Ao L!, Rômulo Mendonça repassa carreira, explica bordões e celebra viagem para narrar as finais da NBA


Rômulo Mendonça certamente pode dizer que é realizado naquilo que se propôs a fazer. O mineiro de Divinópolis, que fez faculdade de jornalismo em Belo Horizonte, chegou à ESPN em 2011 e pouco tempo depois se tornou referência ao narrar NBA. Em junho, ele escreve mais uma página em seu sonho profissional: narrar as finais da NBA entre Golden State Warriors e Boston Celtics direto dos Estados Unidos.

Assista acima os melhores momentos do papo em vídeo.

Rômulo Mendonça - ESPN
Rômulo Mendonça - ESPN

Rômulo vai cruzar os Estados Unidos para narra a NBA Finals (Foto: Divulgação/ESPN)

No país da bola laranja, a equipe da ESPN vai fazer uma maratona de viagens entre Boston, em Massachusetts, e São Francisco, na Califórnia. As duas cidades ficam em costas opostas e separadas por uma viagem de avião de 5 horas e meia (sem conexão).

- Vai ser a terceira vez (que narro in loco), a primeira vez depois da pandemia. Narrei em 2018 e 2019. Em 2020 e 2021 fizemos de São Paulo. Vamos fazer a cobertura total a partir do dia 2 de junho. Na TV terá noticiário diário. É uma tradição da ESPN ter a NBA Finals e fazer in loco após a pandemia torna tudo mais especial. É um momento muito legal, é um evento gigantesco. Se forem sete jogos, o sétimo será dia 19 de junho. A gente viaja e se for os sete jogos ficamos 20 dias cruzando o país. É maravilhoso, uma experiência fantástica - disse, empolgado.

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Rômulo Mendonça ESPN Brasil - Comunique-se
Rômulo Mendonça ESPN Brasil - Comunique-se

Rômulo conquistou o premio de melhor locutor esportivo de 2019 (Reprodução/Twitter)

Apesar de tanto sucesso e reconhecimento, inclusive com o Prêmio Comunique-se de locutor esportivo em 2019, Rômulo confidencia que nunca sonhou em ser narrador, mas que essa possibilidade foi se desenhando durante sua trajetória acadêmica devido a facilidade com as matérias de locução.

- O sonho de ser narrador nunca tive. Nunca tive essa visão a longo prazo da vida. Sempre gostei de acompanhar narração e achava muito legal, mas eu não tinha essa coisa na cabeça de planejar. Nem passava na minha cabeça. Quando comecei a faculdade eu percebi que me dava melhor nas disciplinas de rádio e TV. Então fui naturalmente sendo direcionado para isso. Foi uma coisa mais gradual. Fui percebendo que podia evoluir dentro disso. Foi uma coisa racional - analisou.

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Com a carreira traçada, o mineiro viu ali uma oportunidade de unir a profissão pela paixão de infância: a NBA.

- Comecei a acompanhar a NBA em 1991, quando tinha 9 anos de idade. Nos anos 90 eu me dividia a torcer para o Atlético-MG e ver NBA. Eu acompanhava o que era produzido para o público brasileiro. No início, a cobertura não era com um grau de intimidade e informação que tem atualmente. Agora é outro mundo. Quando eu passei a ter esse objetivo de narração, meu principal foco foi narrar NBA. Não só NBA. Mas meu objetivo era que isso fosse regular na minha escala, ver que meu trabalho estava sólido naquilo - afirmou.

Rômulo Mendonça - ESPN
Rômulo Mendonça - ESPN

Rômulo conduz suas transmissões pensando no entretenimento dos telespectadores (Foto: Divulgação/ESPN)

BORDÕES
Rômulo viralizou em diversos momentos pelo jeitão divertido de narrar. "O caos", "lambisgoia" e "ragatanga" são algumas de suas pérolas. Ele defende que os dois modelos de conduzir uma transmissão - o divertido e o sério - devem ter seus espaços.

- Eu tenho que fazer o trabalho de informação, do cuidado com o relato de jogo, mas também queria fazer algo com entretenimento. Não gostaria de fazer de forma sisuda porque acho que não combina. Não quer dizer que eu ache que toda narração tem que ser com piadas ou gritaria como faço. Eu sou defensor que os dois estilos podem ter espaço - opinou.

