Você sabe o que faz um piloto de testes da F1? Especialistas respondem

Rodrigo Serpellone
Mundo Motor

O tema de hoje no blog Mundo Motor é "pilotos de teste". Você sabe qual o motivo de uma equipe ter um ou mais desses profissionais? Você sabe realmente o que eles fazem? Pois trazemos os especialistas no assunto, que já tiveram experiências com isso, para responderem a essas perguntas com exclusividade ao Yahoo! Esporte Interativo.

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O primeiro é Ricardo Zonta, 37 anos, paranaense e ex-piloto titular da Fórmula 1, principalmente na BAR, onde conseguiu três pontos. Ele foi piloto de testes da McLaren em 97 e 98, da Jordan em 2001, da Toyota entre 2003 e 2006 e da Renault em 2007.

O segundo é Luiz Razia, 24 anos, baiano e quase piloto titular da Marussia em 2013. Ele foi piloto de testes da Virgin em 2010 e da Team Lotus, atual Caterham, em 2011.

Como percebemos, os pilotos são de gerações diferentes e, também por isso, têm opiniões e vivências distintas no meio da Fórmula 1. Vamos às perguntas:

Mundo Motor - O que faz um piloto de testes da Fórmula 1? Qual a utilidade dele para a equipe?

Ricardo Zonta - Na minha época era bem diferente. Hoje o piloto trabalha mais com o simulador e ajudando nos dados da equipe, buscando aprender mais sobre o carro. Quando eu fui piloto de testes, os pilotos participavam dos testes de sexta-feira e estavam prontos para assumir o comando do carro, caso fosse necessário. Trabalhávamos com a equipe visando desempenho e evolução dos carros. Treinávamos muito mais, o número de testes era livre, podia andar nas pistas. O piloto podia ser bem aproveitado para testar componentes, principalmente na parte da aerodinâmica.

Luiz Razia - Depende do que o piloto de testes é estipulado e de suas liberdades dentro da equipe. A melhor situação hoje em dia é para os pilotos que treinam nas sextas-feiras, o que dá sempre uma experiência a mais com o carro e a oportunidade de mostrar que você pode acertar um carro, passar informações detalhadas. Além disso, é muito importante o trabalho pós-GP, nos simuladores, para comparar o carro real com o simulado, o modelo dos pneus projetados, e tentar ao máximo melhorar o veículo dinâmico virtual mais possível com a realidade. Conta muitos pontos para o piloto.

MM - É essencial ter pelo menos um piloto de testes em uma equipe? Por que algumas equipes chegam a ter até três ou quatro pilotos de testes?

RZ - É essencial sim, mas hoje isso virou muito mercado. Os pilotos pagam para estar lá nessa posição, para tentar buscar uma chance na categoria. Antes éramos contratados em função de um histórico, de estar se destacando em categorias de acesso à F1.

LR - Aí é uma parte que vou ser sincero com você. O verdadeiro piloto de testes é aquele que anda no carro nas sextas-feiras e o que, por algum acaso o oficial não possa correr, ele sem sombra de dúvidas irá entrar no lugar. O resto é só para pagar contas, levam dinheiro e só.

MM - Um piloto de testes tem mais chances de se tornar titular na F1? Ou as equipes preferem contratar um piloto que esteja se destacando em outra equipe ou em outra categoria?

RZ - Isso depende muito do planejamento de cada equipe. A ideia seria essa: preparar o piloto de testes para ser titular. Mas muitas vezes a questão de verba, patrocinadores e chances de evolução na equipe influenciam para que outros pilotos também tenham essa chance.

LR - Se for feito da forma certa, é mais provável promover alguém que está em casa. Como Bianchi, Paul di Resta, Hulkenberg, Massa, Bottas, entre outros nomes que tiveram uma preparação direcionada e saudável.

MM - O piloto de testes se aproxima dos pilotos titulares ou eles quase não se vêem? Se sim, ele consegue aprender alguma coisa dos pilotos titulares?

RZ - A F1 é um meio muito profissional. A aproximação existe em função das reuniões, do trabalho realizado na sede da equipe. Todos estão muito focados durante os finais de semana da corrida.

LR - Sim, é um relacionamento próximo porém afastado, afinal os pilotos de testes que podem ser promovidos são uma ameaça para os oficiais. Por isso não existe uma harmonia muito boa entre o grupo de pilotos. Pelo menos nas minhas vezes nunca teve.

MM - Como é a relação com os engenheiros da equipe? O piloto de testes também tem um engenheiro próprio?

RZ - Os pilotos de testes não têm um engenheiro. O que acontecia antes é que tinha uma equipe de testes e a outra titular das corridas, que trocavam informações sobre as melhores opções e o que funcionava melhor.

LR - Não, o piloto de testes deve trabalhar com um grupo de engenheiros que já estão ali para outro piloto. Por isso é importante demonstrar sempre profissionalismo e garra, para os engenheiros também começarem a confiar no seu trabalho e passarem as boas novas para o resto da equipe.

MM - E os carros? Usam os mesmos que os pilotos titulares?

RZ - Antes sim, agora a maioria trabalha no simulador, faz os testes da pré-temporada dos novatos e alguns agendados durante a temporada, mas muito menos do que na época que eu estava na F1.

LR - Sim, sempre. Posso confessar que para os pilotos de testes os equipamentos usados, como freios, asas, entre outras partes do carro, são as mais antigas. Se caso danificar, a equipe não fica prejudicada no final de semana, o que acaba às vezes escondendo um pouco o potencial do piloto nos testes das sextas-feiras.

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