Devotos de São Victor preparam segunda procissão

Não há conquista Libertadores que não seja composta de um feito épico, grandes heróis, um par de milagres e pelo menos um Dia D. Se não há algo concreto, se inventa. As torcidas precisam e gostam de símbolos, de marcos históricos, lugares santos e imagens sacras para relembrar os grandes feitos.

Não há torcida que não defina alguns marcos para tentar explicar que foi ali, precisamente ali, que seu time foi campeão da Libertadores.

A noite de 30 de maio de 2013 representa tudo isso para a torcida do Atlético Mineiro. Foi nesta noite, no santuário do Horto, que os atleticanos tiveram seu ponto de virada, aquele momento em que se teve certeza de que ninguém mais lhes tiraria a Libertadores. E foi ali que se deu o milagre do goleiro Victor, canonizado São Victor do Horto de forma sumária e popular, imediatamente após o apito final.

“Ali a nossa trajetória mudou, saímos do mundo paralelo e voltamos para a disputa de títulos. A perna esquerda do Santo chutou para o espaço um azar que vinha nos acompanhando há anos”, diz o advogado Angelo Santos, atleticano e devoto de São Victor, sobre a noite em que o goleiro atleticano defendeu com o pé, no último lance da partida, a cobrança de pênalti do Tijuana que determinaria a eliminação do Atlético nas quartas de final da Libertadores de 2013.

Em 2014, um ano após a noite mágica do Horto, Angelo chamou alguns amigos para beber em homenagem a Victor. Sempre existe desculpa para uma cerveja. “Não podíamos passar sem sequer tomar uma cerveja em homenagem, nós que tanto sofremos de alegria e tristeza com o Galo”, conta Angelo.

Com ajuda de amigos, como o cartunista André Fidusi, o evento ganhou corpo pelas redes sociais e, em sua primeira edição, juntou algumas dezenas de pessoas em um bar na região do estádio Independência. Agora, os devotos de São Victor do Horto preparam a segunda procissão em sua homenagem.

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(Convite para a segunda edição da procissão. Arte de André Fidusi)

Vai ser no próximo dia 30 de maio, um sábado. Bom dia para beber. Os atleticanos vão se encontrar em frente ao Independência e sairão em procissão ao redor do estádio, até chegar ao bar para o devido ofertório.
O evento foi criado no Facebook nesta segunda-feira e já conta com 176 pessoas confirmadas, o que gera expectativa quanto ao aumento no número de devotos dispostos a celebrar.

Angelo deixa claro que o evento é apenas uma confraternização de atleticanos, sem organização formal, sem fins lucrativos e sem a participação institucional do clube. Os participantes pedem que não sejam feitas menções ao rival Cruzeiro ou a outros clubes: a ideia é que um encontro seja uma celebração entre amigos torcedores do Galo que têm o 30 de maio como um dia santo e guardem na carteira uma imagem de Victor com a perna esquerda estendida, chutando para longe os tenebrosos anos sem Libertadores.

É claro que essa festa só faz sentido para os atleticanos. Mas quem não comunga dessa religião sabe entender perfeitamente: celebrar seus ídolos e suas conquistas é um direito alienável do torcedor – e seria bom se as torcidas se concentrassem em ter mais momentos de festa e celebração.

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