O que Ricardo Goulart diz sobre o Cruzeiro bicampeão

Blog do Savarese
Maurício Savarese
Maurício Savarese

Não espere entrar num bar de BH e ouvir cruzeirenses cantarolando o nome do craque do campeonato brasileiro. Também será difícil encontrar crianças gritando o nome dele a cada drible humilhante na pelada diária da escola. Ricardo Goulart é hoje o melhor jogador no país e merece a Seleção. Mas representa um estilo que está longe de fazer sonhar, embora preze pela habilidade mais que pela eficiência.

Esse é também o Cruzeiro bicampeão: não faz ninguém esquecer a equipe liderada por Alex em 2003, o mais apaixonante trator da era dos pontos corridos, mas fica bem longe dos vencedores pragmáticos — casos do Corinthians-2011 e do Fluminense-2012. Goulart e o time celeste são o que há de melhor no Brasil, ainda que nestes tempos de talento escasso eles não comovam os mais exigentes. 

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Goulart e o Cruzeiro têm talento suficiente para sobrarem em um Brasileirão cada vez mais medíocre e tedioso. Por isso, derramar-se em elogios ao meia de 23 anos e ao time mineiro para além deste ano é um risco, como foi no início deste ano: podemos ser desmentidos em breve se ambos fracassarem mais uma vez na Taça Libertadores. 

A artilharia de Goulart é um desses sinais de que o Cruzeiro não pode deitar em berço esplêndido somente por causa da equipe atual. Com 15 gols, ele pode ser o primeiro meia a figurar nesse grupo seleto. Em outras edições ele nem sequer poderia sonhar com esse status — o que diz muito sobre a concorrência. Na era dos pontos corridos, o goleador menos impressionante foi Souza (Goiás) em 2006, com 17.

Ninguém mereceria mais que o Cruzeiro e ninguém jogou mais no Brasileirão 2014 do que o polivalente Ricardo Goulart. Melhor que o título esteja com eles, mas ainda falta muito para que voltemos a sonhar com um futebol brasileiro no nível que nós merecemos.

Leia também