Bronze em Tóquio, Luisa Stefani prepara retorno ambicioso após lesão em melhor momento

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 12.02.2020 - Retrato da tenista Luísa Stefani em São Paulo. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 12.02.2020 - Retrato da tenista Luísa Stefani em São Paulo. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - Luisa Stefani, 24, conta viver uma espécie de novo relacionamento com o tênis -e até consigo mesma- desde 10 de setembro do último ano.

Foi nessa data que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito. Ela deixou em uma cadeira de rodas a partida semifinal do US Open, na chave de duplas, naquele que era o melhor momento de sua carreira.

Medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, dois meses antes, ao lado de Laura Pigossi, a paulistana julgava ter chegado a hora dos grandes saltos. E, subitamente, voltou ao estágio de esperar silenciosamente.

Com a locomoção limitada na recuperação, passou a mergulhar nos vídeos das partidas. A ideia era estudar o esporte, conhecer com profundidade potenciais adversárias e analisar também possíveis parceiras para o lugar da canadense Gabriela Dabrowski, que a acompanhava no circuito e passou a jogar com a mexicana Giuliana Olmos.

"Assisti a muitos jogos: Australian Open, Miami, Indian Wells, Roland Garros, até mesmo os jogos de simples. Estudei o jogo, a parte técnica, com quem posso fazer dupla. São coisas mentais que me ajudaram a não ficar distante", disse à Folha de S.Paulo.

No período, ela também iniciou um acompanhamento com Carla di Perro, psicóloga do COB (Comitê Olímpico do Brasil). Trabalhou ainda, com o auxílio de fisioterapeutas e preparadores físicos, ajustes em pontos incômodos de desequilíbrio muscular.

"Consegui maneiras de passar o tempo parada para voltar ainda melhor. Acho que aproveitei o processo, essa é a questão. Trabalhei o que tinha perdido. Eu, por exemplo, só joguei nas duplas em um mesmo lado por muito tempo, praticamente não usava a esquerda. Então, havia um grande desequilíbrio, e corrigimos isso", explicou.

"A lesão muda toda a sua vida. Não é só focar na recuperação, e pronto. Você precisa se perguntar: como vai viver depois dela? O trabalho com a Carla me ajuda a botar isso para fora e também a me descobrir. Não gosto de me vitimizar e quero me permitir sentir os novos desafios agora. Volto sem pressa, mas aviso: estou com fome", acrescentou.

A fome se traduz em objetivos claros. A tenista quer alcançar projeção maior em torneios de simples e tem um plano audacioso: virar a número um do mundo nas duplas.

"Minha prioridade agora é ficar saudável novamente. Depois, será me estabelecer bem no ranking de duplas. A minha maior meta é ser número um, isso me dará maior liberdade para conciliar melhor o ranking de simples. Vou ter que me adaptar. Preciso pensar em Paris-2024."

Antes do baque nos Estados Unidos, Luisa já havia chegado ao top 10 do ranking de duplas da WTA (a associação das tenistas profissionais), o melhor resultado de uma atleta do país desde a criação da lista, em 1975.

Atualmente, ela é a 27ª colocada, uma posição atrás de Bia Haddad, com quem já atuou. Nas últimas duas semanas, Bia conquistou dois torneios WTA de simples, em Nottingham e Birmingham. Há a possibilidade, tratada como incerta, de uma nova parceria com a compatriota.

"Tenho conversado com algumas opções que me deixaram bem motivada, isso não será um problema. É mais a questão de testar. Eu e a Bia nos falamos, seria maravilhoso ter uma dupla totalmente brasileira. Deixo essa oportunidade aberta, apesar de vê-la mais focada em simples hoje", afirmou Luisa.

A tenista também investiu em trabalhos de quadra com o técnico Léo Azevedo, que retornou ao país no último ano após longo período trabalhando com o tênis de base da Espanha, dos Estados Unidos e da Inglaterra. Ele já treinou Thomaz Bellucci e Ricardo Mello.

"O Léo me fez ver muitos detalhes técnicos, uma visão mais de simples que ainda não tinha", contou.

Outras atividades corriqueiras, mas antes raras, como exercitar o talento musical, assistir a séries ou simplesmente estar mais perto de amigos e de familiares, suavizaram, segundo ela, o processo.

"O que mais aproveitei foram as amizades fora do esporte. Descobri que todos os meus hobbies estavam ligados a ele. Passei a tocar violão, a escutar música e a estar mais perto de minha mãe e dos meus avós. O circuito é muito acelerado", afirmou.

Luisa viveu um roteiro improvável para marcar o nome da história. Conquistou a vaga olímpica ao lado da parceira Laura Pigossi após longo período na lista de espera, às vésperas do evento.

Durante a viagem, escreveu em um caderno pensamentos frases que gostaria de transformar em realidade. A mais marcante: "Joga pelo amor, não pelo resultado".

"Foi fruto de uma reflexão profunda e 40 horas de viagem. Essa reflexão mudou muito a maneira de enxergar tudo, as perspectivas. Tenho certeza de que usarei isso quando voltar a competir também. Eu tenho objetivos, sonhos, mas isso é muito mais importante ainda."

Stefani crê que, em julho, terá uma noção mais precisa da data do seu retorno, programado inicialmente para agosto ou setembro. Na volta, pouco a pouco, ela aposta que poderá se tornar uma versão ainda melhor do que a vista em 2021.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos