Tostão critica ufanismo de Galvão e Casagrande em jogo do Brasil e diz que mudou de canal

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Reprodução: TV Globo

"Mesmo quando a Argentina era superior, no primeiro tempo, Casagrande dizia que o jogo estava igual. No segundo, ele e Galvão Bueno fizeram grandes elogios ao destemperado Dunga e a Kaká, como se este ainda fosse uma estrela do futebol mundial. Agora, todos queriam a presença de Kaká e Robinho na Copa deste ano. Já começaram as opiniões tendenciosas, por ufanismo e para aumentar a audiência. Mudei de canal", escreveu Tostão na ótima coluna "Já começou a euforia", publicada pelos jornais "O Tempo" e "Folha de S.Paulo" neste domingo.

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De fato, como critica o ex-jogador e para o blog um dos melhores colunistas esportivos de jornal impresso, foi deprimente ver a tentativa do narrador e do ex-jogador comentarista da Globo em supervalorizar coisas que lhe conviessem na transmissão de sábado pela manhã, no horário brasileiro, e minimizar os problemas de um Brasil que ganhou com uma postura muito similar à da primeira passagem de Dunga como técnico: time comodamente postado atrás, deixando o adversário ser o protagonista do jogo, à espera de brechas para contra-atacar e poder achar gols em bolas aéreas.

Diferentemente do que Galvão e Casão “transmitiram”, o jogo não estava igual no primeiro tempo. Além de ter a posse da bola, a Argentina criava chances e mais chances. Teve até pênalti claro não marcado. Depois, a Seleção Brasileira achou o gol a partir de um “Muricybol” na área argentina, que falhou e viu Diego Tardelli concluir com muita felicidade para as redes. Nada de jogada trabalhada. Um corte simples de cabeça da defesa e aquilo morreria. Mesmo o segundo gol brasileiro, também após bola levantada na área em um escanteio, foi muito mais por deficiência da zaga argentina em medíocre atuação.

Verdade que no segundo tempo o Brasil cresceu, chegou a empilhar chances de gol perdidas, mas há que se ter um mínimo de senso crítico e olhar menos para o placar neste estágio do trabalho da Seleção.

Será que já se esqueceram da primeira “era Dunga" e do que se fez na gestão Felipão, ambas encerradas com fracassos na Copa do Mundo, que é onde uma seleção se depara com os grandes desafios, diante de times mais qualificados e que portanto exigem mais protagonismo e menos estratégia tacanha e paupérrima de jogar comodamente à espera de sobras, via contragolpes e bola aérea?

Como escreveu o grande Tostão na mesma feliz coluna: “o futebol brasileiro costuma ser tudo ou nada. Euforia ou depressão. Quando ganha, é sempre ótimo e, quando perde, é sempre péssimo. As opiniões são também, com frequência, passionais e antagônicas.”

Tostão pôde mudar de canal. Sorte dele. O blog, lamentavelmente, não, restrito que esteve excepcionalmente neste sábado à TV aberta. Nada a fazer. Sorte de quem tinha um aparelho com acesso à TV por assinatura (o Sportv também exibiu o chamado “Superclássico das Américas”) para fugir da “lavagem cerebral” de Galvão e sua turma.

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"Ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é muito melhor", exclamou o narrador ao final da partida. Pois o blog acha muito melhor encontrar um time verdadeiramente consistente e que proponha jogo, na maior parte do tempo, que imponha o seu estilo em vez de contentar-se apenas com o erro do adversário, uma lição que já deveria ter sido aprendida nas duas últimas Copas.

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