Atacante belga lembra de “falta fantasma” que poderia ter evitado penta do Brasil em 2002

Wilmots chegou a marcar contra o Brasil, mas gol foi anulado por falta (Foto: KAZUHIRO NOGI/AFP via Getty Images)
Wilmots chegou a marcar contra o Brasil, mas gol foi anulado por falta (Foto: KAZUHIRO NOGI/AFP via Getty Images)

Marc Wilmots não foi um astro do futebol europeu, mas teve bons momentos. Foi campeão belga (1989), da Copa da Alemanha (1997) e da Copa da Uefa (2002). Seu estilo de meia-atacante que aliava força física e boa finalização o fez ser um nome constante nas convocações da seleção da Bélgica por mais de uma década.

Disputou quatro Copas do Mundo (de 1990 a 2022) e foi técnico em 2014. Até hoje é, ao lado de Lukaku, o maior artilheiro do país no torneio (cinco gols).

Mas Wilmots ainda pensa de vez em quando em uma jogada específica. A que poderia ter atrapalhado ou até evitado o penta da Seleção Brasileira em 2002.

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“Eu não fico atormentado por isso. Quando coloco a cabeça no travesseiro, não é algo que me assombra, mas sempre que me perguntam, tenho de responder. É um lance que ficou marcado pelo absurdo que foi. Ninguém entendeu na hora. Muito menos eu”, diz ele, 53, fora do futebol desde fevereiro deste ano, quando foi demitido do cargo de treinador do Raja Casablanca, de Marrocos.

Ele se refere ao gol que marcou contra o Brasil nas oitavas de final da Copa de 2002. O placar era 0 a 0 e a Bélgica era melhor no primeiro tempo. Chegou a dominar em alguns momentos.

Wilmots subiu mais do que Roque Júnior e cabeceou para o gol. O árbitro jamaicano Peter Prendergast marcou uma infração do atacante, lance que entrou para o folclore do futebol belga como “a falta fantasma.”

“Só ele pode dizer o que marcou. No intervalo da partida, veio se desculpar”, afirma ele.

Não foi possível entrar em contato com Prendergast para comentar a jogada 30 anos depois e confirmar o pedido de desculpas.

No segundo tempo, com Rivaldo e Ronaldo, o Brasil faria os gols que dariam o placar de 2 a 0 e fariam a seleção continuar no caminho para o título.

Para parte do elenco de Luiz Felipe Scolari naquele torneio, a partida mais difícil seria a seguinte, contra a Inglaterra, nas quartas de final. O Brasil ganhou de virada por 2 a 1. Mas há quem acredite que o confronto mais complicado foi diante dos belgas.

“Só eu sei o que sofri neste jogo e para pegar as bolas dele”, ressalta o goleiro Marcos.

A classificação da Bélgica era considerada improvável antes do apito inicial. O país vivia uma fase de transição. A seleção que havia chegado à semifinal de 1986 e às oitavas de final em 1990 e 1994 estava aposentada. Wilmots era o símbolo de outra equipe, a que havia sido eliminada na fase de grupos em 1998 de forma surpreendente.

Mesmo em 2002, a classificação foi sofrida e veio apenas após uma suada vitória por 3 a 2 sobre a Rússia na última rodada da fase de grupos após empatar com Japão e Tunísia.

Foi uma longa espera até a chegada da geração dourada que o próprio ex-atacante levaria às quartas de final do Mundial no Brasil em 2014 e seria terceira colocada na Rússia-2018 sob o comando de Roberto Martínez (deixando a seleção verde e amarela pelo caminho).

Mas sair na frente em 2002, naquelas circunstâncias, poderia significar uma inesperada mudança naquele confronto das oitavas de final.

“Claro que o Brasil tinha uma equipe fantástica e, em circunstâncias normais, venceria. Mas ter um gol anulado daquela maneira... É algo frustrante. Estamos falando de futebol. O que poderia acontecer se nós fôssemos para o vestiário em vantagem? Eu não sei. Ninguém sabe”, completa.

Não foi a única decepção no torneio para o jogador que passou por Mechelen, Standard Liège, Schalke 04 e Bordeaux (entre outros) e após se aposentar foi também senador na Bélgica. Ele tem a certeza de que em 2014 sua equipe poderia ter ido mais longe, mas acabou derrotada pela Argentina nas quartas de final.

“Naquela partida nós não fomos bem. Não chegamos nem perto do que poderíamos”, lamenta.