Boris Johnson deve renunciar ao cargo de primeiro-ministro nesta quinta-feira

Boris Johnson vem sendo confrontado desde o final de 2021 com o escândalo conhecido como
Boris Johnson vem sendo confrontado desde o final de 2021 com o escândalo conhecido como "partygate", marcado pela realização de festas na sede do governo durante os períodos de quarentena contra a Covid-19 - Foto: Leon Neal/PA Images via Getty Images

A imprensa britânica afirma que o primeiro-ministro Boris Johnson renunciará ao cargo. Uma série de meios de comunicação afirmam que ele entregará o posto nesta quinta-feira. A Sky, a BBC e o The Guardian informam que Johnson concordou em renunciar, o que dará fim a uma crise sem precedentes, marcada por escândalos e acusações de que o primeiro-ministro não tenha mais capacidade de gerir o país.

"Boris Johnson renunciará hoje como líder do Partido Conservador", postou Chris Mason, editor político da BBC, no Twitter. Um porta-voz do primeiro-ministro informou que ele fará uma declaração à nação nesta quinta.

Desde terça-feira, uma onda de renúncias tomou o governo do Reino Unido, com mais de 40 demissões de ministros e secretários, forçando Johnson a ver seu poder por um fio em meio à crescente pressão para deixar o cargo. Mas a decisão de destituir nesta quarta-feira o ministro da Habitação, Michael Gove – seu braço direito na campanha de 2016 pelo Brexit –, mostrava que o líder conservador não pretendia cair sem lutar.

A série de renúncias teve como ponto de partida um escândalo sexual envolvendo Chris Pincher, então deputy chief whip do Partido Conservador no Parlamento: ele foi acusado de apalpar dois homens em um clube privado em Londres. Essa acusação causou novos problemas para Johnson. O deputy chief whip é quem garante que parlamentares do partido votem conforme a orientação das lideranças da bancada

Pincher renunciou imediatamente. Ele havia sido nomeado por Johnson para o cargo em fevereiro passado. Depois da primeira acusação, a mídia britânica levantou outros seis casos sobre conduta sexual inapropriada envolvendo Pincher. Ele foi suspenso do Partido Conservador e pediu desculpas, garantindo que procura ajuda. Em julho, o governo afirmou Johnson não sabia de alegações contra Pincher antes de sua nomeação.

Pressão

Boris sobreviveu a um voto de desconfiança no Partido Conservador no começo de junho, conquistando 59% dos votos a seu favor. De acordo com as regras partidárias, quando sobrevivem a uma dessas votações, os líderes do partido não podem ter o cargo posto à prova de novo durante um ano.

Muitos conservadores pediram a mudança das normas internas do partido para acabar com essa imunidade. Uma reunião do grupo que decide as regras, chamado de Comissão 1922, estava marcada para as 13h de Brasília, mas foi adiada porque, segundo a imprensa britânica, alguns de seus membros consideravam a queda de Boris inevitável.

'Partygate'

O premier britânico é confrontado desde o final de 2021 com o escândalo conhecido como "partygate", marcado pela realização de festas na sede do governo durante os períodos de quarentena contra a Covid-19.

É também acusado de adotar posição leniente diante de denúncias de má conduta de aliados, como Chris Pincher, que nomeou como vice-chefe do governo no Parlamento. Além disso, o Reino Unido passa por um momento econômico difícil, com queda do PIB por dois trimestres neste ano, inflação alta e greves.

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