O narrador contou um pouco sobre seu processo criativo para os apelidos curiosos que os jogadores recebem, que podem vir por um contexto do momento ou até mesmo de forma planejada

LUKA DONCIC

Luka Doncic
Luka Doncic

O 'tesouro' Luka Doncic (Foto: Christian Petersen/AFP)

- O Luka Doncic, quando surgiu na NBA, já tinha expectativa de ser esse jogador extraordinário. Nos jogos, eu já destacava a qualidade dele, mas eu sentia a necessidade de ter uma palavra que resumisse ele. Não é que eu parava meu dia para pensar: "como posso chamar o Doncic?". Mas teve algum momento onde eu estava assistindo TV e apareceu a palavra "tesouro". E isso coincidiu com o momento que estava nessa busca. Eu pensei: "tesouro" é bom, engraçado e resume o que representa o Luka Doncic: ele é o tesouro da liga. Um jovem genial que pode se tornar a cara da NBA, mantendo ela forte. Aí comecei a chamar ele de tesouro e as pessoas gostaram. Às vezes chamam ele de tesouro e nem me citam. Virou algo de domínio público. Mas nada me garante que vou chegar nesse termo.

"PAPAI LEBRÃO"

LeBron James
LeBron James

"Papai Lebrão" (Foto: Stephen Gossling/AFP)

Eu só comecei a narrar os jogos dele (LeBron) em 2015. Eu não narrei boa parte da carreira dele. Se tivesse narrado ele em 2007 eu nunca o chamaria de "papai lebrão", pois ele era um jovem buscando espaço. Quando eu comecei a narrar o Leblon, já coincidiu com a fase dele veterano e líder do time. Então era o "papai". Dei uma aportuguesada no nome dele e ficou isso de "papai Lebrão".

PROCESSO DE CRIAÇÃO E BORDÃO DO MOMENTO

- Ultimamente eu busco termos e características que resumem os jogadores. É uma coisa de acompanhar o jogo e ficar ligado em outras coisas. Não tem uma fórmula. As coisas vão acontecendo. Tem umas coisas que falo que são problemas. Tem muita coisa que falo que não tenho em mente manter aquilo.

- Muitas vezes falo para aquele jogo mesmo. Por exemplo: no ano passado, eu narrei um jogo do Chelsea na Premier League. Esse jogo foi uma semana depois do Brasil x Argentina que não aconteceu. Nele, o Lukaku invadiu a área e marcou. Na ocasião eu disse: 'invadiu igual a Anvisa'. Muita gente achou que estava criando uma expressão, mas em nenhum momento eu pretendia que isso virasse um bordão, tanto que nunca mais usei. Tem coisas que saem no noticiário que a gente usa por que são forças daquele momento. Para cada expressão tem um contexto específico. A gente acaba vítima da fama de ser criador de expressões.

INSPIRAÇÃO
Com medo de ser uma cópia de grandes nomes do passado, Rômulo estudou muito diversos estilos e relembrou um narrador como uma referência positiva em seu estilo divertido de conduzir as narrações.

- Me inspirei em uma coletânea (de narradores). Eu colocava para gravar e ia prestando atenção no ritmo. Fui acumulando narrações e absorvendo vocabulários e estilo, meio que fazendo uma coletânea. Na TV, eu via NBA na Bandeirantes com o Luciano do Valle. Acompanhava futebol também em outros canais. Eu tentava ouvir o máximo possível de narradores dos mais diferentes estilos e a partir disso criei um estilo meu. Sempre tive esse cuidado de nem flertar com a cópia. Uma coisa é ter referência, a outra é fazer uma cópia - disse.

- Eu sempre busquei essa diversidade e a partir dela buscar um estilo meu. Um narrador que eu gostava muito quando narrava NBA era o Ivan Zimmermann, na NBA lá por 2001, 2002. Eu me divertia vendo a narração dele na ESPN. Então quando eu assistia a narração dele, passou pela minha cabeça: se um dia eu fizer algo parecido eu gostaria de divertir o público igual ele divertia o pessoal. Isso ficou na minha cabeça.

Ivan Zimmermann - Narrador
Ivan Zimmermann - Narrador

Ivan Zimmermann inspirou Rômulo (Foto: Divulgação/Band)

QUAL O TIME DO RÔMULO NA NBA?
Apaixonado pela NBA, Rômulo afirmou que não torce para nenhuma franquia na atual liga - e sim para um time que foi encerrado em 2008 - , o que facilitaria seu trabalho de "torcer para si mesmo".

