Update privacy choices
Esportes

Versatilidade e inteligência: o que os novos convocados acrescentam para a seleção de Tite?

Colaboradores Yahoo Esportes
Yahoo Esportes

Conte quantos países são capazes de fornecer 11 jogadores para uma seleção após a Copa do Mundo? Se a resposta é só um, o Brasil, acertou. A nova convocação para amistosos em setembro revela como é vasto o arsenal de talento e versatilidade que Tite tem em mãos. As grandes novidades são Andreas Pereira, Paquetá, Arthur, Pedro e Fabinho. De surpresas, o zagueiro Felipe e Éverton “Cebolinha”, do Grêmio. De certeza, a impressão que há gente boa de bola para a Copa de 2022.

Os novos convocados salientam a ideia de Tite de continuar com o esquema 4-1-4-1, usado em todo seu ciclo desde 2016. Ele mesmo afirmou na coletiva que imagina o time assim. Dá até para imaginar um possível time com muitas das novidades, como abaixo. Pedro é o 9 que sai da área e abre espaços para Neymar e Éverton. Andreas Pereira começa as jogadas com visão de jogo, e Arthur e Paquetá se complementam: um articula mais e outro é mais incisivo e apoia o ataque. O que acham?

Possível seleção de Tite (Foto: Reprodução)

Andreas Pereira: o upgrade na camisa 5 que o jogo atual pede

Ele nasceu na Bélgica, mas vai jogar com a amarelinha. Andreas Pereira é tido como promessa de base há muito tempo. E nunca pareceu tão pronto para ser a sombra de Casemiro. Ele jogou como meia ofensivo na base, mas José Mourinho vem preparando o jogador para atuar na frente da zaga. Enxerga nele um potencial físico muito grande – necessidade da função, que exige bastante contato físico – e também visão de jogo. Na estreia do Manchester United, contra o Leicester, Andreas fez a função, com Fred e Pogba mais avançados – veja imagem abaixo.

Andreas é o camisa 5 que o futebol atual pede (Foto: Reprodução)

Mourinho não é bobo. Viu que Andreas vem melhorando significativamente sem a bola. O gráfico abaixo mostra a média de interceptações realizadas por jogo ao longo das últimas quatro temporadas. Andreas se tornou mais participativo sem a bola, inclusive fazendo o movimento que Casemiro sabe bem: avança e pressiona, ou intercepta uma bola. É um acréscimo, pois ele tem muito mais qualidade com a bola e pode ajudar a seleção a ditar mais o ritmo da partida.

Andreas vem melhorando bastante sem a bola (Foto: Reprodução)

Arthur: articulação e ritmo

Poucos jogadores no mundo são capazes de fazer o que Arthur faz. Modric, o melhor da Copa do Mundo, é um. Eles são os grandes pensadores da partida, mas muitas vezes, não aparecem tanto. O jogo é mais invisível, pois se concentra em ditar o ritmo e fazer a regência do time. Acelerar ou cadenciar? Quem está melhor colocado? É o que Arthur sempre faz, como na imagem.

Poucos jogadores fazem o que Arthur faz hoje (Foto: Reprodução)

Por ter um passe tão bom, é possível imaginá-lo como um dos meias do 4-1-4-1 de Tite. A posição que teve Coutinho como titular na Copa também exige mais pegada, coisa que Couto não conseguiu entregar na Copa. Arthur está acostumado a um jogo mais físico, e no Grêmio, atuava com marcação mais individual. Se tem no passe sua grande arma, é sem a bola e também fazendo gols que ele acrescenta – e muito – para a seleção.

Arthur pode ser um dos meias 4-1-4-1 de Tite (Foto: Reprodução)

Paquetá: velocidade e influência no jogo

Lucas Paquetá surgiu no Flamengo como grande promessa na base. Hoje, ele ofusca nomes do caro elenco rubro-negro com um jogo moderno e também ousado. Assim como Arthur, é um jogador que gosta de frequentar o meio e ficar perto da bola. Sempre busca os espaços vazios e a melhor colocação em campo, além de auxiliar a defesa na construção das primeiras jogadas.

Paquetá surgiu como grande promessa da base do Fla (Foto: Reprodução)

Mas seu diferencial é que une essa cadência com drible. Ele é o mais incisivo dos meio-campistas que Tite chamou. Não tem medo de partir para cima e pisar na área, esperando a conclusão. Foi assim que ele ajudou o Flamengo a eliminar o Grêmio: no lance do gol na Copa do Brasil, Paquetá era o meia mais avançado de todos no cruzamento que Everton Ribeiro finalizou. Esse posicionamento é sempre uma vantagem ao time, pois aumenta as chances dessa bola virar um gol.

Paquetá une cadência com drible (Foto: Reprodução)

Fabinho foi contratado pelo Liverpool para ser meio-campista. Na seleção, foi chamado como lateral. Entenda isso como uma “gambiarra” para o talentoso jogador estar na lista. Ele tem essa versatilidade, mas há 3 anos é um meio-campista de grande poder de infiltração e resistência. Pensou no Paulinho? Acertou. Mas o diferencial de Fabinho é que seus passes mais verticais e sua visão de jogo vem sendo desenvolvida. No Mônaco, o treinador Leonardo Jardim foi alterando as funções de Fabinho, que no Liverpool, jogou até na de Casemiro.

Felipe: chamado por entender como poucos a defesa por zona

O zagueiro é titular do clube português há anos por entender muito bem o tipo de defesa em linha que Tite aplica na seleção. Lembra do Corinthians de 2015? Felipe comeu a bola naquele ano. Era o zagueiro mais posicional. A função exige inteligência: é preciso cortar a bola no momento certo, sempre estar alinhado com os companheiros e interceptar bolas quando o adversário ataca. Sua evolução é nítida: ele só aumenta a contribuição defensiva, ao mesmo tempo que se estabelece como referência no time.

Felipe é titular no clube português há anos (Foto: Reprodução)

Éverton, do Grêmio, é o nome que causou mais polêmica. Mas vale o teste, não? Decisivo, ele tem na vitória pessoal seu grande atributo. O que é vitória pessoal? É o drible, curto e rápido, que faz ele vencer marcadores. É a contribuição de Renato Portaluppi, ídolo e ex-atacante. Como técnico, dá atenção especial a esse tipo de jogada.

Pedro: faro goleador e recurso fora da área

Carisma ele tem de sobra. Qualidade também. Pedro vem salvado o Fluminense em muitos jogos. Assim como Firmino, ele combina a veia goleadora que se espera de um centroavante – assim como força física para jogar de costas e conclusões em espaços pequenos – com muito recurso para sair da área. É um camisa 9 que faz muito bem seu papel e consegue jogar de 10, como nesse lance: Ele sai da linha defensiva e Marcos Jr infiltra, já esperando o bom passe de Pedro. O jogo foi contra o Sport, e adivinha quem fez o gol do Flu?

Pedro vem salvado o Fluminense em muitos jogos (Foto: Reprodução)

A lista de Tite tem boas surpresas, assim como nomes questionáveis: Fágner, Willian, Renato Augusto…mas transições são assim. Lentas, aos poucos. O ciclo para 2022 começa hoje com a certeza de que há muito talento na base brasileira para melhor o trabalho feito desde 2016.

2 Reações

Leia também