Alison dos Santos projeta Paris e ratifica o novo momento do atletismo brasileiro

Alison Dos Santos venceu mais uma etapa da Diamond League, desta vez na Polônia. Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images
Alison Dos Santos venceu mais uma etapa da Diamond League, desta vez na Polônia. Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images

Há pouco menos de 2 anos dos jogos olímpicos de Paris, um nome ganha os holofotes do esporte brasileiro: Alison dos Santos. O paulista de 22 anos sagrou se em algumas semanas campeão mundial dos 400 metros com barreiras. Com o melhor tempo do mundo, Santos que já é medalhista olímpico projeta ciclo olímpico com o Brasil como um dos grandes protagonistas.

Em entrevista exclusiva para o Yahoo Esportes, em bate papo demonstra toda autoconfiança e ratifica o momento na carreira. Com humildade, relembra ídolos, sem deixar de enaltecer a luta dos pais, os seus favoritos para as Olimpíadas e a nova geração do atletismo brasileiro.

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Medalhista olímpico e recentemente campeão mundial, com que expectativa você chega em Paris? Aumentaram as cobranças?

- Com toda certeza ser medalhista olímpico e mundial, ainda mais, independente se a gente conquistar o bicampeonato mundial chegando nos jogos olímpicos completamente diferente, a energia, a cobrança, o peso da competição é completamente outro, mas a gente vai levar sempre da mesma maneira, sempre na leveza, divertindo, aproveitando cada momento.

Alguma preparação especial para diferentes competições?

- Agora é literalmente só preparação para os 400 metros com barreira. Só começar o trabalho como a gente estava fazendo, se manter saudável, trabalhando principalmente para esse troféu na Diamond League que é o que falta para gente na temporada, entrar em férias e conquistar tudo que era possível.

Como você vê hoje a atual geração do atletismo brasileiro? Tem algum corredor que te inspirou?

- Com certeza quando eu comecei tinha alguns atletas na minha frente, competindo comigo, como o Márcio Teles, o Micael também que era tão jovem que em 2016 eu acompanhava por ter feito quase índice olímpico sendo tão jovem. Sempre teve atletas que inspiravam a gente. Também havia atletas presentes que sempre me incentivaram e inspiraram a querer ser melhor cada dia.

Qual é o maior desafio na carreira? Os resultados em si, patrocínios ou infraestrutura?

- Posso dizer que estamos melhorando, estamos evoluindo, estamos buscando progresso. Eu digo que os atletas brasileiros não só eu, os outros: o Constantino, o Dutra, o Embala, o Rafael, a própria Letícia agora. Estamos abrindo as portas, o Darlan, o Thiago Braz, o Danielzinho, nós estamos abrindo as portas para eles, que o cenário mundial também é nosso. Não competimos só no sul da América, a gente pode vir qualquer lugar e lutar de igual para igual com os caras.

Quais são seus principais opositores na disputa pela medalha para a próxima Olimpíadas?

- Acho que não vai fugir muito do que é hoje, não teremos grandes mudanças. Alison dos Santos, no caso, eu, Ray Benjamin, Karsten Warholm, Trevor Bassit, Mcmaster, Samba, Happio...

Conte para nós um pouquinho da sua história de vida até chegar no atletismo. Geralmente, a questão social é um dos maiores empecilhos. Sua história também segue esse mesmo roteiro?

- Eu sou natural de São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, minha mãe já aposentada por invalidez, problemas de saúde. Ela trabalhava na usina com veneno. O meu pai trabalhava na mesma usina. Não vim de família rica, que esbanjava dinheiro, mas nunca passei fome, necessidade, a família nunca deixou faltar nada em casa. Sempre me apoiaram muito em meus projetos. Sempre estiveram comigo. Obviamente, essa questão social pesa, condição financeira pesa, mas encontrei no esporte a oportunidade.

Qual atleta brasileiro tem chance de brigar por medalhas no atletismo, além de ti?

- Eu acho que o mesmo que eu citei que abriu as portas, eu, Thiago Braz, Danielzinho, Darlan, Vitória e outros atletas do Brasil, entre eles, eu, Edu. Constantino estão mostrando não só a nível nacional, como internacional. São atletas já habituados com as grandes disputas, competições.