Andreas queria ganhar tudo pelo Flamengo, mas um erro tornou permanência impossível

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Andreas Pereira com o Fulham durante a pré-temporada (Foto: Fran Santiago/Getty Images)
Andreas Pereira com o Fulham durante a pré-temporada (Foto: Fran Santiago/Getty Images)

Andreas Pereira entrou no vestiário cabisbaixo, triste, mas aparentemente controlado. Foi consolado por companheiros e funcionários. Ouviu que aquelas coisas acontecem, deveria levantar a cabeça. Depois de tirar a camisa, aconteceu.

“Ele começou a chorar sem parar. Ficou inconsolável”, afirmou um jogador de meio-campo do Flamengo naquela final da Libertadores de 2021, contra o Palmeiras. “Não havia mais o que a gente pudesse falar para acalmá-lo. Foi algo que tocou a todos. Muito triste.”

Ao chegar à Gávea, em agosto de 2021, Andreas disse no primeiro encontro com o elenco que estava lá para ajudá-los a ganhar tudo. Fazer história, como gostam de dizer os atletas.

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Ele realmente fez, mas pelos motivos errados. Cometeu o que talvez tenha sido a mais inesquecível falha individual de um jogador flamenguista na história. Sua perda de controle de bola, sozinho e de maneira inexplicável, permitiu a Deyverson partir em disparada para fazer o segundo e decisivo gol palmeirense durante a prorrogação da final continental.

“Andreas é um menino muito honesto, decente e um grande jogador. Infelizmente aconteceu essa falha e não foi possível mantê-lo no clube pela questão econômica. A gente espera que ele mostre um bom futebol na Inglaterra. É um ótimo rapaz”, elogiou o vice-presidente de futebol, Marcos Braz.

Esta foi a mesma impressão deixada pelo meia em dois jogadores flamenguistas e em um funcionário do departamento de futebol ouvidos pela reportagem. Andreas era querido por todo o grupo e seu erro foi sentido mais até do que pela questão futebolística. O que mais preocupou foi o aspecto pessoal.

Segundo relatos, ele passou dias abatido e temeroso do futuro no clube. Foi convencido, inclusive pela reação da torcida, de que seria possível dar a volta por cima. Não foi. A final da Libertadores se tornou um fantasma na sua passagem pela equipe. Com o Flamengo não fechando a compra dos seus direitos com o Manchester United, foi vendido ao Fulham e vai disputar a Premier League.

“O erro que o Andreas cometeu é algo que pode acontecer com qualquer jogador. Falar de fora é muito fácil. Só quem está ali dentro que sabe”, recita Renato Gaúcho, então técnico do Flamengo, outro que também elogiou o temperamento e talento do meia.

Não parecia que seria assim. Suas primeiras atuações foram boas e ele parecia destinado a se adaptar facilmente à maneira de jogar flamenguista. Em sua estreia, marcou gol contra o Santos e fez questão, após o jogo, em colocar freio na conversa de que era santista na infância e desejava vestir a camisa do time de Vila Belmiro no futuro.

“Não tem nada disso. Eu sou Flamengo”, assegurou.

A volta ao futebol nacional tinha também um objetivo: a seleção brasileira. Nascido em Duffel, na Bélgica, ele temia ser visto como um estrangeiro. Por isso viu o interesse do Flamengo como uma chance de firmar seu nome no mercado nacional.

“Me sinto brasileiro mas acho que, como fiz minha base no PSV, as pessoas não sabem bem quem eu sou. Não tive essa fase de ser reconhecido quando estava no sub-17 ou sub-20 de um grande clube do Brasil. É nesse momento que o jogador passa a ser reconhecido pelo torcedor, como aconteceu com o Vinicius Junior, por exemplo. Estou vivendo momento em que me apresento para o povo brasileiro”, opinou no final de 2018, em entrevista à Folha de S.Paulo.

O Yahoo Esportes tentou falar com Andreas, mas ele disse não desejar dar entrevistas.

Sem jamais se firmar como titular no Manchester United, que o emprestou para Granada, Valencia e Lazio antes de chegar à Gávea, o armador já deve ter percebido que voltar a vestir a camisa amarelo no ciclo para a Copa do Mundo no Qatar se tornou impossível. Com 26 anos, ainda tem tempo para receber novas oportunidades. Estará com 30 no torneio a ser sediado por Estados Unidos, Canadá e México.

“Ele tem personalidade e futebol para dar uma resposta”, opina Renato Gaúcho.

É a mesma torcida dos jogadores que estiveram a seu lado no Flamengo.

“A gente já tinha percebido que seria difícil ele se recuperar do que aconteceu (com o Palmeiras). É triste, mas o melhor para ele era voltar para a Europa. Todo mundo que jogou com ele aqui (no Flamengo) vai torcer muito por ele”, afirma o reserva, que ainda está no Flamengo, mas tem o futuro indefinido.

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