O perigo da discrepância das cotas de TV entre os clubes

Fernando Vives
De Olho na Copa

Segundo a revista Veja, a TV Globo prepara uma oferta assustadora para a renovação de contrato dos jogos de televisão de Flamengo e Corinthians, os dois clubes mais populares do País: emissora pagará 144 milhões de reais anuais a cada um entre 2015 e 2018, 60 milhões a mais do que pagam hoje.

A dupla representa o primeiro escalão da fatia da verba dos direitos de transmissão. Atualmente recebem 84 milhões de reais anuais, contra 75 milhões do segundo escalão, composto por Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco. O terceiro escalão, que recebe da emissora 55 milhões de reais por ano, tem Botafogo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Atlético-MG e Cruzeiro.

A diferença do repasse da Globo hoje a Flamengo e Corinthians ao repasse dos clubes do segundo escalão é maior do que já foi, e tende a se intensificar. Não precisa ser nenhum João Bidu pra entender que, a longo prazo, isso tende a transformar os dois clubes nos maiores do País, acabando com o equilíbrio entre os grandes brasileiros que existe hoje e que não encontra similar nos outros países gigantes do futebol.

Seria a "campeonato-espanholização" do Brasileirão -- na Liga Espanhola, Real Madrid e Barcelona recebem metade do valor da TV. O restante vai para todos os outros clubes da primeira divisão. Aprendemos a assistir ao Campeonato Espanhol durante os anos 90, quando os dois gigantes tinham Valencia, Atlético de Madrid e La Coruña como rivais indigestos e que eventualmente abocanhavam títulos nacionais. Hoje, isso já é praticamente impossível. Levar a estratégia de mercado nua e crua ao futebol é um tremendo tiro no pé da própria Globo.

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