Atlético Mogi vira o ‘pior time do mundo’ com escândalos e nepotismo

Há alguns meses, um clube paulista cravava um título, um tanto quão “dantesco”, literalmente, uma tragédia grega. Paixão, emoções, drama, enredo perfeito para trama, nada para envaidecer o seu torcedor, e sim, uma mancha histórica, “Pior Time do Mundo “.

Atlético de Mogi, natural de Mogi das Cruzes (região metropolitana de São Paulo), clube que como muitos que disputam a famigerada “bezinha”. Há pouco mais de 2 meses, o time do Alto Tietê cravou em sua história uma marca amarga: o rótulo “Pior Time do Mundo". O retrospecto negativo se confirmou após uma derrota para equipe do Manthiqueira (Guaratinguetá), por 6 a 0, com uma marca de 56 partidas sem vitórias, batendo o recorde do famoso Íbis.

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O futebol brasileiro de Arenas “Fifa” traz uma visão míope para o torcedor de futebol que enxerga na lente de câmeras supersônicas, das TVs, canais digitais, drones, um verdadeiro contraste da atual conjuntura do futebol no Brasil.

Clubes endividados, empresários usando clubes como “mães de aluguel” para fomentar seus negócios, gramados em péssimas condições, falta de investimento, receitas e dramas rotineiros, como falta de pagamento de atletas, técnicos e suas comissões, falta de alojamentos adequado. Esses são dentre diversos problemas que diversos clubes pequenos passam no futebol brasileiro.

A dificuldade passa por diversos âmbitos que envolvem até na realização de partidas, em respectivos eventos, como: falta de ônibus, pagamentos aos demais profissionais a cada rodada. Casos de W.O, com a falta de ambulâncias não são fatos isolados. Agentes travestidos de dirigentes com intenções obscuras de enriquecimento agenciando atletas, com o foco na venda, usando o clube como ‘balcão de negócios’ de cunho e caráter pessoal. Diversos clubes respirando sob aparelhos refletem a realidade do apaixonante futebol brasileiro.

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Conversamos com jornalistas que acompanharam bem de perto, o derradeiro momento do Atlético Mogi repercutindo o estado do clube, fazendo um paralelo sobre os últimos anos. Ouvimos setoristas da equipe que pediram para não serem citados na reportagem.

“Fui repórter que testemunhou o nascimento do Atlético Mogi. Na época era Mogi das Cruzes Futebol Ltda, o que me causou estranheza, mas foi prontamente justificado pela proposta da antiga diretoria de mudar o panorama do futebol regional, iniciando por aqui a ‘gestão profissional’ do futebol. Promessa que nunca foi cumprida”, destaca

Apenas promessas e pouca efetividade relataram, segundo eles:

"Presidentes, gestores, administradores ao longo dos anos, apenas reclamaram da falta de apoio público, mesmo tendo a permissão de ocupar os gramados municipais para treinos, sem custo, durante todos os anos de sua existência, além de usar o Nogueira, campo público, para mandar seus jogos. A realidade do Atlético Mogi não reflete apenas a falta de estrutura, mas a total falta de profissionalismo da gestão. Por anos a diretoria praticamente se recusou a atender a imprensa, com raríssimas exceções”.

Aliado a tudo que foi citado, as críticas a atual gestão, ao mandatário do Clube, Roberto Costa, o Atlético se define pela inoperância de gestão, destaca.

Segundo informações de bastidores, o clube por meio de seus representantes não se propôs a avançar em termos de planejamento e gestão. “Apenas se deu ao trabalho de dizer que ‘esse ano será diferente, porque a gestão está se profissionalizando’. Com o decorrer dos jogos e a confirmação das derrotas, nada além do silêncio ou das palavras dos pobres treinadores, lamentando e prometendo ‘trabalho duro para reverter resultados’, que nunca se concretizaram. Nesses anos todos, o Atlético Mogi teve a proposta de ser clube empresa, com objetivo de revelar jogadores e lucrar com a venda das promessas. Promessa de gestão transparente e de formação de novos torcedores na cidade”,

História, revelações, estrutura

Dentre os porquês da situação crítica do Atlético estão a falta de revelação de novos jogadores, pauta essa sempre cantarolada pelos dirigentes. As denúncias aliadas ao mal desempenho da equipe, como relata a imprensa mogiana.

"Dessas 3 premissas, apenas uma foi cumprida, e ressalto: apenas uma vez. O atacante Maicon, que foi vendido para o Shaktar Donetsk. Uma venda relevante em toda a história do clube. Não obstante, o Clube que sempre abre temporada prometendo novos rumos pata o ‘caçula’ de Mogi, repete escândalos de maus tratos a jogadores, supostamente não oferecendo condições mínimas de alojamento, alimentação e treinamento - essa última, a diretoria sempre bota na conta do poder público, contrariando a própria essência de clube empresa". Maicon faleceu em 2014, em Donetsk, em decorrência de um acidente de carro.

Nepotismo?

A reportagem ouviu de alguns personagens da imprensa ‘local’ denúncias de nepotismo e relatou fatos como abandono de atletas, precarização do trabalho e estrutura. Segundo:

“Chegou ao ponto de abandonar atletas em um suposto alojamento sem comida, eletricidade e água, caso que foi parar na delegacia e na imprensa. E pra finalizar, como acreditar que um clube que senhor se diz profissional e ‘empresa’, tem por anos a fio como seu principal jogador, o filho do presidente? Os números são claros: o Atlético tem a pior defesa entre todos os times do Brasil. Conseguiu isso com uma gestão familiar, onde o capitão e zagueiro ‘estrela’ atua em campo, o pai, cartola ‘superstar’ que ignora o contato com a imprensa, mas exalta a própria excelência em gestão antes dos campeonatos, passa a bola adiante para a nova geração, curiosamente seu outro filho, que aos poucos, vai mantendo o legado do pior time do Brasil de todas as divisões”, finaliza.

O Atlético Mogi se manteve na atual temporada como pior equipe do planeta, 56 derrotas, mais de 200 gols sofridos, derrotas e goleadas cravaram o clube numa lama sem fim.