20 anos do Penta: os bastidores da cobertura do LANCE! no último título da Seleção Brasileira

As capas do Penta que foram para a banca em uma edição extra e na edição tradicional (Foto: Arquivo Lancepress)


Há exatamente 20 anos, o Brasil levantava sua quinta e última Copa do Mundo, que foi realizada em 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Fundado em 1997, o LANCE! participou da cobertura, que foi a única da história do veículo em um mundial conquistado pela Seleção. Cobrir essa Copa foi algo muito peculiar, que ficou marcado, e mobilizou as redações em território brasileiro e reportagem in loco.

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Com um torneio do outro lado do mundo, o que ditava o ritmo da cobertura era o fuso horário, algo que exigiu a divisão da redação em vários turnos de jornada de trabalho, além de duas edições de jornal nos dias de jogos do Brasil e muitas madrugadas em claro para levar conteúdo aos leitores da principal publicação esportiva do país.

Para contar um pouco dessa história, a reportagem atual do LANCE! foi atrás de Guilherme Gomes, editor do jornal na época, que participou ativamente daquela cobertura e ajudou no desenvolvimento da capa que ficou marcada como a do Penta. O jornalista explicou com mais detalhes o funcionamento da redação e a produção dos jornais na única Copa em que o veículo pôde estampar sua capa com um título mundial da Seleção Brasileira.

Cobertura custosa e logística mais complicada após Copa de 1998

Pela primeira vez na história a Fifa organizava uma Copa do Mundo em dois países, a primeira em território asiático, o que popularizou ainda mais o futebol no local, mas inviabilizou a ida de muitos profissionais e torcedores pelos altos custos para estar no Japão e na Coreia do Sul. Dessa forma, o LANCE! acabou enviando apenas dois jornalistas para a cobertura, enquanto na França, na edição anterior, dez integrantes da equipe do jornal montaram uma "mini redação".

- Foi uma Copa atípica, porque foi a primeira em dois países, Japão e Coreia do Sul, e outro era a questão da logística, por ser do outro lado do mundo, teve a questão financeira, que foi um impedimento grande, porque era um custo bem alto, de passagem, hospedagem, de cobertura, ou seja, diferentemente de outras Copas, a cobertura era bem mais custosa. Uma outra grande situação que foi enfrentada foi o fuso horário - relatou Guilherme Gomes, antes de completar:

- Em relação à questão orçamentária, para efeito de comparação, na Copa de 1998, na França, o LANCE! chegou a montar praticamente uma mini redação na cidade de Chantilly, onde o Brasil ficou, perto de Paris. E o jornal mandou de oito a dez pessoas para a cobertura. Quatro anos depois, na Copa de 2002, por todo o custo envolvido, o LANCE! mandou somente duas pessoas: um repórter e um editor. Então a cobertura in loco foi bem limitada.

Fuso horário provocou a divisão na redação e até lembrou No Limite

Quem não se lembra ou 1uem não viveu aquela Copa do Mundo, o fuso horário entre o Brasil e Japão/Coreia do Sul era de 12 horas, ou seja, um desafio e tanto para quem trabalhava do outro lado do mundo. Foi preciso trocar o dia pela noite, além de criar uma edição extra para os dias de jogos do Brasil. Toda essa "operação de guerra" fez a redação fazer uma brincadeira com o programa No Limite, sucesso da Globo na época, como lembrou Guilherme Gomes.

- Em relação à logística do fuso horário, ficou estabelecido que com o jogo tendo sido na madrugada ou no início da manhã, o jornal ficaria velho se fosse publicado no horário tradicional, pela manhã, ou seja, não poderia dar esse resultado somente na manhã seguinte. Então ficou decidido que a gente fizesse edições extras nos dias dos jogos do Brasil. A cobertura do jogo era feita na redação com uma equipe, com o jogo sendo de madrugada, ou no início da manhã, como se fosse um fechamento normal de rodada noturna, ou seja, fechando 20 minutos depois do apito final.

- O pessoal brincava com aquele programa "No Limite", da Globo, aí tinha o grupo Lua e o grupo Sol. O grupo Lua que trabalhava de madrugada nos jogos do Brasil e também dividimos os editores e os responsáveis pelo fechamento. Nesse caso, eu fiquei responsável pelo fechamento do grupo Lua, ou seja, dos jogos do Brasil na edição extra e o editor do grupo Sol continuou fechando a edição normal durante a Copa.

