Há 20 anos, o Brasil ficava fora da Olimpíada. Veja por quê

Celso Unzelte
Causos do Futebol

Domingo, 9 de fevereiro de 1992. Pelo Torneio Pré-Olímpico realizado no Paraguai, o Brasil apenas empatava com a Venezuela, por 1 a 1, e ficava fora do torneio de futebol da Olimpíada que foi disputada naquele mesmo ano, em Barcelona. Aquela Seleção Brasileira contava com vários jogadores que depois se consagrariam com a própria camisa amarela ou com a de clubes importantes, como os laterais Cafu e Roberto Carlos, o zagueiro Márcio Santos, o meia Marcelinho Carioca e o atacante Dener. Mas naquele Pré-Oímpico o time não foi bem.

Depois de vencer o Peru (2 a 1) e o Paraguai (1 a 0), o Brasil perdeu da Colômbia (2 a 0). Para ficar com uma das duas vagas do continente (que acabaram nas mãos de paraguaios e colombianos), precisaria ter derrotado os venezuelanos por uma diferença de pelo menos dois gols. O que não aconteceu.

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O técnico era o então desconhecido Ernesto Paulo, que acumulava apenas obscuras passagens por Rio Negro-AM, Tuna Luso-PA, Fluminense e Botafogo. Simpático e falador, seu erro foi justamente alimentar o tiroteio verbal com os jogadores, que acabou entrando para a história junto com aquela desclassificação brasileira, a terceira em Olimpíadas (desde que começou a participar dos Jogos, em Helsinque, 1952, o Brasil havia ficado de fora apenas em Melbourne, 1956, e Moscou, 1980. Depois, seria desclassificado também no pré-olímpico para Atenas, 2004. Até hoje, jamais ganhou a medalha de ouro no futebol).
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"Júnior Baiano é craque."
(Ernesto Paulo, apenas alguns dias antes de cortar o próprio zagueiro do Flamengo.)

"Este cara (Ernesto Paulo) não sabe nada de futebol."
(Macedo, atacante do São Paulo, ao pedir dispensa daquela seleção.)

"O Macedo está mais interessado em pintar os pelos das pernas do que em jogar futebol."
(Ernesto Paulo, respondendo a Macedo.)

"O Remerson é imaturo."
(Do zagueiro Márcio Santos, sobre seu companheiro de defesa, após a derrota para a Colômbia.)

"Quero ver se jogando ao lado do Andrei vou ser imaturo."
(Resposta de Remerson a Márcio Santos, citando o reserva imediato para a zaga.)

"Mas, professor, e os empresários que estão aqui para me ver jogar?"
(Do falecido atacante Denner ao técnico, ao saber que seria trocado por Sílvio para a partida contra a Venezuela.)

"Em Barcelona, o Brasil estará no lugar mais alto do pódio, ouro no peito, encantando o mundo."
(Ernesto Paulo, um mês antes da eliminação.)

"O que é Cafu?"
(Dos humoristas do Casseta & Planeta, ironizando o futebol apresentado pelo futuro capitão do Penta, em 2002. Que, de fato, dez anos antes, foi bem fraquinho.)
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Para "coroar" aquela triste participação do Brasil no Pré-Olímpico do Paraguai, houve o episódio da pedrada na cabeça de Elivélton, em pleno gramado do Estádio Defensores del Chaco, durante o jogo contra o Paraguai.

Apesar de Elivélton ter prosseguido com sua carreira e sido campeão em vários outros clubes (como Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro), a lenda do futebol reza que depois daquela pedrada o futebol do promissor ponta-esquerda são-paulino nunca mais foi o mesmo.

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