Bolsonaro diz que Sachsida tem porteira fechada e que define futuro do PPI

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 25.05.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante anúncio de novas medidas do programa Crédito Brasil Empreendedor, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 25.05.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante anúncio de novas medidas do programa Crédito Brasil Empreendedor, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quinta-feira (26) que entregou o Ministério de Minas e Energia ao novo titular, Adolfo Sachsida, de "porteira fechada", e que caberá a ele definir eventuais mudanças na política de preços da Petrobras (PPI, Preço de Paridade de Importação).

"Porteira fechada" é um jargão utilizado em Brasília quando a autoridade tem plena autonomia para definir todos os cargos da pasta ou do órgão.

"O ministro de Minas e Energia pediu pra sair, coloquei o Sachsida lá, e é do meu feitio dar porteira fechada. Não vou ligar pra alguém vinculado ou abaixo da escala hierárquica do ministério pra pedir informações. Sachsida, [tem] carta branca", disse Bolsonaro a jornalistas.

Uma semana depois da entrada de Sachsida na pasta, o presidente mudou o comando da Petrobras, indicando o secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital no Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade.

Embora indicado, Andrade só deve assumir o posto em cerca de 60 dias.

A coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, mostrou que a estimativa de integrantes do conselho é de que a estatal pode gastar pelo menos R$ 1 milhão para eleger novo indicado.

O chefe do Executivo disse que a demora é a comprovação de que nem ele, nem Sachsida mandam na Petrobras. Comparou ainda à troca no comando da estatal, que é a quarta desde que assumiu o Planalto, com a sua posse.

"Mesma coisa de quando eu assumi o governo. Não trocar ninguém e ficar com ministro do Temer, não tem cabimento isso", disse. Novas mudanças nas diretorias da estatal são esperadas por integrantes do governo.

O aumento desenfreado no preço dos combustíveis, motivado em grande parte pela guerra na Ucrânia, tem sido uma das principais preocupações no Palácio do Planalto.

Desde o início do ano, a estatal entrou especialmente na mira de Bolsonaro, que chegou a chamar de "estupro" o lucro de R$ 44 bilhões da estatal.

Questionado se haverá mudança no PPI, disse deixar para Sachsida definir, mas que pediu maiores informações sobre a precificação da estatal.

"Mandei levantar o que era PPI de verdade. Sou acionista, quem mais tem ações na Petrobras sou eu. Queria saber se as refinarias estavam trabalhando com capacidade máxima e não tinha essa informação", afirmou.

A União é a acionista majoritária da Petrobras.

Bolsonaro nega que as trocas sejam uma interferência na estatal, como interpretaram o mercado e empresários do setor.

"Não vou interferir na Petrobras, porque o PT já fez no passado. Além da roubalheira na Petrobras, [teve] interferência nos combustíveis. A Petrobras se endividou em R$ 900 bilhões de reais, 60 vezes a transposição do rio São Francisco. A gente não vai incorrer no mesmo erro".

Como a Folha de S.Paulo mostrou, o governo federal estuda formas de evitar novos reajustes nos preços da Petrobras neste ano em que Bolsonaro disputa reeleição.

Uma das medidas em estudo estabeleceria faixas para o preço internacional do petróleo -e, caso o preço do barril varie dentro dos valores delimitados, a empresa não poderia fazer reajustes.

Outra ideia citada é de um intervalo mínimo de cem dias para os reajustes -o que teria evitado parte dos últimos aumentos anunciados pela empresa. Essa mudança é debatida internamente desde a gestão de Roberto Castello Branco (primeiro presidente da Petrobras no governo Bolsonaro), mas nunca foi implementada.

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