Conheça a história dos dois jogadores negros mais revolucionários do futebol nordestino

bruno_formiga
Blog #oNordesteMerece

Este 20 de novembro (data da morte de Zumbi dos Palmares) é o Dia Nacional da Consciência Negra, que celebra a inserção do negro na sociedade brasileira. Aproveitando o mote, eis a história de dois jogadores que mudaram o futebol nordestino para sempre. E que abriram as portas do esporte mais popular do mundo.

Teófilo Batista de Carvalho, o Lacraia, foi um dos fundadores do Santa Cruz (nascido em 1914) e o primeiro negro a atuar no futebol pernambucano. Por causa dele o escudo do clube tem a cor preta. E muito por causa dele o time é historicamente ligado ao povo.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Essa ligação umbilical está no hino do Santa, como deixa claro este trecho: Esta multidão tamanha / Gente pobre que te aclama / Lembra o ouro que se apanha / Nos cascalhos e na lama / Esse ouro é sangue, é vida / É delírio, raça, e amor / A bandeira tão querida / A bandeira tricolor

Lacraia foi tão marcante no Santa Cruz que chegou a ser capitão e técnico do time ao mesmo tempo. Com ele no comando o Santa conquistou uma das maiores vitórias da sua história. Em 1917, a equipe chegou a estar perdendo por 5x1 e conseguiu, só no segundo tempo, virar para 7x5.

O outro personagem é Apolinário Santana, mais conhecido como Popó. Um meio-campista que rompeu as barreiras na Bahia e tornou-se o primeiro negro a atuar profissionalmente no estado. Mais que isso, Popó liderou o Ypiranga na lutra contra o racismo no futebol.

O meia-armador atuou em onze times da Bahia. E foi o grande jogador do estado entre as décadas de 1920 e 1930. Depois que morreu, em 1955, Popó acabou sendo homenageado por um time da Ladeira da Fonte das Pedras, próximo à Fonte Nova: o Popó Bahiano.

Em 2002, o ex-jogador também batizou o troféu de campeão baiano, denominado Apolinário Santana.

A importância de Popó é tamanha que ele acabou se transformando em um raríssimo exemplo de jogador homenageado com nome de rua, localizada no bairro do Engenho Velho da Federação, originado de um quilombo.

Leia também