Brent fecha abaixo de US$ 100/barril com alta do dólar e perspectiva de demanda fraca

Por Arathy Somasekhar

HOUSTON (Reuters) - O petróleo Brent caiu 7 dólares nesta terça-feira, fechando abaixo de 100 dólares o barril pela primeira vez em três meses, com o fortalecimento do dólar, as restrições da Covid-19 que prejudicam a demanda no principal importador de petróleo, a China, e os crescentes temores de uma desaceleração econômica global.

A queda acentuada seguiu-se a um mês de negociações voláteis em que os investidores venderam posições de petróleo por temores de que aumentos agressivos das taxas de juros para conter a inflação estimularão uma desaceleração econômica, que, por sua vez, puxará o tapete da demanda por petróleo.

Os futuros de petróleo Brent fecharam em queda de 7,61 dólares, ou 7,1%, a 99,49 dólares por barril, o menor patamar desde 11 de abril.

"Acho bastante crítico apenas do ponto de vista psicológico, que mantenhamos 95 dólares o barril", disse Rebecca Babin, trader sênior de energia da CIBC Private Wealth US.

Os preços do petróleo estão enfrentando extrema pressão "à medida que uma postura defensiva continua com o sentimento do consumidor ainda em um modo deprimido, juntamente com o ressurgimento da Covid na China", disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de negociação da BOK Financial.

Um dólar recorde está provocando mais liquidações de vendas, acrescentou Kissler. O petróleo geralmente é cotado em dólares americanos, portanto, um dólar mais forte torna a commodity mais cara para os detentores de outras moedas.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) prevê que a demanda mundial por petróleo aumentará 2,7 milhões de barris por dia (bpd) em 2023, um pouco mais lenta do que em 2022.

A capacidade ociosa dentro da Opep está, no entanto, baixa, com a maioria dos produtores bombeando na capacidade máxima.

A Administração de Informações de Energia dos EUA prevê um aumento na produção de petróleo bruto e na demanda de petróleo dos EUA em 2022.

(Reportagem adicional de Ahmad Ghaddar em Londres, Florence Tan em Cingapura e Emily Chow em Kuala Lumpur)