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Hernâni comemora virada improvável do Zenit: "Não desconcentramos e conseguimos a vaga"

Colaboradores Yahoo Esportes
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Hernâni durante a virada improvável do Zenit (Mike Kireev/NurPhoto via Getty Images)

Por Felipe Portes (@portesovic)

Revelado pelo Atlético Paranaense, o meia Hernâni ganhou projeção depois de um ano inspirado em 2016. Motorzinho de um time que se defendia e atacava com a mesma qualidade, o mineiro se lançou no futebol europeu em janeiro de 2017, para assinar com o Zenit. Hernâni, em primeiro momento, foi cedido ao Saint-Etienne por empréstimo, viveu bons momentos, e agora busca seu espaço novamente na equipe russa, com um novo treinador. Um ano e meio depois de deixar o Brasil, o aprendizado é visível.

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O jogador esteve em campo pelo Zenit, na semana passada, contra o Dinamo Minsk, pela Liga Europa. A situação no jogo de volta era delicada. Com uma derrota por 4 a 0 na ida, o time de St. Petersburgo precisava de uma virada memorável para seguir no torneio. Deu no que deu. A insanidade total do confronto terminou com um placar inesquecível de 8 a 1 para o Zenit, que precisou da prorrogação para eliminar os rivais, mesmo com dez homens em campo, após a expulsão de Paredes.

Personagem de um momento histórico no clube, Hernâni nos concedeu uma rápida entrevista para falar do seu início como profissional e sobre as experiências na Europa. Confira, na íntegra, a conversa com ele.

Hernâni, você estourou rápido no Atlético, depois de um empréstimo ao Joinville. Qual foi o cuidado recebido na base do Furacão antes de subir ao profissional?

O Atlético é um clube que valoriza muito suas categorias de base e trata os atletas com todos os cuidados possíveis para que eles se formem e cheguem o mais pronto possível ao elenco profissional. Não há um cuidado específico, mas sim todo um trabalho em conjunto, de todas as áreas, para que a gente evolua tanto no lado pessoal quanto no profissional.

Em 2016, não só por tirar o Atlético da fila no Estadual, mas também pela excelente campanha no Brasileiro, você virou protagonista do time e procurado por clubes brasileiros. Houve alguma proposta séria, ou você focou na Europa, naquele momento?

Realmente foi um ano especial para o Atlético e, individualmente, também pude fazer uma boa temporada. É claro que, por conta disso, apareceram algumas sondagens de clubes brasileiros, mas a proposta do Zenit foi muito boa para mim e para o clube, então não foi uma decisão difícil de ser tomada. Era uma grande oportunidade de atuar no futebol europeu, que é o sonho de qualquer jogador.

A chegada ao Zenit deve ter implicado em mudanças grandes na sua vida. Idioma, costumes, temperatura e até mesmo as rotinas de treinamento. Qual foi a grande barreira nesse sentido, pra você?

Com certeza foi uma mudança difícil, a adaptação demorou para acontecer. A questão do idioma foi o mais complicado, pois cheguei sem saber nada de russo. Talvez, por isso, a minha primeira temporada aqui não foi do jeito que eu esperava, mas tinha a noção de que era uma questão de tempo para que me sentisse confortável e confiante para mostrar o meu futebol.

O empréstimo ao Saint-Etienne foi importante em que sentido para a sua carreira? Mais visibilidade por estar em uma liga grande, ou a chance de enfrentar grandes jogadores como Neymar, Mbappé, Cavani, Falcao García e outros?

Acho que teve um pouco de cada coisa. A Ligue 1 estava em evidência com a chegada do Neymar, e eu fui para um time de enorme expressão na França, com muitos títulos e uma torcida muito apaixonada. Lá, fiz bons jogos, consegui marcar gols e ganhei um pouco mais de experiência no futebol europeu. Atuar contra grandes astros internacionais, numa liga importante, sem dúvida, foi algo que acrescentou muito na minha carreira.

Estar no segundo maior campeão francês, ainda que por uma temporada, te impressionou de alguma forma? O que você leva dessa experiência no Saint-Etienne?

Vou levar para o resto da minha carreira a oportunidade de vestir a camisa de um dos maiores campeões da França. O estádio lotado, com uma torcida apaixonada, motiva qualquer jogador durante as partidas, e era isso que eu via quando jogávamos como mandante. Fica a minha torcida pelo Saint-Etienne.

A concorrência no Zenit é forte, para o seu setor. Qual é o seu plano para brigar pela titularidade?

Acho que o clube e o treinador são quem tem mais a ganhar com essa quantidade de bons jogadores. Não existe um plano para ser titular da equipe. A única forma de me elevar a essa condição é treinar forte diariamente e buscar fazer aquilo que o treinador pedir. Sei do meu potencial e que posso agregar muito à equipe dentro e fora de campo.

Qual é a sua sensação em relação aos atletas russos que disputaram a Copa? Eles sentiram que foram além do esperado, ou que poderiam ter ido mais longe no Mundial?

O clima aqui na Rússia durante e após a Copa era de muita felicidade. Sem dúvida, foi uma campanha muito boa da seleção russa e tanto os jogadores quanto os torcedores ficaram satisfeitos com o resultado apresentado. É claro que ficou um sentimento de que poderiam ter ido além, depois de terem conseguido o empate na prorrogação e só serem eliminados na disputa de pênaltis, mas foi uma Copa inesquecível para todos aqui.

O Zenit vem de uma temporada decepcionante com Roberto Mancini. O que tem sido falado sobre os objetivos para a nova campanha, com o Semak?

Acho que o que passou tem que ficar para trás. Agora é pensar no presente e no futuro. Os erros acontecem e, com eles, temos que aprender para que possamos acertar e conquistar os resultados desejados. Sabemos da pressão e da expectativa sobre a nossa equipe, então vamos buscar realizar um bom trabalho para conquistar os títulos que vamos disputar para dar alegrias ao nosso torcedor.

Sobre o jogo maluco contra o Dinamo Minsk, na Liga Europa, qual foi a sensação antes de entrar em campo e depois de sair com uma vaga improvável? O Zenit prova que vai longe no torneio com essa postura agressiva? Como foi a conversa entre os jogadores depois dessa façanha?

Quando acabou o primeiro jogo [4 a 0 para o Dinamo], ficamos com um sentimento de que seria muito difícil de reverter o resultado, pela diferença no saldo de gols. Mas, conforme os dias foram passando, botamos na cabeça que deveríamos entrar e fazer o melhor diante da nossa torcida para que, se possível, pudéssemos conquistar a classificação. Sem dúvidas, é um resultado que ficará marcado na história do clube e de cada jogador envolvido nessa partida.

Com um jogador a menos no tempo normal, conseguimos fazer os quatro gols, levar o jogo para a prorrogação e, mesmo tomando um gol no tempo extra, não desconcentramos e conseguimos fazer mais quatro, construindo uma goleada e conquistando essa vaga para o Zenit. Ali, mostramos que temos uma equipe forte e determinada a conquistar os resultados necessários para o clube.

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