Campeão olímpico de vôlei André Heller lança livro e discute novo momento da seleção

André Heller, central da geração de ouro do vôlei brasileiro (Foto: JUAN BARRETO/AFP via Getty Images)
André Heller, central da geração de ouro do vôlei brasileiro (Foto: JUAN BARRETO/AFP via Getty Images)

André Heller, central da geração de ouro do vôlei brasileiro, lançou seu primeiro livro, com foco na área de gestão esportiva. Heller e o ex-levantador Maurício Lima atualmente atuam nos bastidores da gestão da equipe do Vôlei Renata, de Campinas, interior de São Paulo.

A atuação na nova função, renovação, carreira, seleção brasileira foram debatidas nesta entrevista exclusiva no Yahoo Esportes.

Recentemente, você lançou um livro sobre a carreira. O que o leitor, fã de voleibol pode esperar do seu Debut? Alguma história de bastidores?

O leitor tem em mãos um livro de conteúdo, pesquisas, estudos e muitas entrevistas com profissionais especialistas. Não é um livro biográfico, entretanto, apresenta ao leitor alguns cases de profissionais e pessoas de sucesso que podem servir de referência e exemplo para a aplicação em sua própria vida. Também não é um livro motivacional, e sim, um livro totalmente pragmático. A partir do capítulo 4 até o final do livro, o leitor pode consolidar em aprendizado o conhecimento obtido em cada capítulo, através de uma sessão que chamo de “Mão na Massa”. Nela o leitor exercita na sua própria realidade o que o capítulo propôs como tese. É um livro leve, ágil e, sobretudo, realista e pragmático.

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Como foi essa primeira experiência como escritor?

Experiência única e incrível. Da ideação até o lançamento do livro foram mais de cinco anos. Um processo transformador e os resultados já estão acontecendo com um pouco mais de um mês de lançamento.

A seleção brasileira aos poucos vai dando algumas perspectivas sobre essa nova geração, especialmente, no vôlei feminino. Você acredita que para a equipe masculina será mais doloroso essa renovação? Em que patamar de preparação você vê essa equipe?

O público brasileiro está acostumado a ver o Brasil vencer todas as competições em ambos os naipes, porém essa condição não é normal. Nos acostumamos mal. Todo o processo de renovação é gradativo e demanda mudanças, inclusive de mentalidade. O vôlei masculino brasileiro está se renovando, sobretudo no que diz respeito à Seleção. Por outro lado, há uma necessidade urgente de uma renovação no trabalho feito nas categorias de base dos clubes brasileiros, e isso implica em mudança de mentalidade na forma com a qual os profissionais – professores, técnicos e treinadores, ensinam o esporte às crianças e jovens. Renovação não implica necessariamente mudar pessoas, mas, sim, cultura e mentalidade.

O Brasil viveu uma era de hegemonia com grandes centrais: você, Gustavo, Rodrigão, Sidão. Ainda contamos com o sempre eficiente e regular Lucão, a força de Isac. Quem você vê para o futuro da seleção na posição de central?

Difícil apontar um nome, pois muitos jovens estão surgindo. Ainda não é possível afirmar que um deles ocupará uma posição na Seleção. Hoje o desafio é, além de encontrar talentos, entender se estes estão dispostos a percorrer o caminho para alcançar a excelência esportiva. Não existe uma fórmula ou receita do sucesso. O que existem são componentes fundamentais que devem nutrir a jornada daqueles atletas que escolhem se diferenciar, independentemente da modalidade esportiva e posição. Porém, cada vez menos atletas têm feito as escolhas corretas para a excelência.

Atualmente, você e Maurício têm atuado na gestão da equipe do Vôlei Renata. O Brasil sempre viveu momentos de altos e baixos, com a chegada e saída de patrocinadores, investidores, surgimento de novas equipes e falência de equipes tradicionais. Como é lidar numa função tão importante num cenário tão volúvel?

Hoje o Maurício e eu estamos mais focados no atendimento aos patrocinadores. O Vôlei Renata é um projeto que tem um entrega 360. Não ficamos reféns dos resultados técnicos na quadra. As entregas que fazemos aos patrocinadores acontecem boa parte fora da quadra, em eventos, ativações de marca, palestras, treinamentos de liderança e equipes, trabalhos sociais e muitas outras possibilidades que surgem ao longo das parcerias. Temos um projeto longevo porque é gerido com profissionalismo por uma empresa especializada na área – a ESM. Nada no nosso projeto é feito no “achismo”. Temos profissionais que trabalham incessantemente buscando dados, números e informações que norteiam as nossas decisões. Temos uma equipe multidisciplinar qualificada para gerir de maneira eficiente e eficaz todo o arcabouço do Projeto. Os resultados comprovam e ratificam que o caminho a ser percorrido é esse.