O funcionamento das edições extras nos jogos do Brasil

Como dito acima, com os jogos da Seleção na madrugada e no início da manhã, deixar o noticiário somente para o dia seguinte não fazia sentido, então as edições extras ganharam importância e atenção especial durante a Copa do Mundo. No entanto, exigiu que boa parte da redação trocasse o dia pela noite em prol da publicação do jornal.

- Nos dias de jogos do Brasil era uma operação de guerra para essa edição extra, porque em alguns deles a gente tinha que chegar na redação às 3h da manhã, já que o jogo seria às 4h. Então imagine, o jogo sendo das 4h às 6h, a gente chegava às 3h da manhã e ficava até umas 9h, chegando antes para planejar. O jornal fechava às 7h em dias assim, mas eu lembro que tivemos horários variados de jogos, em que foi possível emendar e não dormir antes de ir para a redação. Mas quando o jogo era mais pro fim da madrugada, tínhamos que dormir antes de ir no meio da noite - relatou Guilherme.

- Tinha uma equipe de metade da redação nesses dias de jogo do Brasil na madrugada. A gente fazia cobertura por aqui com ajuda dos correspondentes, de agências, era um jornal menor do que o habitual, eu creio que eram 16 páginas cada edição extra. Nesse dia, a edição normal, que o pessoal entrava na hora do almoço, usava parte do que havia sido feito na edição extra para montar a edição do dia seguinte. Eu diria que usavam 40% do que havia sido produzido e publicado e acrescentava outras coisas e o restante da Copa, pós-jogo, análises...

- A cobertura das edições extras eram bem factuais em cima dos jogos, ou seja, tinha relato, atuações, tinha notícia de ambiente, climão, além do "vestiário" mais imediato, aquele pós-jogo. O conteúdo das edições extras eram diferentes das tradicionais, que vinham com parte desse factual, relatos mais elaborados e principalmente um pós-jogo completo, análise, repercussão no mundo, ou seja, algo a mais para diferenciar os conteúdos. Essas edições extras, eu lembro que chegavam na banca entre 9h da manhã e 12h, dependendo do horário do jogo do Brasil.

Final da Copa teve inversão de turnos e edição extra mais robusta; capa mais famosa foi feita por várias mãos e entrou para a história

No dia 30 de junho de 2002, quando Brasil e Alemanha decidiram o título mundial daquele Copa, o jogo estava marcada para às 8h horas de Brasília, e exigia uma atenção especial, por isso os turnos foram invertidos para a produção da edição extra e da edição do dia seguinte (1º de julho), que acabou considerada como a capa "oficial" do Penta, com a famosa frase "Os Reis do Futebol" no topo.

- Esse sistema de equipe Sol e Lua mudou somente na final, porque começou às 8h da manhã no horário de Brasília. Como era final, nesse dia foi feita uma edição normal, grande, mas saindo logo depois do jogo. Aí foi feita uma inversão, o editor do dia assumiu esse fechamento, e eu entrei mais tarde para fazer a edição do dia seguinte, quando usamos grande quantidade da edição extra que saiu com o título, mas essa edição extra foi bem robusta, bem maior do que as outras ao longo da Copa - lembrou Guilherme.

- A capa oficial do Penta foi feita com várias mãos, teve a edição extra que foi robusta, que foi imediata, e depois ao longo dia teve a produção da capa que ficou famosa, que é aquela "Reis do Futebol", elaborada para a edição do dia seguinte, que virou a capa clássica do principal jornal esportivo do Brasil no dia do pentacampeonato. Foi bem bacana, eu lembro que tinha uma página para cada jogador.

Experiência marcante em outros tempos e coroada com o título

Naquele momento, a internet já tomava seu espaço, mas ainda não era povoada por redes sociais, o que fazia com que o jornal impresso ainda tivesse uma enorme relevância. O LANCE! era o principal veículo esportivo do país e proporcionou uma cobertura marcante para quem participou dela e ainda pôde curtir o Penta trabalhando.

- Foi uma experiência bem marcante, diferente, principalmente porque eram outros tempos, em que o impresso tinha um peso muito maior, estamos falando de um período pré-redes sociais, então o mundo era outro, mas foi uma cobertura bem bacana por esses detalhes, e também porque foi coroada com o título, que não vinha há muito tempo e que deu tudo certo nessa campanha do Penta - finalizou Guilherme Gomes.

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