Dilma vetou desacalabro financeiro dos clubes por não ter opção

Maurício Savarese
Maurício Savarese

Vejo muitos colegas entusiasmados com a decisão da presidente Dilma Rousseff de vetar a possibilidade de nossos clubes refinanciarem suas dívidas com a União sem oferecer nenhuma contrapartida. Afinal, é vitória do Bom Senso Futebol Clube. É uma boa medida, mas acho improvável que se deva a alguma preocupação da mandatária com o esporte.

Se Dilma realmente se preocupasse com esporte, não daria à pasta um dos menores orçamentos da Esplanada: R$ 1,6 bilhão no ano passado. O atual ministro, o inacreditável George Hilton, admitiu que pouco sabe sobre o assunto e é o maior alvo de chacotas dos jornalistas em Brasília. Não é o nobre Bom Senso que vai mudar a presidente.

Na mesma segunda-feira do veto, Dilma empurrou uma série de medidas impopulares em outras áreas: aumentou impostos, proibiu correção na tabela do imposto de renda, fez o diabo. Como é que a presidente aprovaria para os clubes uma tolerância que ela e seu comissário do corte, o ministro Joaquim Levy, não darão aos outros?

Para evitar o refinanciamento das dívidas ao longo de 20 anos e sem que os clubes ofereçam alguma contrapartida, como a instituição de um teto de salários ou uma espécie de lei de responsabilidade, Dilma precisou vetar um artigo em uma medida provisória. MPs não ficam à disposição da presidente para sempre, por isso o timing foi inevitável.

Por isso, sugiro menos entusiasmo. É bom que o veto tenha vindo, mas o mérito da presidente nesse caso é puramente de respeito à inércia e a uma conjuntura política que lhe escapa.

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