Rafael Santos

Tão longe, tão perto…

Futebol Cinco Estrelas

Um clube tem um processo cada vez mais democrático. O outro é presidido pelo mesmo dirigente desde 2006. Um tem uma das arenas mais modernas e bem localizadas da cidade em vias de ficar pronta. Outro conta com um estádio com muitas deficiências de acessibilidade e que ficou de fora da Copa do Mundo de 2014. Um clube acabou de conquistar mais um título nacional. O outro amarga o maior jejum de títulos entre os grandes paulistas.

Escrevo sobre o Palmeiras e o São Paulo. Os fatos que citei dão exata noção de que não existem verdades absolutas no futebol. Ao menos no que diz respeito ao imediatismo dos resultados e do estado de espírito do torcedor.

O que separa atualmente o Palmeiras do Tricolor é muito mais do que um simples muro entre os centros de treinamentos das duas equipes. Passada mais uma rodada do Campeonato Brasileiro, o humor de duas das maiores torcidas paulistas é oposto.

O São Paulo entrou de vez no G4 ao bater o Figueirense por 2 a 0 no Morumbi. O clube acumula 52 pontos e finalmente se aproxima da sonhada vaga na Libertadores da América.

O Palmeiras já está garantido na Libertadores 2013. No entanto, seu torcedor sofre com os rumos do time. O Verdão foi derrotado pelo Náutico por 1 a 0. Segundo matemáticos, o clube tem 93% de chance de ser rebaixado pela segunda vez nos últimos dez anos. Em suma: uma vergonha.

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A situação do Palmeiras piora, enquanto a do São Paulo só melhora

O clima no clube é tão ruim que beira o terrorismo. Com conselheiros trocando cadeiradas e torcidas organizadas prometendo punir os 'culpados' pelo provável descenso. Entre os muitos (muitos mesmo) erros cometidos pela direção do alviverde paulista o pior é pensar pequeno. Falta de ambição é o maior pecado dessa gestão.

Ancorado na política do 'bom e barato', o clube contratou jogadores muito aquém do time apelidado de 'academia de futebol'. Não estou pregando o total descontrole financeiro e nem que o clube deveria fazer loucuras para trazer grandes atletas. No entanto, antes o Palmeiras caísse por um plano ambicioso fracassado do que por um projeto medíocre marcado por negociações estranhas e desperdício de dinheiro.

Veja bem. Creio que muitos dos atletas do atual elenco não têm condição técnica de defender a camisa do Verdão. Alguns têm sim muita competência. Só um louco duvidaria do futebol de atletas como Marcos Assunção, Barcos e até mesmo Valdivia —quando não está machucado. O problema não é só esse time do Palmeiras. Antes fosse. A principal chaga do clube é estrutural e atinge a instituição como um todo.

O Palmeiras caminha para ser rebaixado por culpa de todos os envolvidos. Seja a diretoria que contratou mal e fez uma série de negociações bizarras ou a oposição que muitas vezes age em busca puramente de poder. Ou mesmo os jogadores que se acomodaram após o título da Copa do Brasil —quem viu a fase final desse torneio sabem que o time poderia render mais.

A comissão técnica anterior e a atual e a torcida do clube também são culpadas. Isso mesmo. Parte da massa alviverde é culpada por sua cegueira coletiva. Muita gente que frequenta as arquibancadas do Verdão criou o hábito de terceirizar os problemas do clube e culpar a imprensa. Como se jornalista negociasse atleta ou entrasse em campo. Enfim, essa mania de perseguição tão comum ao fracasso contaminou toda a instituição. Ao Palmeiras nunca coube o papel de injustiçado, perseguido... O clube nasceu para vencer. Para ser protagonista.

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