Guarani x Ponte Preta: histórias do Derby Campineiro

Celso Unzelte
Causos do Futebol

Com a classificação de Guarani e Ponte Preta para se enfrentarem em uma das semifinais do Campeonato Paulista, o Derby Campineiro está novamente em alta, no ano de seu centenário. Aqui, algumas histórias desses 100 anos de rivalidade.
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188 jogos, com 65 vitórias do Guarani, 60 da Ponte e 62 empates. Se você for atento, vai perceber: essa soma não bate. É que ninguém, até hoje, sabe quanto foi o primeiro clássico, nem mesmo se ele chegou a acontecer.

Os jornais da época noticiaram que a partida seria realizada no dia 24 de março de 1912, um domingo, no antigo campo da Vila Industrial, em Campinas. Mas, depois, não se ocuparam de registrar nem sequer o resultado.

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Pompeo de Vito, um dos fundadores do Guarani, afirmava, em entrevistas, que o jogo terminou 1 a 1. Velhos ponte-pretanos garantem que a partida terminou 1 a 0 para a Ponte Preta. E, por falta de provas, a polêmica dura até hoje.
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O maior público da história desse jogo não foi registrado nem no Brinco de Ouro da Princesa, estádio do Guarani, nem no "Majestoso" Moisés Lucarelli, da Ponte Preta. Mas, sim, no Pacaembu, na capital.

No dia 3 de junho de 1979, a Federação Paulista resolveu marcar para São Paulo o jogo do terceiro turno do Campeonato Paulista entre as duas equipes, que estavam entre as melhores do futebol brasileiro. A Ponte do goleiro Carlos, da Seleção, e do camisa 10 Dicá, um especialista em cobranças de faltas, havia sido vice-campeã paulista em 1977 e repetiria a honrosa colocação não só naquele mesmo 1979 como também em 1981. O Guarani dos meias Renato e Zenon e do centroavante Careca havia sido o campeão brasileiro do ano anterior, 1978.

Naquela tarde, 38.948 pessoas foram ao Pacaembu, muitas delas vindas de Campinas, em táxis, carros e ônibus que congestionaram a Rodovia Anhanguera. Vitória do Guarani por 2 a 0, com um gol marcado em cada tempo, por Capitão e Zenon, de pênalti.
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Essa não é a primeira vez que Guarani e Ponte disputam entre si um lugar na decisão do Campeonato Paulista. Em 1979, ano em que o campeonato foi paralisado por uma ação na Justiça Comum do Corinthians contra a Federação Paulista de Futebol, e só reiniciado no início de 1980, as semifinais tiveram dois Derbies: Corinthians x Palmeiras, na capital, e Ponte x Guarani, em Campinas.

Enquanto o Corinthians despachava o forte Palmeiras do técnico Telê Santana com um empate (1 a 1) e uma vitória (1 a 0, gol de canela marcado por Biro-Biro), a Macaca superava o Bugre nos dois confrontos. No primeiro, no Moisés Lucarelli, por 2 a 1, com dois gols de Osvaldo e Zenon descontando já no último minuto. No segundo, no Brinco de Ouro, também deu Ponte, 1 a 0, com mais um gol de Osvaldo. Na decisão, a Ponte Preta acabou perdendo o título para o Corinthians.
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Um dos finalistas do Paulistão também foi decidido entre Ponte e Guarani em 1981. Naquele ano, enfrentaram-se na final os campeões do primeiro e do segundo turnos. E o primeiro foi vencido pela Ponte, justamente contra o Guarani.

No primeiro jogo, no Brinco de Ouro, empate por 1 a 1, gols de Seginho, para a Ponte Preta, e Jorge Mendonça, empatando para o Guarani. No segundo, no Moisés Lucarelli, a Ponte garantiu sua vaga na decisão do estadual fazendo 3 a 2. No primeiro tempo, Osvaldo abriu a contagem para a Ponte e Ângelo empatou para o Guarani. No segundo, Serginho fez Ponte 2 a 1, Jorge Mendonça voltou a empatar o jogo por 2 a 2 e o lateral-esquerdo Odirlei, já aos 36 minutos, marcou o gol da vitória ponte-pretana. Na decisão contra o São Paulo (campeão do segundo turno), a Ponte, uma vez mais, ficaria com o vice-campeonato.
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E houve, ainda, uma estranhíssima decisão entre os dois rivais de Campinas, a do returno do Paulista de 1978. Estranhíssima porque, naquele ano, de nada adiantou o Corinthians ganhar o primeiro turno (Taça São Paulo) e a Ponte Preta ganhar o segundo (Taça Governador do Estado). O título paulista acabou sendo decidido, mesmo, em um terceiro turno, sem nenhuma vantagem para os dois vencedores dos turnos anteriores.

Justamente por isso — e por falta de datas, porque o Guarani, naquele ano, disputava também a Libertadores — é que a decisão do segundo turno do Paulistão de 78, a Taça Governador do Estado, entre Ponte e Guarani, foi sendo adiada, adiada... Até ser, enfim, realizada já no dia 27 de junho do ano seguinte, 1979.

Com os dois times já eliminados da própria disputa do Estadual (tanto que São Paulo e Santos disputariam o último jogo da decisão do título paulista no dia seguinte, no Morumbi), Ponte e Guarani finalmente foram a campo para decidir a taça do falecido segundo turno, no Moisés Lucarelli.

O empate por 1 a 1 no tempo normal (mais uma vez com gol de Osvaldo, para a Ponte, no primeiro tempo, e Zenon, de pênalti, para o Guarani, no segundo) permaneceu também na prorrogação. A Ponte ficou com a Taça Governador do Estado por ter feito mais gols que o Guarani naquele segundo turno. Mesmo assim, naquela noite de quarta, 27 de junho de 1979, 12.281 pessoas ainda pagaram ingresso para assistir a um jogo que valia tão pouco.

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