Futebol Cinco Estrelas

  • Sob nova direção

    "Que brilhe o sol! Que brilhe muito para que eu possa admirar a minha sombra por onde eu passar!", Shakespeare, "Ricardo III".

    A frase do bardo inglês resume a vaidade que inunda os espíritos dos homens com sede de poder. Nesta quinta-feira, o advogado paulistano Marco Polo Del Nero assume o comando da CBF.

    O impacto de sua gestão no futebol brasileiro deve ser nulo. Nada deve ser mudado. Del Nero é o reflexo puro e simples da continuidade. A grosso modo sua ascensão ao poder pode ser resumida como o “Reinado de Ricardo II” no futebol brasileiro.

    O absolutismo de Ricardo Teixeira (o primeiro) e Marin (o segundo) deve ser repetido no ‘reinado’ de Del Nero. Seja por essa simples constatação ou por sua escalada ao poder a comparação com a personagem de Shakespeare é válida. De certo modo, Ricardo III diz muito sobre todos os homens de poder.

    Del Nero foi advogado do Palmeiras, presidente do Tribunal de Justiça Desportiva e da Federação Paulista de Futebol. Apesar de costurar habilmente seu

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  • Por ‘meros’ R$ 60 mil, a milionária Federação Paulista de futebol conseguiu bagunçar o Paulistão 2015. Esse é o valor pago pela Crefisa para estampar suas marcas nos uniformes dos árbitros na fase final do estadual.

    Ao aceitar o dinheiro do mesmo patrocinador do Palmeiras, a FPF colocou toda credibilidade do torneio em xeque. Por enquanto, a duas principais vítimas desse desmando são a comissão de arbitragem e o próprio Palmeiras.

    No fim da partida contra o Botafogo-SP vencida pelo alviverde paulista, o goleiro Fernando Prass esbravejou contra a imprensa. "Hoje foi complicado. Falaram tanto que a arbitragem ia beneficiar o Palmeiras, vê aí se beneficiou. Tem que ter mais responsabilidade, não pode sair falando assim", reclamou.

    Prass tem razão ao reclamar de alguns lances a favor do seu time erroneamente não assinalados pela arbitragem. Ele, no entanto, erra feio ao culpar a crônica esportiva por isso. O que foi questionado pela imprensa na última semana – de forma correta— é o claro

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  • Poucas figuras são tão vulneráveis como um fanático por um clube de futebol. Durante 90 minutos o torcedor é refém de sua paixão. Adultos respeitáveis deixam aflorar um lado infantil pouco mostrado no cotidiano.

    Digo isso porque tenho acompanhado com certo interesse a saída de Muricy Ramalho do São Paulo. Da cobrança da falta de resultados do Tricolor vi muita gente amenizar o discurso e já visualizar um possível retorno.

    Essa montanha russa de sentimentos da torcida deixou claro para mim que o técnico de futebol é das personagens mais kafkianas da nossa rotina. O treinador do nosso time encarna a figura paterna. Ele pode fazer algo que garanta o nosso bem-estar. Enfim, serei claro: torcedores de futebol são bebezões.

    Em se tratando de São Paulo, o trauma da saída de Muricy pode ser grande. Sobretudo pela bela história que ele construiu no Tricolor Paulista. Ele é dos técnicos mais aclamados da história do clube. A torcida grita seu nome. Sua figura se tornou camiseta e o lema “Aqui é

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  • Fred foi o craque do Fla-Flu

    Fred foi expulso injustamente ainda no primeiro tempo. Não marcou gol e seu time perdeu do arrumado Flamengo de Luxemburgo por 3 a 0. No entanto, o atacante do Flu foi o craque do jogo. Fora das quatro linhas é verdade. Um jogador com sua coragem se faz fundamental para o futebol brasileiro.

    Fred escancarou com todas as letras algo que só os mais alienados ainda não conseguiram entender: estão matando o Campeonato Carioca. Não só o campeonato, por sinal. Antes mesmo da bola rolar o protesto dos jogadores do Fla e do Flu tornaram o clássico digno de entrar na história do confronto.

    A lei da mordaça imposta pela Ferj a atletas e técnicos é das coisas mais vergonhosas da história recente de nosso futebol. Calam-se os protagonistas do espetáculo para proteger pequenos ditadores que arrotam arbitrariedades a torto e a direito.

    “As coisas obscuras, todo mundo está vendo. Vocês da imprensa têm que ajudar. Se jogador, Vanderlei (Luxemburgo, técnico do Fla), quem falar será punido. Nós temos

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  • O dilema chamado Valdivia

    Valdivia é um fenômeno. Não existe um dia em que o nome do atleta não apareça em alguma discussão na crônica esportiva paulista. É quase incompreensível que um atleta que convive regularmente com lesões e tenha seu comprometimento com o time tão questionado receba tanta atenção.  Assim como o famoso ‘chute no vácuo’ a resposta está no vento.

    Entre defensores e detratores, Valdivia deixou seu nome marcado no Palmeiras. E isso não é pouco. Seus defensores só enxergam sua categoria, visão de jogo privilegiada e irreverência. Seus críticos, por outro lado, enxergam apenas o lado prático de o manter no time. Valdivia é caro, convive com seguidas lesões e joga pouco.

