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O agradecimento de Tite à torcida corintiana

André Henning
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O gesto foi marcante. Todos os noticiários esportivos do dia seguinte deram destaque à festa da torcida corintiana ao término do jogo contra o Boca. Ainda enraivecida com a arbitragem do paraguaio Carlos Amarilla (e não vem aqui ao caso discutir se estava mal intencionado ou não), a fiel torcida esqueceu a eliminação da Libertadores e reverenciou seus ídolos. Um time que, até aquele instante, havia vencido tudo o que tinha disputado – Brasileirão, a mesma Libertadores, Mundial. A derrota era apenas um detalhe do futebol.

Os jogadores, a caminho do vestiário, diminuíram o ritmo das passadas. Pareciam não entender o que estava acontecendo. Que grito era aquele que vinha das arquibancadas? Era mesmo a torcida cantando, a plenos pulmões, o hino do clube? Aquela mesma torcida que, vira e mexe, cobra, invade treinos, tentar bater em jogadores?? Não, era mais que isso. Era o sócio das organizadas também, mas acima deles era o torcedor comum agradecendo a luta em campo. Emocionado pelo que tinha visto em campo, por tudo o que tinha vivido nos últimos meses.

Entre os programas do dia seguinte, no meio de tantas matérias e depoimentos, uma se destacou – a de Joseval Peixoto, âncora do SBT Brasil. Como dá pra ver no vídeo abaixo, Joseval abriu o coração e rendeu sua homenagem à torcida. O treinador do Corinthians, Tite, em casa viu e se emocionou. E resolveu levar para o grupo. O vídeo foi mostrado na palestra tradicional de antes das partidas. A vitoria contra o Santos seria um prêmio de consolação para a torcida, os jogadores deviam esse caneco a quem os apoiou.

Ao término do jogo na Vila, quando encontrou o repórter Rodrigo Vianna, do mesmo SBT, Tite pediu que enviasse um recado agradecendo Joseval pelas palavras da quinta-feira. Rodrigo, faro apurado, sugeriu que ele mesmo o fizesse, que gravasse seu depoimento em frente à câmera. E assim foi feito. Tite, publicamente, agradeceu o comentário e, principalmente, o gesto do torcedor.

Nem ele, Tite, soube dimensionar o tamanho daquele gesto da torcida pós-Boca. Foi só depois, quando viu a repercussão, que entendeu que aquele poderia ser um momento diferente – o instante em que o torcedor carrega o time, e não o contrário como geralmente acontece. O exato instante em que a torcida do Corinthians conquistava, junto com o time, o vigésimo sétimo título paulista que só viria quatro dias depois em Santos. O título do time que tem Paulista até no nome.

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