Flávio Canto: "Minha preocupação é como ficará o esporte paralímpico depois da Rio 2016"

TV Esporte Blog

De medalhista a comentarista especializado em esportes olímpicos, Flávio Canto conquistou seu espaço na TV Globo e, há alguns anos, comanda programas esportivos - em horários ingratos, é verdade - mas com a mesma empolgação dos tempos de tatame.

Atualmente, Canto toca uma série de reportagens especiais para o Esporte Espetacular, programa especializado das manhãs dominicais da emissora: Eficientes, que conta a história de três grandes atletas paralímpicos nacionais. E durante os jogos olímpicos do Rio, estará com Carol Barcellos à frente do “Balada Olímpica” - além de, claro, comentar o judô.

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O TV Esporte Blog conversou com ele.

Você acredita que os esportes paralímpicos só ganham notoriedade e atenção da mídia e de patrocinadores em tempos de olimpíada? Por que isso acontece?

Sem dúvida, os esportes paralímpicos neste período de competição ganham notoriedade e atenção da mídia. Nesta edição especialmente, desde que o Brasil ganhou o direito de ser sede, existe um interesse maior no assunto, um apoio mais consistente para os atletas através da iniciativa privada e do fomento público. A minha preocupação é como ficará o esporte paralímpico depois da Rio 2016, porque para este ciclo eles tiveram muito apoio, como nunca aconteceu.

Você já estava familiarizado com o ambiente destes atletas especiais? O que mais surpreendeu você durante as gravações?

Comecei a acompanhar mais em 2004, que foi no ano que eu medalhei. Foi legal, o SPORTV transmitiu. Já acompanhava bastante, tinha uma relação estreita e volta e meia eles treinavam com a gente. Em 2012, em Londres, fiquei encantado com a preparação da cidade para atender a Paralimpíada. Fui até Stoke Mandeville, cidade onde começou o movimento Paralímpico, logo após a Segunda Guerra Mundial. O neurologista alemão de origem judia Ludwing Guttmann foi pra essa cidade fugindo da Alemanha Nazista. Começou a tratar os feridos da guerra, muitos amputados com lesões neurológicas e percebeu que o esporte ajudava a combater a depressão. Promoveram provas e competições para disseminar o esporte. Voltei pro Brasil e fiz o Boletim Paralímpico com o Fernando Fernandes, que agora é nosso comentarista. Há um ano, pintou o convite para ser o embaixador do Comitê Paralímpico e fiquei muito feliz. A série Eficientes acabou sendo mais uma ação nesta direção. Muito legal para dar notoriedade e pras pessoas conhecerem esses atletas. O nome da série já começa com uma quebra de paradigma, o esporte promove o tempo todo. Eles mostram toda a sua eficiência dentro de qualquer limitação. Eles são a essência em pessoa.

Estes são os atletas mais notáveis da nossa delegação este ano ou teríamos muito mais gente para emplacar as histórias, caso houvesse a possibilidade?

O Daniel, a Terezinha e o Alan são atletas consagrados e já fizeram história. O próprio Tenório é um que tem quatro medalhas olímpicas. Não faltam bons exemplos, em termos comparativos.

Como será sua rotina durante os jogos, já que fará também um programa tardio sobre o dia olímpico, creio que ao vivo?

A minha rotina será como comentarista do judô nos sete primeiros dias e durante todos os dias faço o programa ao vivo “Balada Olímpica’ com a Carol Barcellos depois do ‘Jornal da Globo’. O programa pretende ser bem fora da caixa, um mix esportivo com entretenimento. Não só informação, mas teremos surpresas, participações especiais de artistas, celebridades e humoristas, além de um DJ.

O ao vivo ainda é algo que te deixa tenso ou nervoso, ou já consegue tirar essa missão de letra?

No começo era um bicho papão. Tinha medo mesmo, mas hoje prefiro fazer ao vivo. Acho que o erro enriquece muito todos nós, não tem que ter medo de errar, faz parte. Ter oportunidade de errar no ao vivo te humaniza. Ainda mais com fatos muito quentes. Tem todo um tempero! A gente vai promover bastante pro pessoal de casa interagir.

Quais suas expectativas reais para o Brasil no judô nos jogos do Rio?

Minha expectativa é positiva. Que o Brasil tenha a melhor participação na sua história no judô nos Jogos Olímpicos. É o que deve acontecer, o que normalmente sempre acontece com os países sedes. A gente está vivendo um momento político complicado, vir uma Olimpíada agora, é bastante oportuno para elevar a autoestima do brasileiro. Ter referências que carreguem o espírito olímpico.

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