Casca Grossa

[Raio X] UFC 155 – Cigano x Velásquez 2

Fernando Zanchetta
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Cigano x Velásquez. a revanche

O campeão Júnior Cigano e o desafiante Cain Velásquez fazem o tira-teima mais esperado dos pesos pesados, sábado (29), no UFC 155, em evento que fechará a temporada 2012 da organização. Quando se enfrentaram pela primeira vez, em novembro de 2011 e em condições trocadas, o brasileiro venceu por nocaute em pouco mais de um minuto e garantiu o cinturão.

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Mesmo incontestável, o resultado guardava lesões nos joelhos de ambos os lutadores, reveladas logo após a vitória de Cigano (na ocasião, Velásquez também estava parado há um ano por causa de grave lesão nas costas). Com ambos 100%, a expectativa agora é saber as novidades que cada lutador trará para as paredes do octógono. Abaixo, confira uma análise livre, com handicaps e possibilidades.

Se distância é palavra-chave em qualquer combate, aqui a disputa ferrenha por este aspecto será essencial. A envergadura da dupla aponta iguais 1, 96 m. Mas quem espera outra batalha com predominância em pé (como no primeiro combate) pode se frustrar, já que a receita mais direta para o desafiante será encurtar e tentar a todo custo cravar Cigano no solo para anular o padrão de boxe afiado do campeão e garantir vantagens na base do abafa.

Com jogo de pernas dinâmico e preciso, o brasileiro trabalha com naturalidade a luta na complexa média distância, e sabe bem usar a velocidade diferenciada dos punhos para um cara do seu tamanho. Uma das marcas registradas usadas neste sentido com frequência pelo catarinense tem sido os jabs e diretos na altura do estômago, que funcionam tanto como fintas para encontrar aberturas na guarda, como também brecar investidas.

Cigano não é um jabeador muito estratégico. Prefere atrair oponentes fechando a distância com passos diagonais na espera por contra-ataques ou erros do oponente. Socos como diretos, cruzados e overhands são famosos pela carga bruta, com destaque para os uppercuts (socos debaixo para cima) de direita, a grande carta na mesa do arsenal de habilidades.

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UFC 155

O plano básico de Velásquez pouco muda: aposta inicialmente em alguns socos e chutes baixos para assegurar a distância, depois ataca sistematicamente com single-legs (agarrar uma perna para derrubar) ou outros golpes para derrubar e usar o ground and pound visceral. Se parece mais previsível,  a tática também é menos passível de erros.

Em pé, o poder de fogo de Velásquez impressiona pela potência, mas em uma análise mais técnica dá para encontrar falhas que podem ser bem exploradas por um boxeador da estirpe de Cigano. O norte-americano é pouco evasivo, movimenta pouco o tronco e a cabeça nas entradas e saídas do raio de ação, e comumente se torna alvo mais fixo, da mesma forma que o faz quando aplica chutes.

A eficiência das defesa de quedas de Cigano é outro aspecto sempre colocado em xeque no UFC, e Velásquez é um 'derrubador' nato. Caso consiga encurralar o brasileiro, será um grande jogo de 'gato e rato' que pode conferir vantagens importantes ao desafiante. Mas como dito, a velocidade e a movimentação do brasileiro o tornam muito perigoso na longa distância  e atuam como grandes facilitadores para esgrimar adversários e se livrar de enrascadas, tanto em clinches como no jogo de grade. Resta saber quem neutralizará quem.

Confira como foi a encarada dos lutadores na pesagem oficial!

Muitos afirmam também que o conjunto de  habilidades de jiu-jitsu de Cigano, ainda pouco vistas no octógono, atuarão aqui como fator-surpresa mais que providencial. Mas até que se prove na prática, qualquer análise ainda recai em expectativas mais suferficiais.

PALPITE: Não gosto de ficar em cima do muro, mas não vou mentir que aqui minha opinião é bem propensa aos 50% de favoritismo para cada lado. Cigano e Velásquez representam o que há de melhor nos pesados do MMA atual, têm tudo para fechar o ano do UFC com chave de ouro e qualquer braço levantado no fim da luta não será surpresa.

Desta, vez, porém, o combate deve ir ao solo em algum momento. Mas Cigano tem ferramentas suficientes para lidar com qualquer surpresa. Arrisco: o brasileiro vai impor a estratégia e vencerá por nocaute técnico no terceiro assalto.

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