Bullying e trote no vestiário do Miami Dolphins

End Zone

Miami conseguia uma improvável vitória sobre um rival do alto escalão da NFL. Triunfo para dar moral, interromper a sequência de quatro resultados negativos e fazer a equipe da Flórida, quem sabe até, sonhar em passos mais largos na sequência da temporada regular. Só que todo o bom momento e a vitória sobre o Cincinnati Bengals não serviram para nada depois que a ESPN norte-americana explicou por que o left tackle Jonathan Martin havia deixado o time no dia 27 de outubro, um dia antes do então Thursday Night Football.

Mas para começar, vamos desde o início: quem é o tal Jonathan Martin? Defensor do lado cego de Ryan Tannehill, Martin é um dos bloqueadores que compõe a linha ofensiva do Miami Dolphins. Chegou ao time em 2012, ao ser recrutado na segunda rodada do Draft e começava a construir aos poucos na Flórida uma boa carreira como jogador de futebol americano.

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Agora que já sabemos quem é Jonathan Martin, já dá para entender toda a polêmica que tomou o vestiário do Dolphins. Na quarta, dia 27, o jogador decidiu se afastar do elenco por um alegado desentendimento com outros jogadores do Dolphins. Sem mais explicações, Martin deu as costas ao time e ao treinador. Não deu detalhes e se disse apenas que o bloqueador estava emocionalmente abalado.

Só que a ESPN foi mais a fundo e descobriu que todo o problema teria sido catalisado por alguns problemas de Martin com o right guard Richie Incognito. Segundo os jornalistas Adam Schefter e Chris Mortenson apuraram, o veterano bloqueador cometia atos de assédio moral contra Martin, o que conhecemos por bullying, desde o ano em que o jovem left tackle era um calouro dentro da NFL.

Entre o que Incognito teria aprontado com Martin estão acusações de uma possível viagem para Las Vegas no valor de US$15 mil que o left tackle não iria e teria de pagar a Incognito, e uma mensagem de texto recebida por Martin com algumas ofensas racistas, além de implicâncias no vestiário.

E tudo logo tomou uma proporção muito grande. As intimidações e os trotes supostamente cometidos por Incognito estamparam capas de jornais, foram temas de debates e o jogo da bola oval ficou em segundo plano para discutir até que ponto as tais ‘brincadeiras’ com calouros são toleráveis.

Quem acompanha a carreira do right guard sabe que ele também não é flor que se cheire. Desde 2004, quando ainda era um universitário, Incognito teve problemas extracampo e foi suspenso dos jogos por Nebraska. Dentro da NFL, já se envolveu em confusão e bateu boca com o head coach do Rams em 2009. Três anos mais tarde, foi eleito em uma pesquisa com os próprios jogadores da Liga como o segundo atleta mais sujo da NFL, e na última pré-temporada, se envolveu em uma briga com Antonio Smith do Houston Texans.

Depois de noticiada toda a história que envolveu Incognito e Martin, o jogador logo foi suspenso por tempo indeterminado pelo Miami Dolphins. Se tudo que se disse dele for verdade, Miami está certo. O que Incognito fez ultrapassa até a fronteira do futebol americano. Incognito é um jogador de Pro Bowl e a saída dele em uma já frágil linha ofensiva deixa o Dolphins mais fraco, mas a longo prazo, tem tudo para fazer muito bem para a equipe do ponto de vista esportivo e de clima no vestiário.

Com Richie Incognito fora de questão, resta saber se o Miami Dolphins sabia do que acontecia entre os próprios jogadores. A franquia e o técnico Joe Philbin realmente não tinha conhecimento de nada ou sabiam da situação e preferiram apenas ignorá-la?

Ainda assim, Miami merece os parabéns pela decisão. Agir como fez o Dolphins é um passo certo na direção de tentar diminuir a cultura do vestiário na NFL de intimidação dos novatos por parte dos veteranos. Resta agora apenas investigar o que de fato houve e punir quem precisa ser punido.

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