três cinturões, ainda que o último só tenha sido reconhecido há três anos. É a imagem que fica para todos, é a história do nosso ‘Galo de Ouro’ em forma de estátua. E o resultado final ficou impressionante.

A miniatura foi apresentada ao público com ele ainda vivo. Como se sente agora com o falecimento do lendário pugilista? A morte afetou de alguma forma a procura pela figura?
Queríamos homenagear ele em vida. E ficamos muito felizes por conseguir isso. Temos que homenagear as pessoas em vida, tem que ser assim, sempre que possível, para que saibam o que representam e o quanto inspiram a nossa sociedade. Isso, mais do que reconhecimento, se chama respeito. O Brasil é um país que esquece muito rápido de seus ídolos. E isso não acontece apenas nos esportes. A MDE nasceu de uma vontade de manter a memória do esporte viva, resgatando feitos, eternizando heróis, exaltando os feitos de nomes como o Eder Jofre. Eder estava internado há alguns meses e a morte dele foi uma perda enorme para o nosso país. Tivemos uma procura maior, sim, algumas compras de produtos do Eder nos últimos dias, logo após o seu falecimento. Gostaríamos que isso não tivesse acontecido a reboque de sua morte. Recebemos muitas mensagens e visitas de pessoas que moram fora do Brasil, especialmente dos Estados Unidos, onde há uma gigantesca comunidade do boxe e ele sempre foi muito querido.

Além da miniatura há medalhas com a imagem de Jofre disponíveis. Como foi o trabalho com essas obras?
Levamos a ideia para a Casa da Moeda do Brasil em 2020. Temos uma parceria com a instituição e lançamos uma coleção no ano passado na época em que ele viajou aos Estados Unidos para a cerimônia de entrada no Hall da Fama da Costa Oeste dos EUA. São séries em ouro, prata e bronze, em quantidade limitada, todas certificadas e numeradas, celebrando o tricampeonato. E ficaram muito bonitas, um trabalho maravilhoso da Millie Oliveira, da Casa da Moeda. Nas medalhas, há uma imagem dele da época de lutador, uma cena de luta e seu autógrafo, além do registro dos anos dos títulos mundiais. Esta foi a única iniciativa deste tipo em homenagem a ele, a criação de medalhas comemorativas, e é motivo de orgulho para a MDE ter liderado esse projeto.

Como surgiu a ideia de formar a Memorabília do Esporte?

Sou um apaixonado por memorabília, coleciono algumas peças, especialmente itens olímpicos. E em uma conversa com o meu sócio, um amigo de quase 30 anos, resolvemos investir nesse mercado, apostar em algo que não existia no Brasil, embora o brasileiro seja apaixonado por esportes e, muitos, gostem de colecionar itens esportivos, sejam eles camisas, bolas, bonecos, bonés, entre outros.

Memorabília é um termo ainda novo no dia a dia do brasileiro, que conhece e entende o valor do colecionismo. A receptividade, tanto do público, quanto dos atletas, vem sendo excelente. É um mercado que estamos abrindo para fãs, atletas, marcas, esportes e entidades. Todos entendem a motivação da MDE de manter vivas as memórias do nosso esporte. Estamos dando mais valor e mais legitimidade ao ato de colecionar, oferecendo peças exclusivas, originais, certificadas e limitadas para quem quer ter uma recordação histórica de seu ídolo, para quem é apaixonado por esportes. Hoje, a MDE tem contrato com mais de 130 atletas de mais de 15 modalidades e estamos buscando ampliar, sempre, o número de projetos e homenageados. Estamos atentos e buscando oportunidades de prestar mais homenagens todos os dias.

O que pensa do tratamento dispensado para a memória esportiva brasileira pela imprensa e pela sociedade como um todo?

Não damos o valor merecido aos nossos ídolos. Infelizmente. O Brasil, com raríssimas exceções, não respeita os seus heróis. Não há memória esportiva, não há um trabalho perene de manutenção dessa história em nosso país. Nossos ídolos são perecíveis. E foi isso que nos moveu para a criação da Memorabília do Esporte, provocar um resgate dessas histórias, desses feitos, eternizar homens e mulheres que não recebem o reconhecimento merecido.

Muitos, inclusive, pela falta de apoio, de perspectiva e de “carinho”, acabam sendo obrigados a vender itens pessoais, medalhas e troféus, em troca de algum dinheiro que os ajude a sobreviver. Quantos museus de modalidades ou espaços de preservação da memória de tantos ídolos existem pelo país? Um exemplo simples que dou em conversas com amigos é sobre os Jogos Olímpicos de Tóquio, que aconteceram há pouco mais de um ano. Quantas medalhas o Brasil conquistou? E quantas de ouro? Se perguntarmos para dez pessoas agora, é bem provável que nenhuma delas saiba. E isso aconteceu há apenas um ano. Difícil entender isso... Perde-se a oportunidade de construir um legado, de inspirar crianças, de dar exemplos para o povo, usar esses exemplos em sociedade, de perpetuar momentos que foram marcados pela paixão e pela emoção.

Nos EUA é comum ter este tipo de itens indo de miniaturas e action figures até pôsteres e outras lembranças. Ao que se deve isto? O Brasil pode chegar em tal ponto?

Nos Estados Unidos isso é um negócio. E um negócio de bilhões de dólares, foram quase 6 bilhões só em 2021 no mercado oficial. Isso sem falar nas negociações secundárias, na venda informal, como revenda online e grupos de colecionadores. É um mercado já consolidado, de décadas, e o país inteiro entende que, mais do que produtos ou itens, isso faz parte da manutenção de parte da memória do país. E, o mais importante, os atletas são remunerados por ‘emprestarem’ suas imagens para produtos colecionáveis. Basta uma procura rápida pelos sites de busca para entender o tamanho desse mercado. Recentemente, uma camisa usada por Michael Jordan em 1998 foi vendida por mais de US$ 10 milhões. Cards colecionáveis podem alcançar fortunas. Bolas, camisas, chuteiras, cards. Quando o produto é original e certificado, mais do que o valor financeiro, ele possui um valor importante que é o sentimental.

Quais são os próximos passos da Memorabília do Esporte? Quais serão os próximos atletas a serem retratados?

Teremos muitas novidades ainda para esse ano e para 2023. Em breve, vamos lançar uma série de produtos oficiais do Garrincha, entre eles estátuas, medalhas, uma coleção de histórias em quadrinhos, NFTs... Vamos lançar em novembro mais uma medalha da coleção ‘Grandes Ídolos do Esporte’, em parceria com a Casa da Moeda, com as séries do Arthur Zanetti. Teremos lançamentos em 2023 da Rebeca Andrade, do Daniel Dias, da Rafaela Silva, novos itens da Stock Car.

Tem muita coisa boa vindo por aí! Convido todos a conhecerem a Memorabília do Esporte pelo site www.memorabiliadoesporte.com.br e pelo Instagram @memorabiliadoesporte.com.