E agora, Wanderlei?

Fernando ZanchettaEditor de MMA

O Japão deve ter alguma fórmula especial para manter Wanderlei Silva jovial. Pelo menos, foi esta a impressão que ficou. Após brilhar no Pride no começo dos anos 2000 e angariar exército de admiradores em terras nipônicas, o Cachorro Louco voltou ao país sete anos depois para amenizar os altos e baixos atuais da carreira no UFC com nocaute esmagador sobre Brian Stann, na oitava edição do Ultimate On Fuel, sábado (2), no tradicional Saitama Super Arena.

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Tudo bem que o Cachorro Louco mostrou vulnerabilidade e 'porralouquice' de sobra ao se lançar com tudo na troca franca de golpes, mas sobreviveu ao 'lá e cá' brutal e deu o show de instinto e agressividade que os milhares de fãs japoneses esperaram tanto tempo para rever.

Os resultados oscilantes desde que Wand retornou ao UFC, em 2007, sempre o colocaram na margem entre as tomadas de fôlego e a aposentadoria (quase) inerente. Antes do UFC Japão, Wand arrastava a média de três vitórias e cinco derrotas nas últiomas oito lutas, com reveses brutais para Rampage Jackson e Chris Leben (em menos de um minuto, no UFC 132) .

Até a luta com Stann, Wanderlei buscava reciclar o estilo e apostar em padrão de luta mais dinâmico e seguro para se adaptar às novas realidades do esporte (vistas nas vitórias sobre Michael Bisping e Cung Le, por exemplo). Mesmo que isso descaracterizasse sua natureza de combate, era a medida emergencial mais sensata a ser tomada para tentar brecar a fase nebulosa.

Estava difícil sair da berlinda. Tanto que Dana White chegou a pedir pública - e respeitosamente - que o curitibano pendurasse as luvas. Mas o brasileiro contrariou estatísticas e quis se manter ativo, pelo simples prazer de ser competitivo. A vitória 'vintage' contra um adversário de peso como Brian Stann provou pontos interessantes, que giram em torno de fatores como imprevisibilidade e reais capacidades.

Muita gente afirma que gostaria de ver o Cachorro Louco interromper a carreira neste determinado momento, já que a última impressão que ficaria seria a atuação extrema contra Stann. Mas Wand, seguramente, está com pensamentos de que ainda tem lenha para queimar no MMA. Ele ama lutar e entreter o público.

Mesmo sem grandes pretensões de título, deve se manter em ação por mais alguns anos, para o deleite dos que sempre assistiram seus combates com dentes cerrados e souberam valorizá-lo como grande figura dos esportes de luta. Que assim seja.

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