Aumentam as prisões por subornos relacionados aos Jogos de Tóquio

Haruyuki Takahashi era membro do conselho de administração do comitê organizador dos Jogos de Tóquio. Foto: Issei Kato/POOL/AFP via Getty Images
Haruyuki Takahashi era membro do conselho de administração do comitê organizador dos Jogos de Tóquio. Foto: Issei Kato/POOL/AFP via Getty Images

As autoridades japonesas decidiram nesta terça-feira (6) estender a prisão de um ex-executivo do comitê organizador das Olimpíadas de Tóquio e prenderam outras três pessoas relacionadas a uma rede de suborno, em um novo escândalo que abala o evento esportivo.

Haruyuki Takahashi, 78 anos, e membro do conselho de administração do comitê organizador do evento realizado no verão de 2021, foi preso em 17 de agosto por supostamente aceitar dinheiro da conhecida rede japonesa de lojas de ternos Aoki.

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Nesta terça-feira (6), a promotoria japonesa emitiu um novo mandado de prisão contra ele depois de encontrar indícios de que ele também aceitou dinheiro de uma editora japonesa, Kadokawa, no valor de 76 milhões de ienes (cerca de 2,76 milhões de reais), segundo a mídia local.

Tanto neste caso quanto no da empresa Aoki, da qual Takahashi recebeu 51 milhões de ienes (1,85 milhão de reais), o dinheiro teria sido entregue ao ex-executivo em troca da concessão de tratamento preferencial a ambas as empresas no processo de seleção de patrocinadores. Olimpíadas de Tóquio.

Takahashi se juntou ao comitê organizador de Tóquio 2020 em junho de 2014, depois que a candidatura da capital japonesa saiu vitoriosa um ano antes.

Ex-gerente da maior agência de publicidade do Japão que também ajudou a organizar os Jogos, a Dentsu, Takahashi era uma figura bem conhecida no mundo esportivo japonês e uma das pessoas-chave do agora extinto comitê organizador de Tóquio 2020.

A promotoria japonesa também ordenou hoje a prisão de um ex-diretor da Kadokawa, Toshiyuki Yoshihara, e de Kyoji Maniwa, chefe de um departamento desta editora cuja sede também está sendo investigada pela polícia.

Além disso, as autoridades prenderam Kazumasa Fukami, chefe de uma consultoria supostamente envolvida no caso de corrupção, e estão procurando outra empresa de publicidade, a Daiko Advertising, que também poderia fazer parte da rede de suborno.

A mídia japonesa também apontou que a corrupção pode até chegar ao ex-presidente do comitê organizador e ex-primeiro-ministro japonês Yoshihiro Mori, cujo papel no caso está sob escrutínio das autoridades.

As prisões se somam a uma longa lista de escândalos que assolaram os Jogos de Tóquio e levaram à saída de várias figuras de alto nível ligadas à organização do evento.

Entre eles destaca-se a renúncia em 2019 do presidente do Comitê Olímpico Japonês, Tsunekazu Takeda, envolvido em um caso de compra de votos entre outros comitês nacionais para favorecer a candidatura de Tóquio, ou do já mencionado Mori, devido a polêmicos comentários sexistas já apenas 5 meses após a abertura do evento olímpico.