Reclamação de Zé Roberto Guimarães não é #mimimi

Rio de Janeiro x Osasco, na final da última Superliga! Em 2013, as duas equipes se encontram mais uma vez
Rio de Janeiro x Osasco, na final da última Superliga! Em 2013, as duas equipes se encontram mais uma vez

Está definida a final da Superliga e adivinhem.... : Rio de Janeiro x Osasco! Pela nona vez consecutiva, as duas equipes vão decidir o título da competição. Mais um ano para aumentar a rivalidade, mais um ano de matérias relembrando grandes clássicos, mais um ano de um grande jogo. Mérito total das equipes! Gosto muito das duas equipes e gosto muito do confronto. Mas, eu, como grande fã da Superliga, devo admitir: está chato ter somente esses times na final. Por incrível que pareça, essa hegemonia tem pontos negativos:

- Inibe outras empresas de fazer altos investimentos
- Dificulta a criação e manutenção de equipes pequenas e médias
- Monopoliza e não expande o vôlei para todo o Brasil
- Não é muito simpático para novos torcedores (muita gente, quando ouve que Rio de Janeiro e Osasco vão decidir a Superliga faz uma cara "de novo?")

Tem muitos motivos para essa repetição acontecer com tanta frequência. O principal é o alto investimento (feito há alguns anos) que essas duas equipes recebem. Não tem mistério, com dinheiro bem investido e bem administrado, os resultados aparecem. Ponto para Unilever e Nestlé! Há outros pontos a serem elogiados nesta hegemonia: sequência dos técnicos no comando, boas contratações, bons treinos, torcida...

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Outro fator que faz com que esses dois times cheguem a final por tantos anos consecutivos é o critério usado (e não aplicado) pela CBV. Para evitar que o dinheiro compre um supertime, a Confederação Brasileira de Vôlei criou o critério de ranking, que consiste em dar pontos para cada jogadora e assim distribuir com justiça as equipes. Cada time pode ter no máximo 32 pontos.

Para criar alguns incentivos, a CBV abona pontos de jogadoras que foram repatriadas e jogadoras criadas no clube. Porém, ai que começa uma discussão que vai ganhar força nas reuniões para a próxima Superliga.

Em entrevista ao competente Mário Grilo, o técnico José Roberto Guimarães, que começou um projeto em Campinas com um orçamento em torno de R$ 10 milhões (um baita investimento!), reclamou muito do sistema adotado:

"Todo esse processo tem que ser revisto pela Confederação. Foi criado o ranking para não se ter supertime, mas esse time é basicamente a base da seleção. Tem algo errado, tem que ser revisto. Não pode continuar dessa maneira. A Jaqueline tudo bem que veio de fora, porque quando ela chegou já tinha acabado o Bradesco. Não há motivos para terem dado o bônus para a Adenízia, por exemplo, que foi formada no Bradesco, mas que foi trocado o CNPJ da empresa, e ela tem esse bônus. Estou falando em nome de todos os técnicos, porque todo mundo fala a mesma coisa, mas não tem coragem de falar! Vamos continuar, vamos tentar manter e reforçar o time para a próxima temporada"

O ranking para a próxima tempoarada ainda não foi divulgado, mas pelo jeito com que Zé Roberto está indignado com esse problema, a reunião que vai definir os pontos da próxima temporada promete. Zé Roberto tem razão na reclamação! Não é aquele típico #mimimi de quem acabou de perder. Se o próprio Osasco considera que o time é outro, após a entrada do Sollys (é só entrar no site do clube e ver que eles se consideram apenas bicampões da Superliga), porque a CBV não considera e dá bônus para a Adenizia? (se não me engano a Brait também é abonada).

Será que a CBV vai permitir que os altos investimentos do Rio de Janeiro e, principalmente, Osasco sigam controlando o sistema de pontuação? Será que os demais técnicos vão demonstrar a mesma reação?

Resta esperar, se nada mudar, teremos grandes chances de acompanhar mais e mais finais entre Rio de Janeiro x Osasco...

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