O fim de uma lenda chamada Lance Armstrong

Editor
Blog da Redação

A cena foi repetida por sete vezes. A principal prova de ciclismo terminou inúmeras vezes da mesma forma. Um homem que lutou contra todos seus problemas, venceu um câncer e levantava a bandeira que jamais usaria alguma substância ilícita para praticar o esporte que tanto amava praticar. Lance Armstrong tem uma das histórias mais incríveis de superação do mundo esportivo. Na verdade, tinha até a última terça feira (14). Quando abriu a ‘caixa de pandora’ para a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey sobre todo o esquema de doping e segundo fontes que viram a entrevista, afirmou que estava dopado.

Armstrong perdeu tudo que construiu. Seus títulos foram revogados, foi banido do esporte e tem de devolver todos os prêmios que ganhou. O dinheiro que o ciclista fez, não terá tanto problemas para pagar o que deve as federações e comitê olímpico. Porém, para entender tudo o que o americano fez, é preciso voltar ao início da sua história. Todos que acompanham minimamente ciclismo, sabem o quanto o doping assombra a categoria. Vários campeões já ficaram afastados por anos devido a substâncias proibidas.

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Quando Armstrong estava com 25 anos, no ano de 1996, descobriu ter câncer nos testículos. Beirou a morte. Voltou em grande estilo. De 1999 a 2005 conquistou o Tour de France. Nesta época, eu mal sabia quem era quem no ciclismo. Passei a acompanhar por causa da história de superação de um americano que tinha um inegável carisma e todo ano no mês de julho, estava em Paris, comemorando mais um título com uma taça de champagne. Quem não usou as pulseiras que viraram moda na década inicial do século XXI. Todos tinham o acessório que vinha com a inscrição ‘Livestrong’ (nome da fundação de Lance). Porém, desde que o mundo é mundo, boatos cercam pessoas de sucesso. Com Armstrong não era diferente. Vez ou outra, um companheiro que deixava a equipe, acusava o americano de se dopar para conquistar resultados. Logo, o ciclista apresentava exames e tudo voltava para debaixo do tapete.

Em 2004, a primeira bomba. Dois jornalista publicaram um livro contando os segredos de Armstrong. Ganharam um imenso processo do ciclista. Quem ousaria duvidar do herói da nação americana. Quem duvidaria da idoneidade de um mito esportivo mundial. Um ano depois. Outra explosão na carreira. Seis amostras de urinas colidas em 1999 mostravam o uso de eritropoietina (EPO), hormônio muito usado por ciclistas para melhorar o desempenho.

Por mais que ninguém acreditasse, era impossível ver tudo isto passar e não pensar: Armstrong realmente é um atleta limpo? Os anos passavam e ex-companheiros, jornalistas e até membros de outras equipes eram claros: ‘Lance usava EPO e outras substâncias ilícitas’. Porém, o multicampeão manteve mais sete anos da mentira. Em 2012, desistiu do seu processo contra a Agência Anti-Doping dos Estados Unidos (USADA, em inglês). A entidade definiu o sistema de melhora de desempenho do americano como um dos ‘mais sofisticados da história’. O ciclista havia passado por muitos exames e nunca eram detectadas alterações.

Foi a chave para o mito começar a se apagar. Lance Armstrong abria mão do seu processo contra a entidade e viu apenas uma alternativa para assumir seus erros. Ir na apresentadora Oprah Winfrey e falar: ‘Eu me dopei’, era a melhor opção para reverter os erros passados e tentar não perder dinheiro e sua dignidade. Porém, é tarde. Tanto este que vos escreve como outros milhares de fãs pelo mundo te deixarão, Lance. Sua história e o mito da superação foram para o lugar ao qual você escondeu todos os seus golpes: para debaixo do tapete.

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