Futebol Cinco Estrelas

  • Sobre homens e ilhas

    Tomar decisões que mais ninguém pode tomar. Provocar sentimentos negativos em adversários e, em alguns momentos, até nos próprios companheiros. Viver com o peso da derrota e lutar contra a arrogância nos momentos de glória.

    Não é fácil liderar. Costuma-se dizer que o líder é um solitário. Esse é o chavão clássico. No entanto é difícil acreditar no senso comum quando se escreve sobre alguém como Rogério Ceni. Ídolo máximo do São Paulo, o goleiro pode se gabar de ter uma aprovação perante ao seu público muito maior que qualquer liderança política.

    Difícil (quase impossível) encontrar um torcedor do Tricolor que não seja um fã de Rogério Ceni. Nunca a sua liderança no São Paulo foi tão evidente como é hoje em sua aposentadoria. Fruto de mais de 20 anos de trabalho e dedicação ao mesmo clube.

    Rogério Ceni é obstinado e trabalhador. Essas são as palavras que melhor definem seu modo de encarar a missão de proteger o gol do São Paulo. Por esse traço de personalidade ele tem números tão

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  • O Corinthians é o campeão brasileiro de 2015. Título conquistado de forma indelével por uma equipe que perdeu apenas quatro vezes no torneio até se sagrar matematicamente dona do caneco. Supremacia conquistada dentro de campo seja em momentos pragmáticos ou nos mais brilhantes de sua campanha.  Para chegar ao hexa, o Timão superou dificuldades que em outros tempos colocariam tudo a perder no ano alvinegro.

    A temporada começou com o time desfilando um futebol empolgante que encheu os olhos de comentaristas e torcedores. Tanto que se chegou a imaginar um cenário em que o time da zona leste da capital paulista teria chance de fazer uma bela campanha na Liga dos Campeões da Europa. Tudo parecia perfeito até a eliminação para o Palmeiras em casa no Paulistão. Foi o primeiro e duro golpe da temporada corintiana. O pior, no entanto, ainda estava por vir.  A equipe do técnico Tite foi eliminada pelo modesto Guaraní do Paraguai após fazer uma das melhores campanhas da primeira fase da

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  • “Quando estava indo para o ônibus, um infeliz veio me xingar, disse que minha vida em Goiânia havia acabado, que não era para eu sair na rua e nem a minha mulher, que estuprariam e bateriam nela grávida. Nenhum ser humano consegue ouvir isso, é um bandido quem fala isso”, afirmou Zé Love, do Goiás, ao Portal 730.

    A absurda ameaça a mulher de Zé Love aconteceu após a derrota do Esmeraldino para o Cruzeiro no Serra Dourada. O Goiás ocupa atualmente a 18ª colocação da tabela e luta para não cair no Brasileirão.  Em uma temporada em que arbitragem foi o principal alvo de polêmica, essa é a verdadeira mancha do torneio.

    A violência de uma pequena parcela de ‘torcedores’ beira o inimaginável. Zé Love passou por uma experiência que ninguém deveria passar. Ter seu trabalho invadido e ter sua família ameaçada por desqualificados. Conviver com o medo. Quem irá contestar o atacante se decidir abandonar o clube de vez? Quem não cogitaria essa medida?

    Zé Love ainda revelou que vai tentar identificar o

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  • O ex-presidente do Atlético-MG foi eleito por unanimidade o CEO da Liga Sul-Minas-Rio e tem sido incensado por parte da imprensa como um dos candidatos a levar o combalido futebol brasileiro ao futuro. Sou reticente em relação ao que o cartola pode fazer pelo futebol brasileiro. Kali foi ótimo em sua passagem no comando do clube, mas sempre se mostrou folclórico demais em suas declarações.

    Claro que o estilo combativo do dirigente pode ser de grande valia no cabo de guerra que deve ser travado para que o novo torneio saia do papel, mas acredito que o descredito da CBF pese mais no apoio da opinião pública ao cartola do que a sua modernidade como gestor.

    Vale lembrar que o clube que foi presidido por Kalil é o que mais deve ao Governo Federal entre todos os grandes times brasileiros. Veja aqui o ranking.  Claro que Kalil não é o nome responsável por toda a dívida do Galo. No entanto, sua gestão apresentou aumento de R$ 128 milhões corrigidos pela inflação de saldo devedor. Em

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  •  Quando a crise política no São Paulo parece ter rompido todos os limites do bom senso chega a informação que o presidente do clube, Carlos Miguel Aidar, e o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro,  protagonizaram cenas de ‘pugilato’. Vindo do clube que se notabilizou —com justiça— durante muitos anos como exemplo de gestão e profissionalismo, o caso é ainda mais absurdo.

    A informação da briga entre cartolas foi dada em primeira mão pela colunista da ‘Veja’, Lauro Jardim. ESPN e GloboEsporte.com confirmaram o acontecido e segundo informações do portal ‘Uol’, Ataíde ainda teria tentado esganar o atual mandatário do Tricolor e teve que ser contido. Aidar tentou desmentir a informação por meio de sua assessoria de imprensa e Ataíde Gil Guerreiro não se pronunciou sobre o caso.

