Ganso: um passe basta

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Um passe basta para que se reacenda um dos debates preferenciais do futebol brasileiro, pau a pau com os erros de arbitragem e o possível novo affair de Neymar. Paulo Henrique Ganso ainda pode ser o gênio que um dia pensamos que seria? Um passe foi o suficiente para motivar esse texto sobre o tema.

O passe de Ganso para Luiz Fabiano, no primeiro tempo do clássico entre São Paulo e Corinthians no fim de semana, é o bastante para mostrar que ele tem qualidade. A bola sobrou de uma rebatida e o meia só precisou de um toque para encobrir a zaga corintiana e deixar o companheiro na cara do gol de Cássio.

Para Ganso, um passe basta, mas a frase tem duas interpretações. O passe basta: mostra um jogador com técnica e visão de jogo acima da média, um potencial que ainda pode ser explorado. Eis o problema. Porque a outra interpretação da frase é que, para Ganso, aquele passe é ação o bastante em uma partida.

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(Foto: Marcello Zambrana/Agif/Gazeta Press)

“Corri o campo todo, fui competitivo”, disse o jogador, em exagerada avaliação sobre seu desempenho no Morumbi. Ganso não jogou mal, é verdade. Mas não finalizou a gol nenhuma vez, a não ser no gol anulado por impedimento no primeiro tempo. Cruzou para a área no lance que originaria o pênalti não marcado. Apareceu aqui e ali, mas ainda é muito pouco. Um passe só não basta.

Não para Ganso, que aparenta estar satisfeito com a atuação. Aos 25 anos, o jogador age como se fosse Ronaldinho Gaúcho aos 35, este sim, que pode se dar ao luxo de seguir jogando a base de um passe aqui, um gol acolá. Ganso pode ser muito mais, a assistência para Luiz Fabiano mostra isso, mas não parece ser seu interesse.

Na mesma entrevista em que disse ter sido competitivo, Ganso confirmou que houve uma proposta do Orlando City, mas que “infelizmente” o São Paulo não aceitou. “Em termos financeiros, seria uma boa pra mim”.

Ganso tem todo o direito de fazer o que bem entender da carreira e achar uma boa se transferir, aos 25 anos, para o futebol dos Estados Unidos, onde talvez seus passes – tão geniais quanto esporádicos – sejam o bastante. Nós, para quem um passe como aquele de domingo basta para acharmos que Ganso pode muito mais, temos o direito de lamentar.

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