    Tudo isso é verdade.  No entanto,  até os mais ferrenhos opositores do Mago reconhecem que ele é um camisa 10 acima da média no futebol brasileiro atual. Esse reconhecimento sempre vem acompanhado do famoso ‘quando joga’.

    A questão é que quando Valdivia, joga ele representa em campo um Palmeiras que não existe mais. Um Verdão

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  • Corinthians fez grande partida na goleada contra o Danubio em sua arena. Que bom seria escrever sobre as qualidades desse time que joga por música sob a batuta de Tite.

    No entanto, outro assunto é mais urgente que o belo futebol alvinegro. Sim. Isso mesmo. É preciso abordar `aquele assunto chato’.  O tal de racismo que tantos não suportam mais e que deveria mesmo é ser ignorado.

    Elias afirma ter sido chamado de macaco pelo zagueiro uruguaio Cristian González. Câmeras de TV flagraram as ofensas e especialistas em leitura labial deram seu parecer.  Apesar disso, o brasileiro preferiu não registrar um boletim de ocorrência contra o zagueiro uruguaio. Preferiu ficar focado no jogo e atuou muito bem. Isso foi um erro, na minha opinião, futebol é importante,  mas injúria racial é crime. E ele deve ser combatido.

    A decisão de Elias é aprovada por boa parte de nossa sociedade. Pelos `cansados’ de discutir o racimo. Os que contribuem para essa postura ser o senso comum por aqui.

    É fundamental,

    Saiba mais »de O racismo no futebol é uma obra coletiva
  • ‘Basta uma bola de meia e dois chinelos para fazer as vezes das traves’. Essa imagem democrática do futebol vez ou outra é decantada em verso e prosa por aí. Como esporte amador essa qualidade é inerente ao jogo de bola. No campo profissional, no entanto, o abuso de poder corre solto.

    Sempre costumo dizer que o futebol acompanha a realidade social. Em vista disso é possível afirmar que vivemos tempos sombrios. No Brasil e fora dele. O último caso de total absolutismo no futebol é a absurda ‘Leia da Modarça’ que impera no Campeonato Carioca.  Por ordem da Ferj, Vanderlei Luxemburgo está por hora suspenso por dois jogos.

    O grande pecado do treinador do Flamengo foi ter criticado a própria Ferj. Sua declaração foi exatamente essa: ‘dar porrada na Federação’.  Isso --segundo os mandatários do futebol carioca— é uma clara incitação a violência.  Quem sofreria a agressão?  O prédio da dita federação? Quem personaliza toda a entidade?

    A condenação de Luxa por si carece de sentido. Como também

    Saiba mais »de Futebol é campo fértil para o absolutismo
  •  ‘Com todo o respeito à Espanha, o futebol tem uma hierarquia, o Brasil é pentacampeão do mundo’, esbravejou o goleiro Júlio César após a vitória da Seleção diante da Espanha por 3 a 0 na final da Copa das Confederações em 2013, no Maracanã.

    Poucos meses antes deste ano o ‘Futebol 5 Estrelas’ foi descontinuado. Retomo o posto aqui no Yahoo Esportes em 2015 e de lá para cá muita coisa mudou. Julio César e o time de Felipão amargaram a pior derrota da história da Seleção em Copas do Mundo e o argumento da ‘hierarquia’ não é mais sequer mencionado pelas pessoas ligadas ao time da CBF.

    Fato é que o time de Dunga entra em campo cerado de desconfiança. Sob o comando do técnico em sua segunda passagem pela Seleção  foram até aqui oito jogos e oito vitórias. E a  Seleção derrotou adversários de alto nível como a França, Chile e Argentina.   O futebol do Brasil, no entanto, segue longe de encantar o torcedor.

    Dunga tem como desafio maior recuperar a credibilidade da Seleção no exterior e tudo

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  • Gênios envelhecem?

    Sou um grande fã de Maradona. Tanto que escrevi uma crônica no aniversário do Pibe de Oro no ano passado. Você pode ler aqui. Fui surpreendido ao ver o golaço do gênio argentino em uma pelada em Dubai nesta segunda-feira.

    Como é bom ver um craque que conheceu o inferno na terra como ele de bem com a vida. Jogando bola como um menino. Maradona deixou bem claro que não tem mais idade para jogar como profissional, mas o talento continua o mesmo. Veja o golaço da fera.

  • Kevin Beltran Espada morreu ao ser atingigo por um rojão durante o jogo entre San José e Corinthians. Foto: Reprodução - FacebookA tragédia de Oruro ganha novos desdobramentos. Autópsia feita no corpo do garoto boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada apontou que a morte foi causada pela “explosão de um artefato que não é vendido na Bolivia” conforme informações da polícia local.

    Segundo a perícia, sinalizadores apreendidos com dois dos 12 torcedores corintianos detidos na delegacia de Oruro coincidem com a cápsula encontrada no menino que teve seu olho direito e o crânio perfurado.

    A responsável pela investigação Abigail Saba confirmou que os12 corintianos serão indiciados por homicídio. Na Bolívia, o crime de homicídio pode resultar em uma pena de 5 a 20 anos de cadeia e o fato da vítima ser menor de idade é agravante. Os torcedores já foram transferidos para o centro de detenção provisória de Oruro. O governo brasileiro já enviou agentes até o local para se certificar de que não haverá nenhum tipo de abuso da polícia local.

    Galeria de fotos: A repercussão internacional da morte do torcedor boliviano
    Polícia:

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