Arthur Zanetti mira Paris e vê a atual geração como a melhor da história da ginástica brasileira

Arthur Zanetti durante disputa nas Olimpíadas de Tóquio em 2021 (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)
Arthur Zanetti durante disputa nas Olimpíadas de Tóquio em 2021 (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)

Há poucos menos de dois anos das Olimpíadas, o maior símbolo da ginástica masculina, Arthur Zanetti, sintetizou a carreira e aproveitou para dar uma ‘pincelada’ sobre as possibilidades do Brasil em Paris.

O campeão olímpico citou a importância do ucraniano Oleg Ostapenko, treinador falecido em 2021, para a trajetória vitoriosa da ginástica brasileira. Legado, conquistas, investimento, visibilidade e estrutura foram alguns dos assuntos citados.

Confira a entrevista exclusiva de Zanetti para o Yahoo Esportes.

Yahoo Esportes: Primeiramente, como está o coração a menos de dois anos das Olimpíadas de Paris? Ansioso?

Arthur Zanetti: Pois é, faltam já dois anos, coisa rápida. Ainda não muito ansioso, mas acredito que assim que entrar o ano que vem, em que a gente for competir o mundial e o pré-olímpico vai dar uma ansiedade um pouco maior e aquela vontade de chegar logo pra saber qual será o resultado.

Ser campeão olímpico, mundial, trouxe mais calma ou exigências, dificuldades, na disputa das competições?

Ambas. Ser campeão olímpico e mundial, algumas vezes você entra na competição um pouco mais tranquilo pelo fato de os adversários ficarem um pouco com medo. Pô, o campeão olímpico está aí. Ao mesmo tempo, você tem aquela cobrança por você ser campeão mundial, campeão olímpico, você quer continuar no patamar lá em cima e acaba se cobrando mais para ter o resultado.

Quem pode surpreender na ginástica artística brasileira e mundial? Algum nome?

No momento são os mesmos atletas que competiram as Olimpíadas passada. Teve o europeu agora e ão apareceu nenhum atleta novo, então, no momento, são os mesmos.

O Brasil vive uma ascensão na ginástica artística, no atletismo e na natação já começamos a colher bons resultados. Como tem sido feito o preparo, planejamento? Os clubes, políticas de incentivo, o que de fato tem acontecido nos bastidores do esporte olímpico brasileiro?

A ginástica está vindo numa ascensão muito boa porque traz patrocínios para Confederação e aí você consegue fazer um planejamento melhor e ir para algumas competições importantes. Com isso você consegue preparar melhor os atletas e a base acaba tendo os mais velhos como fonte de inspiração para almejar grandes resultados. Os bons resultados trazem frutos, em geral na ginástica.

Essa atual geração é uma das melhores da história?

Bom, se for pegar em relação a resultados de equipes, acho que está sendo a melhor geração. Lógico, cada geração teve o seu momento, seu atleta e, eu acredito que esse momento está sendo muito bom para ginástica masculina, tanto em equipe, como em resultados individuais. Não está focando em apenas um atleta. Outros atletas também estão conseguindo ter esse resultado. Então, isso é importante e pode dizer que a gente paga pelo resultado. Se for pelo resultado, sim. É uma das melhores gerações que estamos tendo.

Já parou para pensar no legado construído na ginástica artística em um país que se dá pouca visibilidade para o esporte olímpico brasileiro?

A gente sempre para para pensar no legado que podemos deixar. Mas esse legado vamos construir a cada dia, cada treino que a gente faz no ginásio já é uma referência para nova geração. É isso, os resultados que tivemos já é um legado deixado com ginásios, bons equipamentos, faz com que a nova geração consiga treinar melhor. Por aí iremos conquistar muito mais.

Recentemente conversei com a Laís Souza para falar sobre o legado deixado por Oleg. De fato, foi a revolução que mudou o Brasil de patamar?

Acredito que o patamar que o Brasil tinha antigamente e hoje, a vontade. Não que os outros não tinham vontade, mas os treinadores começaram a estudar mais, ter melhor conhecimento de parte técnica. Os atletas começaram a acreditar que era possível ter conquistas, resultados internacionais e foi isso que fez a ginástica masculina desse esse pulo. Hoje somos uma das principais equipes do mundo.