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De volta à seleção russa, brasileiro revela surpresa com convocação

Colaboradores Yahoo Esportes
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Guilherme comemorando com a taça da Liga Russa (Mike Kireev/NurPhoto via Getty Images)

De Moscou

Na Rússia há 11 anos e titular incontestável do atual campeão nacional Lokomotiv Moscou, o goleiro brasileiro naturalizado russo Guilherme Marinato ganhou mais uma chance na seleção nacional.

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Uma chance que nem ele mesmo esperava ter após ser deixado fora da Copa do Mundo e não fazer parte da equipe desde o fim da Copa das Confederações, em julho de 2017. Só foi incluído na lista de suplentes para o Mundial, mas nem chegou a integrar o grupo para treinos.

O jogador de 32 anos, que recebeu passaporte russo em 2015, foi chamado pelo técnico Stanislav Cherchesov para os dois primeiros compromissos após o Mundial. Um duelo da Liga das Nações da Uefa com a Turquia em 7 de setembro e um amistoso contra a República Tcheca no dia 10.

“Eu não esperava esta convocação, me surpreendeu bastante. Como não fui mais chamado depois da Copa das Confederações achava que havia acabado meu ciclo na seleção. Mas como eu sempre falei. Sempre que precisarem estarei à disposição”, disse o goleiro ao Yahoo Esportes.

Ele só soube que havia sido chamado ao receber em seu celular ligações de jornalistas russos. No momento da convocação, ele estava no centro de Moscou resolvendo questões particulares em uma segunda-feira de folga.

“Fiquei surpreso por toda a situação, mas não pelas atuações que venho tendo e o momento que estou vivendo”, disse o jogador que no Brasil passou por PTSC e Atlético-PR.

Guilherme chegará para o início dos treinos com a expectativa de ser titular.

Isso porque Igor Akinfeev, dono absoluto da posição na seleção há mais de uma década, não foi incluído na lista. De acordo com Cherchesov, ele irá para a Alemanha no período passar por exames no joelho.

Porém, na imprensa russa já há discussões sobre a possibilidade de que ele se aposente da seleção e continue apenas defendendo o CSKA, único clube no qual atuou em sua carreira.

“Como o Akinfeev não está nesta lista, espero ter a chance de jogar ao menos uma partida como titular e poder mostrar meu trabalho”, afirmou Guilherme.

“Quanto ao futuro (do Akinfeev), existe ainda uma situação mal explicada e incerta. Mas não posso criar expectativa em cima de algo que não sei. Se for o caso de ele não jogar mais pela seleção, vou em busca desta titularidade. Preciso trabalhar para estar pronto se chegar esta oportunidade”, disse.

Desde que recebeu o passaporte russo, Guilherme entrou em campo só duas vezes pela Rússia, ambas em amistosos em 2016. Contra Lituânia e República Tcheca atuou 45 minutos em cada um dos jogos sempre vindo do banco de reservas.

Guilherme durante treino com a seleção antes da Copa das Confederações (Stanislav Krasilnikov\TASS via Getty Images)

Para os jogos de setembro terá a concorrência de Andrey Lunev, 26, titular do Zenit, e de Anton Shunin, 31, titular do Dínamo de Moscou. O primeiro foi reserva de Akinfeev na Copa do Mundo.

“O Lunev é um goleiro jovem e que vem bem no Zenit há dois anos e tem muito potencial para ser um grande goleiro. O Shunin também é bom. Então será uma concorrência boa. A Rússia, aliás, está bem servida de goleiros”, disse o brasileiro que é o único nascido fora do país que é titular atualmente no Campeonato Russo.

Guilherme, inclusive, foi o primeiro jogador não-nascido em uma das 15 ex-nações soviéticas a defender a seleção russa. Depois veio também o brasileiro Mário Fernandes.

De volta à seleção, o goleiro sabe que a cobrança sobre o time nacional será maior depois da campanha surpreendente na Copa, a qual a Rússia chegou desacreditada e alcançou as quartas de final, sendo eliminada nos pênaltis pela vice-campeã Croácia.

“Sempre existe uma responsabilidade grande quando se joga pela seleção, mas agora ela se torna maior depois da campanha na Copa, mas temos de encarar isso com naturalidade. Também é preciso ter calma pois é um período de renovação depois da Copa e a saída de jogadores experientes”, analisou.

Se hoje faz sucesso na Rússia, o seu início ao chegar ao país não dava sinais de que isso seria possível. Entre a chegada, no fim de 2007, e setembro de 2008, Guilherme sofreu duas lesões no joelho e precisou de cirurgia.

“Só em 2009 me recuperei totalmente e comecei a treinar. Na pré-temporada o técnico me deu a primeira oportunidade e a partir daí eu fui ganhando meu espaço.”

Para o mineiro, a adaptação à preparação física foi a maior dificuldade na Rússia. Ele diz já estar acostumado até a jogar com temperaturas abaixo de zero grau.

O processo para a naturalização teve início por desejo do próprio Lokomotiv, em 2013. A ideia foi prontamente aceita por Guilherme, que hoje é fluente em russo e vive no país com a esposa e duas filhas.

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