Campeã da Copa América Feminina, Antônia destaca reformulação: “Há muito a melhorar”

Antônia comemora o título da Copa América Feminina contra a Colômbia (Foto: RAUL ARBOLEDA/AFP via Getty Images)
Antônia comemora o título da Copa América Feminina contra a Colômbia (Foto: RAUL ARBOLEDA/AFP via Getty Images)

Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

A Seleção Brasileira Feminina de Futebol se sagrou campeã da Copa América pela oitava vez em nove edições. A final foi contra a Colômbia. E o jogo difícil. Ainda no primeiro tempo, o Brasil perdeu a meia Angelina. Com isso, a treinadora Pia Sundhage optou por recuar o time. A estratégia deu certo e a Seleção venceu graças ao gol de pênalti convertido por Debinha.

“Foi um momento difícil principalmente por ter sido no começo do jogo [lesão de Angelina] e gostaríamos que tivesse terminado todo mundo. Dá uma desestabilizada, mas naquele momento nós conseguimos ter forças e dissemos que jogamos pela Angelina. Deu aquele ânimo para jogar por ela e de merecer esse título com a gente”, comentou Antônia com exclusividade para o Yahoo Esportes.

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Essa campanha do título sul-americano foi feita de maneira invicta, com direito ao status de melhor ataque da competição com 20 gols. Exceto a semi e a final, as demais vitórias foram feitas com goleadas. Outra estatística impressionante foi o fato de a Seleção Brasileira não ter sofrido gols ao longo da competição.

Antônia tem participação nesse recorde defensivo. A camisa 13 brasileira ficou de fora apenas nos amistosos preparatórios por causa da infecção por Covid-19. Voltou ao time titular diante do Uruguai, na 2ª rodada da fase de grupos, e só ficou no banco na última rodada da primeira fase quando a Pia deu chances para quem ficou na reserva.

“É um trabalho, que vem sendo feito há muito tempo principalmente na parte defensiva. É algo que a Pia sempre conversou com a gente, que queria uma defesa sólida. Porque isso nos dá confiança de irmos para o ataque. Nós provamos que essa marca foi bem feita. Graças a Deus saímos sem gol e é muito importante para a sequência do trabalho”, admitiu.

O octacampeonato do Brasil na Copa América permitiu a presença da Antônia na equipe do torneio, ao lado das brasileiras Lorena, Rafaelle, Tamires e Debinha; das colombianas Montoya, Usme e Caicedo; da paraguaia Martínez, e da argentina Rodríguez.

A trajetória dessa conquista denotou a supremacia das brasileiras na América do Sul. Houve também a ênfase do novo ciclo devido às ausências das renomadas Marta, Cristiane, Formiga e Andressa Alves. Os grandes destaques foram Debinha, Bia Zaneratto, Tamires e Rafaelle. Pia aproveitou o torneio para dar espaço às promessas Gio e Kerolin.

Evolução da equipe

A sueca Pia Sundhage dedica a sua vida para o futebol desde 1978 e a outra marca que conseguiu na carreira foi a de ser a primeira técnica campeã na história da Copa América. Anteriormente, os homens dominaram o “hall” dos vencedores com Edil (1991), Ademar Fonseca (1995), José Duarte (1998), Paulo Gonçalves (2003), Carlos Borello (2003), Kleiton Lima (2010) e Vadão (2014 – 2018).

Mesmo com esse feito, e com os números da campanha, o título da Seleção Brasileira veio acompanhado de críticas por parte da imprensa esportiva. Para algumas analistas, as atuações do Brasil ficaram abaixo da expectativa, principalmente na final, quando o time optou por uma estratégia mais defensiva. Para Antônia, as opiniões são válidas, mas não refletem o que se viu em campo.

“Toda opinião é válida. Nós levamos como críticas construtivas. Eu acredito que independente de a gente ter sido campeã, não ter tomado nenhum gol e ter feito 20, não diz que está tudo perfeito. A Pia disse que saiu campeã, mas não satisfeita. A gente tem que buscar evoluir com certeza. Há muitas coisas que precisam ser melhoradas, nós vamos jogar competições com muito mais nível do que a Copa América. Vamos ter o Mundial, as Olimpíadas e sabemos que precisamos estar preparadas”, falou.

Disputa da Copa do Mundo e das Olimpíadas

O título confirmou o Brasil nas Olimpíadas de Paris 2024 e na Copa do Mundo de 2023, cujo campeonato será realizado de 20 de julho até 20 de agosto na Austrália e Nova Zelândia. Os grupos e jogos deste Mundial ainda serão definidos pela FIFA por meio de sorteio. Colômbia e Argentina também carimbaram os seus passaportes para a Copa. A busca pelos títulos inéditos anima Antônia.

“Eu acredito que o momento do Brasil é de reformulação, mas sem apagar a história dos ídolos. Acredito que daqui uns anos, agora no Mundial e Olimpíada, a gente já vai estar no topo, onde a gente merece. Trabalhar bastante para chegar nesse nível. Acredito que é notório [nossa melhora] nos amistosos contra as grandes seleções”, afirmou.

Carreira de Antônia

Natural da cidade de Riacho de Santana (RN) e com 28 anos de idade, Antônia deu os seus primeiros passos com a bola nos pés pelo Futsal e depois partiu para os gramados com início no Valinhos (SP), depois passou por Corinthians/Audax, Audax-SP, ABC-RN, Ponte Preta, Iranduba-AM, Madrid CFF, da Espanha, e em 2022 transferiu-se para o Levante.