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Vôlei de praia fecha 2018 com título entre as mulheres e momento de transição com os homens

Colaboradores Yahoo Esportes
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(Foto: CBV)

Por Guilherme Costa, de Hamburgo

Uma veterana de 35 anos, com uma medalha de prata olímpica no currículo, e uma jovem de apenas 20, formam a principal dupla brasileira no vôlei de praia para este ciclo olímpico. Ágatha e Duda venceram, no domingo, o Finals de Hamburgo, competição mais importante do ano, que reuniu apenas as dez melhores duplas da atualidade, e fecharam a temporada com o título do Circuito Mundial. Um prêmio e tanto para um time formado no início do ano passado e que vem crescendo a cada torneio:

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– Eu estou avaliando como uma parceria que cresce a cada dia. Cada torneio a gente leva alguma coisa de aprendizado. Ela está evoluindo muito rápido, ela tem um potencial incrível. Ela está aprendendo a ter atitude, entendo a parte técnica, ela é uma jogadora muito nova, tem só 20 anos, isso está sendo bem legal. Eu também estou aprendendo bastante, estou tendo que evoluir como atleta, ter o controle do jogo, da parte tática– disse.

Na campanha em Hamburgo, o time venceu seis partidas e perdeu apenas uma. O torneio coroou um ano muito bom, que ainda teve um título na etapa do Brasil, uma prata em Moscou (Rússia) e um bronze em Varsóvia (Polônia). Na decisão, venceram as tchecas Marketa Slukova e Barbora Hermannova, vice-líderes do ranking, por 2 a 0. Antes, na primeira fase, já tinha derrotado as mesmas adversárias. Duda, de apenas 20 anos, comemora o momento:

– A gente se dá muito bem, mesmo com essa diferença de 15 anos de idade. Ela sabe conduzir as coisas, ela já passou por tudo isso. Ela, com paciência, vai passando as coisas para mim. Estou feliz com essa parceria, espero que a gente consiga a classificação para Tóquio 2020 – disse Ágatha.

Cada país pode levar, no máximo, duas duplas para a Olimpíada, e a definição sairá no fim do ano que vem ou talvez apenas no início de 2020. Além de Ágatha e Duda, o país conta com Maria Elisa e Carol, que fecharam o ano em terceiro do ranking após a quarta posição no torneio de Hamburgo, e Bárbara, vice-campeã olímpica na Rio 2016 ao lado de Ágatha, e Fernanda Berti, que estão em sétimo na classificação.

Por muito tempo, Maria Elisa e Carol foram adversárias em quadra. Carol jogou quase a carreira inteira com a irmã, Maria Clara, e bateu na trave algumas vezes para conseguir a classificação olímpica. Maria Elisa trocou mais de parceiras nos últimos anos, foi para Londres 2012 ao lado de Talita e fechou em nono lugar. A junção das duas está começando a dar resultado:

– Fui adversária dela por muitos anos. Respeito a formação dela como atleta. Ela manteve uma parceira muito tempo, eu tive mais experiencia com várias parceiras. Esse respeito e admiração é resultado dentro e fora da quadra. Fora da quadra a gente é muito diferente, filmes diferentes, músicas diferentes, mas somos molecas, sempre de bom humor – disse Maria Elisa.

A história olímpica do vôlei de praia começou em Atlanta 1996. Em seis edições, o Brasil possui 13 medalhas, três de ouro, além de sete pratas e três bronzes. Em todos os Jogos foram, ao menos, duas medalhas, exceção a Sydney 2000, quando o país voltou com três pódios.

A expectativa da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e do Comitê Olímpico do Brasil (COB), é que a modalidade mantenha a média em Tóquio 2020 e traga ao menos duas medalhas, uma com os homens e outra com as mulheres.

Masculino vive transição

O momento do vôlei de praia masculino é totalmente diferente. O Brasil é o atual campeão mundial – André e Evandro foram ouro em 2017- e olímpico – Alison e Bruno levaram o título na Rio 2016. Mas, há três meses essas duas se desfizeram. Alison atualmente joga com André, e Bruno se uniu com Pedro Solberg, que foi nono colocado na Olimpíada com Evandro. Este, por sua vez, está com Vitor Felipe.

Com toda essa “salada de duplas”, o resultado é que nenhuma brasileira se classificou para o Finals de Hamburgo, competição que reuniu as dez melhores parcerias da temporada. Alison, prata na Olimpíada de Londres 2012 com Emanuel e ouro em 2016 com Bruno Schmidt, comenta o momento:

– Nós sabíamos que os resultados não iam vir. Foi uma mudança radical para o André, que passou a jogar na saída de rede, passou a ter que defender, jogar ao lado de um atleta mais experiente, e sem tempo de treinamento. Não tivemos bons resultados, mas agora estamos no caminho certo. Oscilamos, mas estamos aprendendo, nos conhecendo – disse Alison, que levou a prata na penúltima etapa do Circuito, em Moscou, o que, de uma certa forma, mostrou a evolução do time.

Vale lembrar que essas mudanças são comuns durante o ciclo olímpico, principalmente nos anos pares, em que o calendário não prevê Campeonato Mundial. Bruno e Alison, por exemplo, se uniram em 2014, dois anos antes dos Jogos do Rio. Bruno, em 2018, não teve um bom começo com Pedro Solberg, mas acredita na evolução:

– Não foi o esperado, está sendo aquém, mas o mais legal é que estamos conscientes disso. A gente sabe que eu não estava no meu melhor, estava com uma lesão no joelho, que estou me tratando. Nossa equipe sabia disso. Superamos isso. Contornamos problemas, pouco tempo de entrosamento. Objetivo é reconstruir para chegar bem no ano que vem – disse.

Os resultados de 2018 ficaram realmente um pouco abaixo do esperado, mas isso se deu por conta de todas essas mudanças de duplas. Mas vale lembrar que Alison ainda é considerado um dos melhores bloqueadores do mundo, Evandro é o principal sacador do circuito, Bruno é o jogador mais habilidoso e André é o que mais evoluiu nos últimos dois anos. Com entrosamento, a tendência é que as duplas brasileiras façam mais sucesso no ano que vem e, claro, em Tóquio 2020.


 

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