Rômulo Mendonça contrato
Rômulo Mendonça contrato

Rômulo com a camisa do extinto Seattle Supersonics (Reprodução/ Instagram)

Ele explicou que a empolgação de narrar o melhor time as vezes pode fazer parecer com que ele tenha uma preferência, mas que isso faz parte de uma vontade de passar a melhor experiência para o amante de basquete.

- Minha torcida era para o Seattle SuperSonics, mas o time acabou. (...) Na hora do jogo eu me empolgo com o time que está jogando melhor. Mas no final das contas eu torço para meu trabalho, em fazer da melhor maneira possível. Eu vou no ritmo do jogo. (...) O trabalho ao vivo exige que você aceite seus naturais erros. E no fim da transmissão você coloca na balança, ver o que errou e o que não foi tão bom assim e segue em frente. Minha torcida é pelo meu trabalho mesmo, mas torcer para um time específico, não torço não.

BRASILEIROS NA NBA

Raulzinho
Raulzinho

Raulzinho é um dos brasileiros na atual NBA (Foto: AFP)

- Estamos em baixa, comparado com a última década. O Tiago Splitter foi campeão. O Varejão, e Leandrinho que já foi sexto homem da liga. O Nenê tem uma carreira longa. Ultimamente têm o Raulzinho que tem uma carreira legal. O Didi é muito jovem, mas tem que evoluir no ataque - na defesa ele vai muito bem. Então estamos num período entressafra. Comparado com o que já foi estamos em uma entressafra - analisou Rômulo.

FUTURO DO LEBRON E DOS LAKERS

LeBron James Anthony Davis
LeBron James Anthony Davis

LeBron segue no Lakers? Rômulo fala sobre o futuro do astro (Foto: Jim Poorten/AFP)

- O tempo está passando, né? Está quase quarentão (LeBron tem 37 anos). E o elenco que ele montou - por que nada acontece sem a aprovação dele - foi muito ruim. A formação dos Lakers na última temporada contribuiu para o vexame. Um time tão gigantesco sequer chegar no play-in foi um baita vexame! As casas de apostas indicavam uma final entre Brooklyn e Lakers. O Brooklyn ainda chegou nos playoffs. Tomou uma varrida do Boston, mas chegou com toda aquela turbulência do Erving por causa da vacinação. Foi o caos. Mas o Lakers foi mais que o caos, foi um vexame daqueles. O elenco é velho, com média de idade muito alta. Não tinha arremessadores confiáveis de três pontos. Tudo sobrecarregado no LeBron. Anthony Davis estava muito abaixo. Westbrook jogando muito mal. Foi um grande atleta, mas ele não é protagonista de time que ambiciona título. Então foi uma escolha terrível do LeBron. Uma coisa que não elogio ele é a participação em formação do elenco.

- Há um ano seria absurdo a gente cogitar o Lebron deixando o Lakers e buscando outro time em uma reta final de carreira. Mas a situação é que qualquer coisa que acontecer vai ser surpreendente, porque é muito contrato alto e longo que tornou o time refém. O Westbrook tem um contrato gigantesco. Que time vai pagar o que o Lakers pagou por ele diante do que ele jogou na última temporada? Eu estou em dúvida do futuro do "papai Lebrão" quanto a ambição de título. O Lebrão tem duas ambições que acho que ele vai conseguir nesse fim de carreira: ser o maior pontuador da NBA (é a primeira). Só passar o Kareem Abdul Jabbar, vai chegar, eu tenho certeza que ele tem isso na cabeça. O segundo objetivo é ele jogar com o filho dele no final da carreira, mas isso depende do Bronny chegar à NBA e o LeBron assinar com o time que o filho assinar. Mas esse objetivo de ganhar mais um anel da NBA, no momento, passa por situações que no momento os Lakers não oferecem a ele. Por que estão em uma situação que eles se colocaram e pra remodelar a equipe rapidamente no tempo que o Leblon precisa vai ter que ser feito alguma magia que vamos ter que ver se os Lakers vão conseguir sobre reformulações de contrato para fazer um time mais competitivo. Mais forte e com mais repertório.

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