    É muito difícil encobrir um escândalo como esse. A briga teria ocorrido na manhã desta segunda-feira um hotel de luxo na capital paulista. Além do destempero dos cartolas, o São Paulo ainda convive com a

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  • Na última semana a morte de Emanuel Ortega  foi relembrada pelo jornal argentino “La Nacion” . O jogador  atuava na quarta divisão do país e morreu em maio deste ano ao chocar a cabeça contra um muro na partida entre San Martín de Buraco e Juventud Unida. Ele ficou vários dias em coma e sua morte fez Associação de Futebol Argentino (AFA) suspender todas as partidas de todas as categorias por um fim de semana.  

    A morte de Martín fez com que a AFA prometesse que em todos os muros de todas divisões  seriam colocadas proteções para evitar novas mortes. Meses depois a própria AFA informou que apenas alguns clubes coloram as proteções e de lá para cá cinco atletas se chocaram contra os muros tendo variadas lesões nas divisões de acesso.

    Também na última semana ganhou força a criação da Champions League das Américas. Uma competição que iria ter os mesmos moldes da Liga dos Campeões da Europa e incluiria clubes do México e dos Estados Unidos. Os idealizadores do torneio prometem uma polpuda

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  • Parece bem óbvio o título deste texto. No entanto, por mais elementar que algumas coisas sejam, ainda há quem tenha um senso conveniente de realidade.  Esse é um dos modos de compreender as declarações destemperadas do agente de Neymar, Wagner Ribeiro.

    O empresário fez um desabafo em seu perfil do Instagram que beira o absurdo.  Entre outras coisas, Ribeiro aconselha o pai de Neymar a colocar todo o dinheiro da família em paraísos fiscais e acabar com essa ‘mania de pagar impostos no Brasil’.  Eis um trecho da carta aberta: “Conselho: Pega a sua grana, manda tudo para paraísos fiscais, legalmente é claro. Para com essa mania de pagar imposto no Brasil! Fecha as suas empresas, o Instituto na Praia Grande e vai curtir a vida nas praias do Mediterrâneo. Você e sua família”.

    A manifestação indignada de Ribeiro diz respeito ao bloqueio de R$ 188,8 milhões da família de Neymar que foi determinado pela Justiça Federal. Os auditores detectaram omissão de rendimento de trabalho, omissão de

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  • Cristina Falbo de Miranda e Henrique são góticos  e se casaram na Arena Corinthians. Foto: Estadão ConteúdoCristina Falbo de Miranda e Henrique são góticos e se casaram na Arena Corinthians. Foto: Estadão Conteúdo


    Neste sábado, 400 casais e nove mil convidados foram a Arena Corinthians para um casamento coletivo. Pessoas de todas as idades, credos e classes sociais no mesmo estádio para celebrar oficialmente a união de famílias. E família foi uma das palavras de ordem nesta semana quando uma comissão da Câmara dos Deputados aprovou o que batizaram de ‘Estatuto da Família’. Na prática, uma tentativa chula de criar um dogma para algo extremamente complexo como os laços afetivos que cultivamos ou que a vida nos oferece.

    Veja bem: para Eduardo Cunha e sua turma,  a definição de família deve ser usada apenas para nomear a união entre homem e mulher.  Uma representação tacanha em uma sociedade diversa como a nossa. Filhos de mães solteiras, crianças criadas pelos avós e casais homossexuais para essa gente não constituem ‘família’.

    Por que raios trato desse assunto em um espaço que deveria ser destinado ao futebol? Ora, porque esse quadro social com ares medievais infere diretamente no nosso jogo. De

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  • O São Paulo vive dias de vale tudo. De drama mexicano escancarado pelas câmeras de TV e trocas de acusações via imprensa. Não me recordo da política interna do clube tão exposta como nos últimos tempos. O último caso polêmico que envolve o Tricolor diz respeito a contratação do zagueiro Iago Maidana do Criciúma.

    A transação para lá de nebulosa não é fácil de explicar.  Basicamente o São Paulo contratou Iago Maidana que pertencia ao Criciúma. O clube catarinense por sua vez liberou o atleta por R$ 800 mil para um fundo de investimento chamado ‘Itaquerão Soccer’ —Não é piada. A empresa que comprou o jogador registrou o atleta no Monte Cristo (terceira divisão goiana) antes de vender 60% do jogador ao São Paulo por R$ 2 milhões.  Além da operação ser das mais estranhas e lucrativas,  o regulamento nacional de registro e transferência dos atletas de futebol veta a prática.

    “Nenhum clube ou jogador poderá celebrar um contrato com um terceiro por meio do qual este terceiro obtenha o direito

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  • Cristóvão Borges não é mais técnico do Flamengo. Além da pressão normal de treinar um grande time ele teve que conviver com ofensas racistas de uma pequena, mas barulhenta parte dos torcedores do clube.  Além de deixar o Flamengo fora da zona de rebaixamento do Brasileirão —era o o 17º colocado quando ele assumiu— o treinador deu uma importante contribuição ao futebol brasileiro ao não se calar diante do racismo velado ou escancarado que o perseguiu em seu trabalho no comando do time.

    Em entrevista ao canal ESPN Brasil, Cristóvão foi bem claro ao abordar o tema. "A tolerância comigo é diferente, sempre foi. Agora, isso não é uma coisa que me afete a ponto de atrapalhar meu trabalho. Isso não, porque eu me preparei para estar nessa situação. Só que, quando passa do ponto, quando me atinge como pessoa, como cidadão, aí sim eu vou procurar meus direitos para me fazer ser respeitado", refletiu.

    Cristóvão tem razão em muitos aspectos. Técnicos negros têm historicamente pouco espaço no

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