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Investindo em estrutura e na formação de atletas, Flamengo volta a ser referência nos esportes olímpicos

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Varejão durante a apresentação do elenco do basquete do Fla para 2018 (Diego Maranhão/Photopress/Gazeta Press)

Por Alexandre Massi (@alexmassi)

Para atrair grandes atletas, um clube precisa ter uma estrutura de ponta, profissionais qualificados e salários em dia. Uma equação que o Flamengo conseguiu resolver em 2018, após intenso trabalho de reconstrução dos esportes olímpicos durante cinco anos. Símbolos dessa nova fase são as contratações da judoca Sarah Menezes, campeã olímpica em Londres 2012, e do pivô Anderson Varejão, que atuou na NBA por 13 temporadas.

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“Recebi propostas de clubes do Brasil, da Argentina, da Europa e da NBA, que não eram garantidas. Coloquei tudo na mesa e tomei uma decisão baseada no respeito que tenho pela história do Flamengo e pelo projeto muito bem estruturado do clube”, revelou Varejão, durante sua apresentação, em janeiro deste ano.

Quem ouve esta declaração pode não lembrar da realidade enfrentada pelo clube até 2013. À época, o departamento de esportes olímpicos registrava déficit anual de R$ 16 milhões, atrasava o pagamento dos atletas e enfrentava sérios problemas estruturais, como a interdição da piscina olímpica por má conservação e a destruição do ginásio Cláudio Coutinho, destinado à equipe de ginástica, devido ao incêndio de novembro de 2012.

Para reverter o quadro, foi elaborado um amplo projeto de renovação, cujo principal objetivo era tornar os esportes olímpicos independentes das verbas do futebol.

“Tínhamos a meta de tornar o esporte olímpico autossustentável, mas isso não envolve apenas a parte financeira. É preciso também ter bons equipamentos, boas quadras, uma sala de força e um centro de ciência do esporte”, esclarece Marcelo Vido, diretor-executivo de esportes olímpicos do Flamengo.

No início, a diretoria adotou a seguinte estratégia: ao invés de investir em atletas, que oneravam a folha salarial e não treinavam em condições adequadas, passou a aplicar recursos em estrutura. Para tanto, buscou novas formas de financiamento: leis de incentivo estaduais e federais, programa Anjo da Guarda, Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e parcerias com a iniciativa privada.

Foi assim que o clube inaugurou sua nova piscina olímpica, em julho de 2016, com tecnologia idêntica à utilizada nos campeonatos mundiais de natação. Orçada em R$ 7 milhões, a obra foi custeada por uma empresa de cimentos, pelo CBC e pelo próprio Flamengo. Outro caso emblemático acabou sendo o acordo firmado com os comitês olímpicos americano e britânico para os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Nova piscina do Flamengo em seu complexo (Flamengo)

Como contrapartida à cessão de suas instalações para os dois países durante o evento, o clube recebeu aproximadamente R$ 5 milhões em equipamentos e infraestrutura, o que permitiu, por exemplo, a reforma dos vestiários e da academia.

No entanto, nenhum projeto representa melhor o atual momento dos esportes olímpicos do Flamengo do que o Centro Unificado de Identificação e Desenvolvimento de Atleta de Rendimento (CUIDAR). Lançado em outubro de 2016, o programa integra todas as modalidades em um trabalho voltado à ciência do esporte.

“O nome já diz tudo: ele cuida do atleta. Cuida para oferecer uma carreira mais saudável, prevenir lesões e participar de mais treinos e competições. O projeto envolve várias disciplinas: fisiologia, nutrição, psicologia, estatística. Oferecemos também escolas para pais e atletas, onde discutimos assuntos como bullying, doping e assédio”, explica Vido.

O êxito do projeto olímpico rubro-negro é reconhecido por quem defende o clube há 24 anos, como é o caso de Illana Pinheiro, atleta e técnica de polo aquático.

“Entendemos que era um momento em que precisávamos dar dois passos atrás para depois dar três a frente. Hoje, o CUIDAR auxilia todos os atletas olímpicos e há uma filosofia voltada à formação de atletas cidadãos, com bolsas de estudos. Hoje, temos uma estrutura melhor para a nossa modalidade.”

Em termos de performance esportiva, os resultados desse trabalho já começam a aparecer. Na modalidade de Illana, por exemplo, o Flamengo é o atual tricampeão da liga nacional, após quatro anos de domínio do Pinheiros. Ainda nas piscinas, a equipe de natação registrou sua melhor campanha no Troféu Brasil (antigo Maria Lenk) desde 2012: 5° lugar. Pode parecer pouco, mas nas últimas seis edições do torneio esta foi a primeira vez que o clube enviou uma delegação rubro-negra com mais de 20 atletas – foram apenas dois em 2014, devido à extinção da equipe adulta – e disputou uma prova de revezamento.

O remo voltou a obter bons resultados a nível nacional: foi campeão brasileiro de barcos curtos em 2018 e vice-campeão brasileiro de barcos longos em 2017. No exterior, por sua vez, a dupla Willian Giaretton e Xavier Vela, representantes brasileiros no Rio 2016, conquistou o título da Copa do Mundo, em Linz (Áustria), na categoria Dois Sem peso leve.

Ginástica do Flamengo continua sendo a base da Seleção Brasileira (Flamengo)

Além disso, os carros-chefes continuam sendo a equipe de ginástica artística feminina, base da seleção brasileira (Jade Barbosa, Flávia Saraiva, Rebeca Andrade e Lorrane dos Santos), e a de basquete masculino, pentacampeã do NBB, que volta aos Estados Unidos em outubro para enfrentar o Orlando Magic, em partida válida pela pré-temporada da NBA.

“Não estamos indo jogar lá novamente (a primeira vez foi em 2014) porque vencemos o campeonato aqui. Nós perdemos, inclusive. Mas o esporte não é só ganhar. Isso mostra a forma responsável como trabalhamos e como o clube está estruturado”, exalta Vido.

Entre tantos aspectos positivos, alguns pontos ainda precisam ser aprimorados, como reconhece o próprio dirigente. Um deles é o aproveitamento de atletas das categorias de base em equipes adultas, sobretudo no basquete.

“A nossa ideia é fazer igual ao que o futebol está fazendo agora, que é um trabalho bonito de se ver. O basquete está mudando um pouco a sua filosofia. Normalmente, trabalhamos com oito atletas de ponta e o resto da base. Esse último ano foi uma exceção, com dez na ponta. Há uma diferença muito grande jogar no adulto, é preciso preparar o jovem para defender o Flamengo. E você não consegue formar atletas em menos de sete ou oito anos.”

Outra questão fundamental é de natureza política: a eleição presidencial do clube, marcada para dezembro de 2018. Com a saída confirmada de Eduardo Bandeira de Mello após dois mandatos, o ambiente político do Flamengo promete ser agitado nos próximos meses. Um clima de indefinição que pode, inclusive, modificar os planos do clube para o triênio 2019-2021.

“O corpo executivo continua fazendo o seu trabalho, não se envolve com as eleições. Temos que saber que ela acontece a cada três anos. Para isso, estamos criando bases sólidas em todas as áreas, independentemente de quem for eleito. Precisamos de projetos enraizados e sustentáveis, porque o esporte olímpico não vai deixar de existir. Agora, o que vai acontecer em 2019, não sei”, finaliza Vido.

Na área com Nicola – Guerrero tem contrato ’empurrado’ e fica no Inter até os 38 anos

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