ANÁLISE: saldo na conta de Vítor Pereira não compra a ideia esportiva do Corinthians

Segundo a diretoria, o treinador não corre risco de demissão no Corinthians (Foto: Reprodução/Corinthians TV)


Amigo leitor, eu sei que você veio pela análise da partida, e eu te juro que ela estará aqui. Mas, antes, não tem como não abordar a resposta do técnico Vítor Pereira na entrevista coletiva após o revés do Corinthians para o Palmeiras, no último sábado (13), pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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Para mim, o problema nem está na referência que ele fez sobre o saldo na conta bancária, mas o desprendimento aparente em relação ao Timão.

Você pode até questionar a qualidade da pergunta. Da minha parte, digo que foi pertinente. Ela não serviu para fomentar coisa alguma, mas em uma realidade onde a média de permanência dos treinadores em clubes da elite do futebol brasileiro é de seis meses, e o Corinthians vem de uma eliminação na Libertadores e perdeu um ‘jogo de seis pontos’ para o maior rival, o que comprometeu, e muito, a busca pelo título brasileiro, é natural que o comandante da equipe viva uma pressão. Situação essa que fica ainda mais clara nos protestos vindo das arquibancadas e na porta da Neo Química Arena após o Dérbi.

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Quando Vítor Pereira diz que pode trabalhar em outro lugar, onde e quando quiser, demonstra desprendimento a um clube gigante como é o Timão. E, na boa, está aí algo que dinheiro algum no mundo compra: a possibilidade de entrar para a história dessa equipe tão tradicional.

PAPO DE FUTEBOL


Dito isto, vamos falar sobre campo e bola.

O Corinthians foi melhor que o Palmeiras, sim, como o próprio VP salientou na entrevista coletiva depois do jogo, mas não foi muito. Algo longe de fazer com que o revés deste fim de semana estivesse no naipe de grande representação da injustiça do futebol.

O Timão teve mais a bola na maior parte dos dois tempos. No primeiro, porém, voltou a ter muitas dificuldades de criação, mesmo com Renato Augusto em campo.

O camisa 8 só entrou na partida na etapa final, quando o Coringão criou as melhores jogadas, mas ainda sem conseguir pisar muito na área palmeirense. Os momentos de maior perigo corintiano foram em finalizações de média e longa distância.

Soma-se isso a diversos erros técnicos. Foram muitos passes errados, decisões equivocadas e falhas nas definições de jogadas.

E foi um desses momentos que ocasionaram o gol da vitória palmeirense.

Aos 27 minutos do segundo tempo, Fagner tentou cruzar uma bola da direita para a esquerda, na altura do meio-campo, e cedeu o contra-ataque ao Verdão. E todo mundo sabe que o time palmeirense é PhD nesse tipo de jogada. Dudu, então, arrancou, serviu Piquerez, que cruzou baixo, e Roni mandou contra uma bola que, caso o meia corintiano não tocasse, chegaria limpa para Flaco López empurrar para a rede.

A derrota corintiana no Dérbi é doída. Ainda mais do que um revés contra o maior rival, que já machuca demais o corintiano, isso porque ela vem em um momento de baixa autoestima por parte do Coringão.

O Timão vem de uma eliminação na Libertadores e está às vésperas de um jogo onde necessita reverter dois gols. Nesta quarta-feira (17), o clube alvinegro encara o Atlético-GO, na Neo Química Arena, pela volta das quartas de final da Copa do Brasil. Na ida, o Time do Povo perdeu por 2 a 0, em Goiânia.

MUDANÇA DE ESPÍRITO


No mês passado falávamos sobre o espírito corintiano, maloqueiro e sofredor adquirido pelo técnico Vítor Pereira com a classificação épica contra o Boca, na Bombonera, pela Libertadores, somado à promoção sem grande sustos às quartas da Copa do Brasil, contra o Santos, e a manutenção de uma boa colocação no Campeonato Brasileiro. Mês seguinte e parece que o time colocou tudo a perder. Reflexo, também, de um treinador que não conseguiu aplicar as suas ideias quando teve em mãos um elenco mais reforçado do que outrora.

E aí, não há saldo na conta bancária que faça com que o conjunto compre a sua ideia. Do campo à arquibancada, o Corinthians estava com Vítor Pereira, mas em meio aos episódios recentes, que culminou nessa declaração infeliz do treinador corintiano após perder o clássico contra o Palmeiras, o técnico português trouxe sobre si um problema mais difícil de reverter do que o duelo deste meio de semana contra o Dragão.